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Fosfatase alcalina: valores por idade e o que significa

A fosfatase alcalina não vem só do fígado: vem também do osso. Veja os valores por faixa etária, por que a criança tem o dobro do adulto e o custo no SUS.

Publicado em 4 de setembro de 202612 min de leituraEscrito pela Equipe Blood Analysis · Revisado e verificado por Julien Priour

A fosfatase alcalina é uma das enzimas mais dosadas do país — e uma das mais mal lidas. Quase todo mundo a trata como "exame do fígado", e ela não é só isso: a mesma enzima vem também do osso, do intestino e, na gravidez, da placenta. Por isso o número sozinho quer dizer pouco — ele só se lê com a idade ao lado. Uma criança de 5 anos pode ter o dobro do teto de um adulto e estar saudável. Esta página reúne os valores por faixa etária medidos no Brasil, como se descobre se o aumento veio do fígado ou do osso, o que significa uma fosfatase baixa e quanto custa no SUS.

Em resumo

  • A FA tem quatro subtipos — intestinal, placentário, de células germinativas e fígado/osso/rim, segundo a cartilha da Sociedade Brasileira de Hepatologia.1
  • ⚠️ Crianças e adolescentes em crescimento têm valores altíssimos, e isso é normal. Num estudo brasileiro, a faixa de 1 a 9 anos foi 149–301 UI/l.2
  • ⚠️ Entre 13 e 14 anos os sexos se separam: 129–437 UI/l nos meninos, 62–212 nas meninas.2
  • ⚠️ Na gravidez a FA sobe pela produção placentária, com gama GT normal — Ministério da Saúde e FEBRASGO.34
  • A regra brasileira para separar fígado de osso é a gama-GT: o TelessaúdeRS-UFRGS manda investigar doença óssea quando a FA sobe e a gama-GT não.5
  • O SUS não paga o fracionamento em isoenzimas da FA: ele não existe na tabela SIGTAP.6
  • Uma fosfatase baixa orienta para hipofosfatasia, desnutrição, hipotireoidismo e carência de zinco ou magnésio — mas é sobretudo um achado laboratorial, não uma doença.7
  • ⚠️ Sobre a vitamina B6 a relação é o contrário do que se diz: não é a B6 que abaixa a enzima — é a enzima baixa que faz a B6 se acumular.8
  • Comer antes da coleta eleva a FA. A SBPC/ML usa esse fenômeno como exemplo principal do porquê do jejum.9

O que é a fosfatase alcalina

A cartilha Elevação da Fosfatase Alcalina, do Instituto Brasileiro do Fígado, ligado à Sociedade Brasileira de Hepatologia, resume bem: a FA "está presente em diferentes tecidos humanos e apresenta 4 subtipos de acordo com sua localização (intestinal, placentária, células germinativas e fígado/osso/rim)", e "seus níveis no sangue variam com a idade, sendo mais altos nas crianças (crescimento ósseo) do que nos adultos".1

No osso a enzima tem função concreta: ela retira o pirofosfato, que é justamente o que impede o mineral de se formar. Retirá-lo é o que permite ao osso calcificar — daí a enzima disparar quando um esqueleto cresce depressa.10

O exame comum mede a fosfatase alcalina total: a soma de tudo. Daí ele ser sensível e pouco específico ao mesmo tempo — avisa que algo mudou, sem dizer onde.

Valores de referência: a idade manda

Aqui vem o ponto mais importante desta página, e o que mais gera susto desnecessário.

Existe dado brasileiro para crianças e adolescentes. Um estudo publicado no Jornal Brasileiro de Patologia e Medicina Laboratorial — a revista da SBPC/ML — analisou a fosfatase alcalina de 1.690 indivíduos de 1 a 18 anos e transferiu para a população brasileira os intervalos do estudo canadense CALIPER, com concordância em 92,4% dos pacientes:2

Faixa etáriaMeninas (UI/l)Meninos (UI/l)
1 a 9 anos149–301149–301
10 a 12 anos127–326127–326
13 a 14 anos62–212129–437
15 a 16 anos52–12078–268
17 a 18 anos45–9740–129

Olhe a linha dos 13 a 14 anos. Um menino pode ter 437 UI/l e estar normal; uma menina da mesma idade tem teto de 212. Não é erro: as meninas terminam o estirão antes. Um adolescente que se compara com a tabela de um adulto — ou com a irmã — conclui que está doente sem estar.

