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Ferritina: reservas de ferro, valores e interferências

O que a ferritina mede, os cortes da ABHH, e por que a inflamação a eleva e pode esconder uma falta de ferro real — com os valores do Ministério.

Publicado em 5 de setembro de 202612 min de leituraEscrito pela Equipe Blood Analysis · Revisado e verificado por Julien Priour

A ferritina é a proteína que armazena o ferro, e sua dosagem é o melhor retrato do seu estoque de ferro — bem melhor que a linha "ferro" do laudo. É o exame central da cinética do ferro e se altera antes de a hemoglobina cair. Mas tem uma armadilha: é também uma proteína de fase aguda. Inflamação, infecção, doença do fígado, obesidade ou álcool a elevam — e podem esconder uma falta de ferro real.

Em resumo

  • Para a ABHH, a ferritina é "o teste mais específico e que melhor reflete o estoque corporal de ferro".1
  • No laudo brasileiro ela vem em ng/mL, número idêntico aos µg/L dos documentos oficiais.23
  • Ferritina baixa: a ABHH registra < 15 mcg/L como confirmatória e < 30 mcg/L como o corte mais usado (sensibilidade 92%, especificidade 98%).1
  • ⚠️ O corte SOBE quando há inflamação: < 100 mcg/L em doença inflamatória crônica, em idosos e no pós-operatório; entre 100 e 300 mcg/L, exige saturação da transferrina < 20%.1
  • Por isso o algoritmo da ABHH tem um nó explícito: "presença de inflamação / PCR↑?".1
  • Ferritina alta: o Ministério da Saúde considera normal < 300 µg/L em homens e < 200 µg/L em mulheres, com duas dosagens antes de concluir.2 Sem pânico: uma elevação moderada quase sempre é inflamação, fígado, álcool ou síndrome metabólica.4
  • No SUS ela custa R$ 15,59 — quase quatro vezes o hemograma completo.5

O que é a ferritina

O ferro é indispensável — carrega o oxigênio dentro da hemoglobina e faz funcionar dezenas de enzimas — mas, solto, seria tóxico. O corpo o guarda dentro de uma proteína oca, a ferritina, sobretudo no fígado, no baço e na medula óssea. Uma fração pequena circula em equilíbrio com esse depósito: dosá-la equivale a olhar o nível do tanque.

O Ministério da Saúde resume a divisão de trabalho: "a dosagem da ferritina sérica avalia o ferro em armazenamento, enquanto as dosagens de ferro sérico e o percentual de saturação de transferrina refletem o suprimento de ferro aos tecidos".2 São perguntas diferentes — veja o ferro sérico, a transferrina e a saturação da transferrina.

Por que dosar a ferritina

Seu médico o pede para investigar cansaço, palidez, queda de cabelo e pernas inquietas; para confirmar uma anemia ferropriva, ao lado do VCM, do hematócrito, das hemácias e dos reticulócitos; para vigiar risco (menstruação abundante, gestação, cirurgia bariátrica, doença celíaca, doação frequente); e para esclarecer uma ferritina alta achada por acaso.

A ABHH ainda o torna obrigatório em protocolo: todo serviço deve incluir "no mínimo, hemograma e estudo do ferro (ferritina e saturação da transferrina)" antes de cirurgias com perda estimada acima de 500 mL.1

A armadilha central: ferritina é proteína de fase aguda

É o fato mais útil desta página. A ferritina sobe com a inflamação, sem que haja mais ferro disponível: um valor "normal" não afasta falta de ferro em quem tem infecção, doença autoimune, doença renal crônica, obesidade, fígado gorduroso ou consumo importante de álcool. O Brasil resolve isso de duas maneiras — vale mostrar as duas lado a lado.

A ABHH eleva o corte. Diante de inflamação crônica, o limiar sobe de 30 para < 100 mcg/L (também em idosos e no pós-operatório). Na faixa 100–300 mcg/L com inflamação, a ferritina isolada não decide: só fecha o diagnóstico com saturação da transferrina < 20%.1

O ENANI-2019 mede a PCR junto. O inquérito nacional de nutrição infantil da UFRJ colheu sangue de 8.829 crianças de 6 a 59 meses e dosou a proteína C reativa expressamente "para viabilizar a utilização dos pontos de corte referentes às concentrações séricas de ferritina". A definição publicada é dupla: anemia ferropriva = hemoglobina < 11 g/dL e ferritina < 12 µg/L se PCR ≤ 5 mg/L, ou < 30 µg/L se PCR > 5 mg/L.3

Ou seja: o mesmo 20 µg/L é normal numa criança sem inflamação e deficiente numa criança com PCR alta. No SUS a PCR custa R$ 2,83.5

Valores de referência: o que está publicado no Brasil

⚠️ Não existe um único valor nacional. A Pesquisa Nacional de Saúde, que deu as referências brasileiras de hemograma, não dosou ferritina: sua lista de exames vai da hemoglobina glicada ao hemograma e à creatinina, sem ferro.6 E as Recomendações da SBPC/ML não fixam cortes de ferritina: o termo aparece duas vezes no documento, em listas de ensaios, contra 121 de "hemoglobina".7 Os números abaixo vêm das fontes brasileiras que os publicam.