E o adulto? O estudo brasileiro para nos 18 anos. Como referência internacional declarada, os intervalos ficam em torno de 55–140 U/L nos homens e 60–147 U/L nas mulheres.11 Mas o intervalo que vale é o impresso no seu laudo: o manual da SBPC/ML trata os intervalos como algo que cada laboratório estabelece, considerando "idade, gênero, etnia, fatores ambientais, estado nutricional, grau de atividade física, período de ciclo menstrual, uso de medicamentos e existência de doença crônica" — e em toda a sua extensão não imprime um único intervalo numérico de FA.9

Duas provas de que isso não é formalidade. Um fabricante brasileiro de reagentes publica faixas pediátricas que mal se sobrepõem conforme o método: 75 a 390 U/L no cinético-colorimétrico e 56 a 156 U/L no Roy modificado.12 E um grande laboratório nacional trocou o intervalo dos seus laudos em fevereiro de 2025 apenas por ter migrado de equipamento.13 Some-se que o método de referência IFCC devolve resultados cerca de 10% mais altos que os ensaios anteriores.10 Comparar seu número com o de outro laboratório não faz sentido.

Na gravidez, a placenta explica

O Manual de Gestação de Alto Risco do Ministério da Saúde é direto: os níveis de fosfatase alcalina aumentam por produção placentária, "já a gama glutamiltransferase (Gama GT) geralmente é normal ou pouco elevada".3 A FEBRASGO diz o mesmo: "os níveis circulantes de fosfatase alcalina estão aumentados, sobretudo pela produção placentária, enquanto o nível de gama-glutamil transferase encontra-se normal".4 Ou seja: na gestante, FA alta com gama GT normal é o esperado, não um alarme.

Fosfatase alta: veio do fígado ou do osso?

Essa é a única pergunta que importa diante de um resultado elevado, e no Brasil ela tem resposta formal.

O caminho teórico seria o fracionamento em isoenzimas. Só que ele não é oferecido pelo SUS. A demonstração é por enumeração na tabela SIGTAP (competência de agosto de 2026): as únicas entradas com "fosfatase" são fosfatase ácida total, fosfatase alcalina (código 0202010422), fração prostática da fosfatase ácida, fosfatase alcalina no esperma e fosfatase ácida no esperma. A palavra "isoenzimas" aparece uma única vez em toda a tabela, e é para a desidrogenase lática.6 O SUS paga o fracionamento da LDH e uma fração da fosfatase ácida — mas nenhum da fosfatase alcalina.

A conduta brasileira usa a gama-GT, e está escrita. O TelessaúdeRS-UFRGS, serviço de telessaúde de referência para a atenção primária no SUS, orienta: "caso haja alteração de fosfatase alcalina >1,5 o LSN, juntamente com alteração de gama-GT, devemos considerar alterações de vias biliares"; e "se houver alteração de FA sem alteração de gama-GT, deve-se investigar doenças ósseas, como metástases, doença de Paget e hiperparatireoidismo" — nesse caso a investigação começa com cálcio total, albumina e PTH.5 A cartilha da Sociedade Brasileira de Hepatologia converge: "quando FA e GGT estão aumentadas simultaneamente provavelmente as alterações são relacionadas ao fígado".1

Vale notar que essa régua é brasileira e formal — não um atalho de laboratório. Ela também tem respaldo técnico: usar a gama-GT como adjunto aumenta a especificidade para a origem hepática de uma FA elevada.10 Veja a fiche da gama-glutamil-transferase e o hepatograma completo.

Fosfatase alcalina baixa: o resultado que ninguém comenta

Laudos com fosfatase abaixo do intervalo costumam passar em branco. Não deveriam — mas o susto também não se justifica, e há dado brasileiro para calibrar.

Um estudo dos Archives of Endocrinology and Metabolism, revista da SBEM, varreu 289.247 dosagens de FA em adultos de dois hospitais terciários do Rio de Janeiro entre 2015 e 2019. Encontrou 1.049 pacientes com FA abaixo de 40 U/L e 410 com hipofosfatasemia confirmada em pelo menos dois exames. Destes, 398 foram excluídos por causas secundárias — desnutrição, hipotireoidismo, carência de zinco ou magnésio, doença hepática. Sobraram 12, e nenhum tinha manifestações compatíveis com hipofosfatasia. A frase-chave: a hipofosfatasemia persistente "é uma anormalidade laboratorial, não uma doença".7

Ainda assim, a hipofosfatasia existe: doença genética por variantes no gene ALPL, em que a enzima tecido-inespecífica funciona mal e o osso mineraliza mal. O protocolo do Ministério da Saúde para raquitismo e osteomalácia a lista com FA , ao lado da deficiência de vitamina D com FA .14

⚠️ É aqui que mora um erro de sentido que circula muito. A vitamina B6 entra nessa história — mas na direção inversa da que se costuma repetir. A forma ativa da B6, o piridoxal 5'-fosfato (PLP), é um substrato natural da enzima. Quando a fosfatase alcalina está baixa, o PLP deixa de ser processado e se acumula. Não é a B6 que abaixa a fosfatase: é a fosfatase baixa que faz a B6 subir — e é esse PLP elevado que confirma a hipofosfatasia no laboratório.8 Um valor repetidamente baixo é obrigatório para levantar a suspeita, mas não basta sozinho.8

Paget, vitamina D e osteomalácia no Brasil

A doença óssea de Paget tem protocolo próprio no SUS. O PCDT do Ministério da Saúde (Portaria Conjunta nº 2, de 17 de janeiro de 2020) descreve a doença como "frequentemente descoberta por achados incidentais, como aumento da fosfatase alcalina em pacientes sem doença hepatobiliar ou outras doenças ósseas", usa "FA no soro acima do valor de referência" como critério de inclusão e determina que a enzima seja dosada a cada 3 a 6 meses no acompanhamento.15

O mesmo PCDT traz o dado brasileiro: um estudo em Recife observou prevalência de 0,68% em adultos acima de 45 anos.1516 ⚠️ Atenção ao que esse número não é: o relatório da CONITEC que sustentou o protocolo registra a limitação explicitamente — "o estudo foi realizado em um centro especializado de tratamento, logo pode não refletir a real prevalência da Doença de Paget na população brasileira".15

Sobre vitamina D: o PCDT de Raquitismo e Osteomalácia reconhece que "há escassez de dados epidemiológicos no Brasil" sobre essas duas doenças, e que os estudos de hipovitaminose D são heterogêneos.14 Mas existe, sim, um dado nacional: o ENANI-2019, estudo de base populacional com 8.829 crianças de 6 a 59 meses que coletaram sangue, encontrou prevalência de insuficiência de vitamina D (< 50 nmol/l) de 4,3% no Brasil, chegando a 5,3% entre 24 e 59 meses.17 Uma nota prática do protocolo: quando se trata a carência, "a normalização da fosfatase alcalina é mais lenta, podendo levar até 6 a 12 meses".14

Precisa de jejum? O que diz a SBPC/ML

Sim, e por um motivo específico desta enzima. Ao explicar por que se pede jejum, o manual da SBPC/ML escolhe justamente a fosfatase alcalina como exemplo: "um exemplo significativo deste efeito é a elevação fisiológica da enzima fosfatase alcalina, especialmente a isoenzima intestinal, no período pós-prandial imediato".9 Comer antes da coleta eleva mesmo o resultado — não é lenda. O grupo sanguíneo ABO também influencia os níveis.10 O mesmo manual faz a ressalva oposta: jejum acima de 12 horas deve ser evitado.9

Três interferências merecem atenção, com limiares da SBPC/ML: a hemólise da amostra eleva falsamente a FA a partir de 200 mg/dL de hemoglobina livre; a lipemia, a partir de 2.000 mg/dL de triglicérides; e a icterícia, a partir de 60 mg/dL de bilirrubinas.9 Se o laudo traz observação de amostra hemolisada, o valor alto pode ser do tubo, não de você.