SituaçãoFerritinaFonte
Deficiência de ferro confirmada< 15 mcg/LABHH1
Deficiência de ferro — corte mais usado< 30 mcg/LABHH1
Deficiência com inflamação crônica, idosos, pós-operatório< 100 mcg/LABHH1
Zona cinzenta com inflamação → exige ST < 20%100–300 mcg/LABHH1
Anemia ferropriva em crianças, PCR ≤ 5 mg/L< 12 µg/LENANI-20193
Anemia ferropriva em crianças, PCR > 5 mg/L< 30 µg/LENANI-20193
Limite superior do normal — homens< 300 µg/LMinistério da Saúde2
Limite superior do normal — mulheres< 200 µg/LMinistério da Saúde2

Nas crianças de 6 a 59 meses, o ENANI-2019 mediu mediana de 23,5 µg/L, com um quarto delas abaixo de 15,3 µg/L.3 O conversor de unidades aqui é dispensável: ng/mL e µg/L são o mesmo número.

Ferritina baixa

Esta seção resume o essencial. O detalhe — causas por frequência, o que deve fazer procurar um médico e o que o resultado não significa — está em ferritina baixa.

Uma ferritina baixa significa estoque esgotado, e é quase específica: nada além da falta de ferro a derruba. Ela cai antes da hemoglobina — dá para ter falta de ferro sem anemia, com hemograma normal e cansaço real. É o quadro mais subdiagnosticado.

As causas são quatro: perdas (menstruação abundante, sangramento digestivo, doações), má absorção (doença celíaca, cirurgia bariátrica, inibidores de bomba), necessidade aumentada (crescimento, gestação) e ingestão baixa. Os sintomas vão de cansaço a pernas inquietas e pica — a vontade de comer gelo ou terra.8

No Brasil isso é alvo de política pública: a ANVISA mantém o enriquecimento obrigatório das farinhas de trigo e de milho com ferro e ácido fólico (RDC nº 604/2022), e o Programa Nacional de Suplementação de Ferro dá sulfato ferroso preventivo a crianças de 6 a 24 meses e às gestantes.910 Ainda assim, o ENANI-2019 encontrou 3,5% de anemia ferropriva entre 6 e 59 meses — 6,5% no Norte e 7,9% entre 6 e 23 meses.3

Um dado pouco citado: entre 204 candidatos a doador de sangue com microcitose avaliados na UFTM, em Uberaba, 40,2% tinham deficiência de ferro — e parte dos demais tinha alfatalassemia, que imita a falta de ferro no VCM.11

Ferritina alta

Mesma lógica: o essencial aqui, o detalhe em ferritina alta.

Aqui é preciso separar elevação moderada de sobrecarga de ferro: são situações diferentes.

Elevação moderada. As causas mais comuns não têm nada de ferro em excesso: inflamação e infecção, doença hepática, álcool, síndrome metabólica e fígado gorduroso, hemólise, renovação celular rápida. O Ministério da Saúde lista exatamente isso e acrescenta que na doença falciforme o processo inflamatório crônico já eleva a ferritina, sem transfusão.2 Por isso a diretriz brasileira sobre doença hepática esteatótica manda pedir ferritina e saturação da transferrina juntas para afastar hemocromatose.4

Sobrecarga de ferro. É o terreno do PCDT de Sobrecarga de Ferro, aprovado pela Portaria Conjunta SAES/SCTIE nº 38, de 21 de janeiro de 2026, que fixa o critério de tratamento: transfusões regulares (10 a 20 procedimentos) mais ferritina acima de 1.000 µg/L, ou biópsia hepática, ou ressonância T2*.2 É o cenário das talassemias e da doença falciforme transfundidas. Acima de 2.500 µg/L, o protocolo associa o valor a mais eventos cardíacos e mortalidade precoce.2

Quem detecta sobrecarga não é a ferritina. O protocolo é explícito: a saturação da transferrina "é mais sensível que a ferritina sérica na triagem para hemocromatose hereditária", com corte de 45%; acima de 45% em mulheres ou 50% em homens, cabe pesquisar a mutação do gene HFE.2

E o câncer? A pergunta merece resposta honesta. Existe um estudo hospitalar coreano com 2.044 pacientes internados com ferritina ≥ 500 ng/mL em que as neoplasias sólidas foram a categoria mais frequente (37,1%), à frente das infecções (23,4%) e das doenças do sangue (14,9%).12 O número é real — e não se transporta para você. É um viés de taxa de base: ali a ferritina foi dosada porque o paciente já estava doente. Numa elevação moderada, em quem se sente bem, a ferritina não é exame de rastreamento de câncer. Ela pede uma explicação, não um susto.