Quanto custa

Pelo SUS o exame é gratuito. O que o Ministério da Saúde repassa ao serviço está na tabela SIGTAP: a dosagem de fosfatase alcalina (0202010422) vale R$ 2,01 e a gama-glutamil-transferase (0202010465), R$ 3,51 — competência de agosto de 2026.6 São dos mais baratos do catálogo, o que explica por que a FA entra em quase todo painel de rotina, ao lado da glicemia e do lipidograma. Para a rede privada, veja quanto custa um exame de sangue.

Perguntas frequentes

Fosfatase alcalina alta significa problema no fígado? Não necessariamente. Ela vem também do osso, do intestino e da placenta.1 A regra do TelessaúdeRS: FA alta com gama-GT alterada aponta para vias biliares; FA alta com gama-GT normal manda investigar doença óssea.5

Meu filho está com a fosfatase muito alta. É grave? Quase sempre não. No estudo brasileiro, a faixa normal de 1 a 9 anos vai a 301 UI/l, e um menino de 13-14 anos pode chegar a 437.2 Compare sempre com a faixa etária correta.

Dá para pedir o fracionamento em isoenzimas no SUS? Não. Ele não existe na tabela SIGTAP — as únicas frações pagas ali são as isoenzimas da LDH e a fração prostática da fosfatase ácida.6

Preciso estar em jejum? Siga a orientação do seu pedido. A SBPC/ML documenta uma elevação fisiológica da FA no período pós-prandial imediato, ligada à isoenzima intestinal. Mas evite passar de 12 horas.9

Fosfatase alcalina baixa é problema? Merece atenção, sem pânico. Na varredura brasileira, dos 410 pacientes com hipofosfatasemia confirmada, quase todos tinham causa secundária e nenhum dos 12 restantes tinha hipofosfatasia.7 Não se automedique com vitamina B6: a B6 alta é consequência, não causa.8

Por que o valor do meu laudo é diferente do de outro laboratório? Porque o intervalo depende do método e do equipamento: um mesmo fabricante brasileiro publica faixas pediátricas de 75–390 e de 56–156 U/L conforme o método.1213

O que guardar

A fosfatase alcalina é duas coisas ao mesmo tempo: uma enzima do fígado e uma enzima do osso. Isso explica quase tudo — por que a criança em crescimento tem valores que assustariam um adulto, por que a gestante sobe sem estar doente, e por que a primeira pergunta diante de um valor alto é sempre "fígado ou osso?". No Brasil a resposta não vem do fracionamento em isoenzimas, que o SUS não paga: vem da gama-GT ao lado, como manda o TelessaúdeRS. E não ignore o resultado baixo — ele quase sempre tem causa secundária, e a relação com a vitamina B6 é o contrário do que se supõe. Nenhum valor isolado fecha um diagnóstico: conta o conjunto do seu hemograma completo e do seu contexto — o que a AI DiagMe ajuda a organizar, em complemento ao seu médico. Para os termos do laudo, veja o glossário de exames de sangue; para unidades, o conversor de unidades.

Fontes

Fontes institucionais brasileiras e publicações científicas (PubMed) utilizadas neste guia:

Footnotes

  1. Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH), via o Instituto Brasileiro do Fígado (IBRAFIG) — cartilha Elevação da Fosfatase Alcalina. "A fosfatase alcalina (FA) é uma enzima que está presente em diferentes tecidos humanos e apresenta 4 subtipos de acordo com sua localização (intestinal, placentária, células germinativas e fígado/osso/rim) […] seus níveis no sangue variam com a idade, sendo mais altos nas crianças (crescimento ósseo) do que nos adultos"; "quando FA e GGT estão aumentadas simultaneamente provavelmente as alterações são relacionadas ao fígado"; aumentos maiores que uma vez e meia a três vezes o limite normal caracterizam colestase. PDF 2 3 4

  2. Jornal Brasileiro de Patologia e Medicina Laboratorial (JBPML) — publicação da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML). Fontes VS, Cavalari E, Vieira Neto L, et al. Fosfatase alcalina: transferência de intervalos de referência do CALIPER para uma população pediátrica brasileira. J Bras Patol Med Lab, 2018;54(4):227-231. Dosagens de FA de 1.690 indivíduos de 1 a 18 anos; intervalos obtidos (UI/l): 149-301 para ambos os sexos entre 1-9 anos; 127-326 entre 10-12 anos; 62-212 para meninas e 129-437 para meninos entre 13-14 anos; 52-120 para meninas e 78-268 para meninos entre 15-16 anos; 45-97 para meninas e 40-129 para meninos entre 17-18 anos; concordância com o CALIPER em 92,4% dos pacientes. O resumo abre lembrando que "para o diagnóstico de hipofosfatasia, deve-se determinar limites inferiores do IR da fosfatase alcalina". Verificado nos dois espelhos. DOI: 10.5935/1676-2444.20180039. jbpml.org.br · SciELO 2 3 4

  3. Ministério da SaúdeManual de Gestação de Alto Risco, Brasília-DF, 2022, capítulo "Colestase gravídica". "Os níveis séricos de fosfatase alcalina aumentam […] por produção placentária; já a gama glutamiltransferase (Gama GT) geralmente é normal ou pouco elevada." ⚠️ O múltiplo numérico que o manual cita aparece na descrição da colestase gravídica, não como faixa fisiológica da gestação normal, e por isso não é reproduzido aqui. Acessado em espelho oficial estadual, já que bvsms.saude.gov.br não responde. PDF (Governo do ES) 2

  4. FEBRASGO — revista Femina, "Alterações hepáticas da gravidez", 2015;43(5):227-234. "Os níveis circulantes de fosfatase alcalina estão aumentados, sobretudo pela produção placentária, enquanto o nível de gama-glutamil transferase encontra-se normal." PDF 2

  5. TelessaúdeRS-UFRGS (Ministério da Saúde / UFRGS) — Como investigar enzimas hepáticas elevadas em paciente assintomático na APS?, 10/11/2021. Verbatim: "Caso haja alteração de fosfatase alcalina >1,5 o LSN, juntamente com alteração de gama-GT, devemos considerar alterações de vias biliares"; "Se houver alteração de FA sem alteração de gama-GT, deve-se investigar doenças ósseas, como metástases, doença de Paget e hiperparatireoidismo. Nesses casos […] a investigação laboratorial pode ser iniciada com dosagem de cálcio total, albumina e PTH". A página não menciona fracionamento em isoenzimas em nenhum ponto. ufrgs.br/telessauders 2 3

  6. Ministério da Saúde — DATASUS, Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS (SIGTAP), competência 08/2026. Códigos e valores ambulatoriais lidos diretamente na tabela tb_procedimento: dosagem de fosfatase alcalina 0202010422 = R$ 2,01; dosagem de gama-glutamil-transferase (gama GT) 0202010465 = R$ 3,51; dosagem de 25 hidroxivitamina D 0202010767 = R$ 15,24; dosagem de paratormônio 0202060276 = R$ 43,13; densitometria óssea duo-energética 0204060028 = R$ 55,10. Demonstração por enumeração: as únicas cinco entradas contendo "fosfatase" são as dosagens de fosfatase ácida total (0202010414), fosfatase alcalina (0202010422), fração prostática da fosfatase ácida (0202010449), fosfatase alcalina no esperma (0202090094) e fosfatase ácida no esperma (0202090221); o termo "isoenzimas" ocorre uma única vez nas 5.023 linhas da tabela, no procedimento dosagem de desidrogenase lática (isoenzimas fracionadas) (0202010376) — não existe fracionamento de isoenzimas da fosfatase alcalina no SUS. sigtap.datasus.gov.br 2 3 4

  7. Vieira LHR, Peixoto KC, Farias MLF, et al. Active search of adult patients with persistently low serum alkaline phosphatase levels for the diagnosis of hypophosphatasia. Arch Endocrinol Metab, 2021 — revista oficial da SBEM. Varredura de 289.247 dosagens de FA em adultos de dois hospitais terciários do Rio de Janeiro (2015-2019): 1.049 pacientes com FA abaixo de 40 U/L, 410 com hipofosfatasemia confirmada em ao menos dois exames, 398 excluídos por causas secundárias, 12 remanescentes — nenhum com história ou manifestações compatíveis com hipofosfatasia. "A hipofosfatasemia persistente — que é uma anormalidade laboratorial, não uma doença." PubMed · DOI 2 3

  8. Marini F, Palmini G, Donati S, Giusti F, Brandi ML. The Importance of Biochemical Screenings in the Diagnosis of Hypophosphatasia: Applications, Methodologies, and Challenges. Int J Mol Sci, 2026. Fonte internacional. A atividade reduzida da fosfatase alcalina tecido-inespecífica (TNSALP) é a marca molecular da hipofosfatasia; a detecção repetida de valores baixos é obrigatória mas não suficiente; a confirmação bioquímica exige o aumento do piridoxal 5'-fosfato (PLP, forma ativa da vitamina B6), que é substrato natural da enzima — daí a relação inversa. PubMed · DOI 2 3 4

  9. Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML)Recomendações da SBPC/ML: boas práticas em laboratório clínico. Barueri: Manole. Seção "Jejum" ("Um exemplo significativo deste efeito é a elevação fisiológica da enzima fosfatase alcalina, especialmente a isoenzima intestinal, no período pós-prandial imediato" e "Devem ser evitadas coletas de sangue após períodos muito prolongados de jejum, acima de 12 horas"); seção "Intervalos de referência" (critérios de idade, gênero, etnia, estado nutricional e demais); seção de hemólise (soro hemolisado eleva a atividade da FA) e Tabela 1 de interferências (hemólise ≥ 200 mg/dL de hemoglobina, lipemia ≥ 2.000 mg/dL de triglicérides, icterícia ≥ 60 mg/dL de bilirrubinas). Verificação feita no texto integral do PDF (16.055.655 bytes): o manual não imprime nenhum intervalo numérico de referência para a fosfatase alcalina. PDF 2 3 4 5 6

  10. Sikaris KA, Rankin K. Interpreting alkaline phosphatase in clinical practice: integrating analytical advances and physiological context. Pathology, 2026. Fonte internacional. O método de referência IFCC, hoje amplamente implantado, devolve resultados cerca de 10% mais altos que os ensaios anteriores; o uso da gama-glutamil transferase como adjunto diagnóstico aumenta a especificidade para as origens hepáticas de uma elevação da FA; influência da idade, do sexo, da gravidez, da menopausa e do grupo sanguíneo ABO. PubMed · DOI 2 3 4

  11. Joseph J, Hashim IA. Patient-derived reference intervals for alkaline phosphatase to support appropriate utility for isoenzymes determinations and hypophosphatasia. Lab Med, 2024. Fonte internacional, usada apenas para o intervalo do adulto (55-140 U/L em homens e 60-147 U/L em mulheres acima de 18 anos), faixa que o estudo brasileiro do CALIPER não cobre. Aplicar intervalos corretos por idade e sexo eliminaria 24,5% dos pedidos de fracionamento em isoenzimas. PubMed · DOI

  12. Observação de mercadoGold Analisa Diagnóstica, fabricante brasileiro de reagentes, tabela Valores de Referência Pediátricos: "Fosfatase Alcalina, cinético-colorimétrico (cat. 440), crianças até 16 anos a 37 °C: 75 a 390 U/L"; "Fosfatase Alcalina, Roy modificado (cat. 340), crianças até 12 anos: 56 a 156 U/L". Citado apenas para demonstrar a dependência do método. PDF 2

  13. Observação de mercadoLaboratório Sabin, comunicado Tabela de Exames | Migração do Sistema Analítico — Novos Valores de Referência (V.01, 05/02/2025). Para a fosfatase alcalina, valor de referência anterior "crianças 54 a 369 U/L / adultos 46 a 116 U/L" e atual "mulheres 39 a 308 U/L / homens 26 a 192 U/L", com a mudança atribuída à migração para o equipamento Cobas C702 (Roche). Fonte comercial, citada apenas como prática de mercado; a coluna "atual" não traz qualificador de idade. PDF 2

  14. Ministério da Saúde / CONITECProtocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Raquitismo e da Osteomalácia, anexo da Portaria Conjunta nº 2, de 11 de janeiro de 2022. "Há escassez de dados epidemiológicos no Brasil sobre o raquitismo e a osteomalácia"; heterogeneidade dos estudos brasileiros de hipovitaminose D; consenso SBEM/SBPC de ponto de corte de 20 ng/mL de suficiência para jovens saudáveis. Quadro 2 (padrão laboratorial): fosfatase alcalina elevada na deficiência de vitamina D e nas formas dependentes de vitamina D, e baixa na hipofosfatasia ("deficiência da enzima fosfatase alcalina"). Monitoramento: "a normalização da fosfatase alcalina é mais lenta, podendo levar até 6 a 12 meses". gov.br/conitec 2 3

  15. Ministério da Saúde / CONITECProtocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Doença de Paget Óssea, anexo da Portaria Conjunta nº 2, de 17 de janeiro de 2020. Doença "frequentemente descoberta por achados incidentais, como aumento da fosfatase alcalina em pacientes sem doença hepatobiliar ou outras doenças ósseas"; critério de inclusão "fosfatase alcalina no soro acima do valor de referência"; monitoramento: "a dosagem de fosfatase alcalina deve ser dosada a cada 3 a 6 meses". Epidemiologia: "no Brasil, um estudo realizado em Recife observou uma prevalência em adultos maiores de 45 anos de 0,68%". A limitação citada é do Relatório de Recomendação CONITEC nº 498 (dez/2019): "o estudo foi realizado em um centro especializado de tratamento, logo pode não refletir a real prevalência da Doença de Paget na população brasileira". ⚠️ Divergência registrada: o PCDT imprime a incidência do estudo de Recife como "50,3 por 1.000 pessoas/ano", ao passo que o artigo original informa 50,3 por 10.000 pessoas-ano; adotamos a cifra do artigo primário. gov.br/saude 2 3

  16. Reis RL, Poncell MF, Diniz ET, Bandeira F. Epidemiology of Paget's disease of bone in the city of Recife, Brazil. Rheumatol Int, 2012 (Divisão de Endocrinologia, Hospital Estadual Agamenon Magalhães, Universidade de Pernambuco). Prevalência de período de 6,8 por 1.000 (0,68%) e densidade de incidência de 50,3 por 10.000 pessoas-ano entre 7.752 pacientes de 45 anos ou mais atendidos no Centro de Osteoporose de Pernambuco (2006-2009); primeiro estudo epidemiológico da doença na América do Sul. PubMed · DOI

  17. ENANI-2019 — Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil, UFRJ, Relatório 3: Biomarcadores do Estado de Micronutrientes, 25/10/2023. Estudo de base populacional; 8.829 crianças de 6 a 59 meses com coleta de sangue. "A prevalência de insuficiência de vitamina D foi de 4,3% no Brasil e maior entre crianças de 24 a 59 meses de idade (5,3%)", com insuficiência definida por 25(OH)D < 50 nmol/l e deficiência < 30 nmol/l. ⚠️ O detalhamento por região que circula em buscadores não foi encontrado em página aberta e por isso não é citado aqui. enani.nutricao.ufrj.br

Aviso médico. Este guia tem finalidade informativa e educativa; não constitui aconselhamento médico e não substitui uma consulta. Os valores de referência variam conforme o laboratório e a técnica: só o seu médico pode interpretar os seus resultados no seu contexto.