Existe ainda a hiperferritinemia hereditária sem sobrecarga: o PCDT cita a perda de função da ferroportina, em que a ferritina sobe sem saturação proporcionalmente elevada.2 Já a síndrome hiperferritinemia-catarata (gene FTL) não aparece em nenhum documento oficial brasileiro que localizamos — só na literatura internacional, citada aqui como complemento declarado.13

A ferritina no SUS

ProcedimentoCódigo SIGTAPValor
Dosagem de ferritina0202010384R$ 15,59
Dosagem de ferro sérico0202010392R$ 3,51
Dosagem de transferrina0202010660R$ 4,12
Capacidade de fixação do ferro0202010023R$ 2,01
Proteína C reativa0202030202R$ 2,83
Hemograma completo0202020380R$ 4,11

Competência 08/2026.5 Dois detalhes: a ferritina é a mais cara da cinética do ferro, e a saturação da transferrina não tem código — é uma conta, não um exame. Sobre o setor privado, veja quanto custa um exame de sangue.

Fatores que influenciam o resultado

  • inflamação e infecção — elevam e podem mascarar falta de ferro;114
  • doença hepática, álcool, síndrome metabólica, hemólise, neoplasias;2
  • transfusões repetidas — dosagem a cada 3 meses em quem transfunde;2
  • jejum — o ferro sérico que compõe a saturação deve ser colhido em jejum;2
  • deficiência de vitamina C, reposição de ferro recente, método do laboratório.2

Quando procurar um médico

Converse com seu médico se a ferritina estiver fora do intervalo do seu laudo — sobretudo se estiver baixa com sintomas ou alta e persistente. Uma ferritina baixa leva à procura da causa da perda; uma alta é lida junto com a saturação da transferrina, as enzimas do fígado (TGP, gama GT), a função renal, a tireoide e o contexto inflamatório. Repor ferro sem confirmar a falta é má ideia: ferro em excesso não é inofensivo.

Avanços recentes

  • Os cortes de 15 e 12 µg/L podem estar baixos demais. Um estudo com 18.251 pessoas de 12 países calculou os limiares fisiológicos — o ponto em que a hemoglobina começa a cair — em 24,8 µg/L para mulheres e 22,1 µg/L para crianças, acima dos da OMS.15
  • A revisão Cochrane confirma a limitação central: proteína de fase aguda, a ferritina sobe na inflamação e na infecção.14
  • Ferro endovenoso no Brasil. Um ensaio de São Paulo com 30 adultos que não toleraram o ferro oral obteve, com derisomaltose férrica endovenosa, aumento de hemoglobina ≥ 2 g/dL em 81% na semana 8.16
  • Sobrecarga de ferro tem protocolo novo no SUS desde janeiro de 2026.2

Estes resultados dizem respeito ao diagnóstico e ao manejo; não substituem a avaliação do seu médico.

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A ferritina nunca se lê sozinha: seu sentido depende da PCR, da saturação de transferrina, do hemograma e do seu contexto.

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Perguntas frequentes

Qual é o valor normal de ferritina? Não há número único no Brasil. Para deficiência, a ABHH usa < 15 mcg/L (confirmatória) e < 30 mcg/L (mais usado), subindo a < 100 mcg/L com inflamação crônica. No limite superior, o Ministério da Saúde considera normal < 300 µg/L em homens e < 200 µg/L em mulheres. Vale o intervalo do seu laudo.

Ferritina baixa, o que significa? Que suas reservas de ferro acabaram. É o sinal mais precoce da falta de ferro e pode aparecer com hemograma normal. A investigação procura a causa.

Ferritina normal descarta falta de ferro? Nem sempre. Com inflamação, infecção, obesidade ou doença hepática, ela sobe e parece normal com o estoque vazio. Por isso o algoritmo da ABHH pergunta pela PCR e recorre à saturação da transferrina.

Ferritina alta é câncer? Quase sempre não. Uma elevação moderada costuma ser inflamação, fígado, álcool ou síndrome metabólica. O estudo que associa hiperferritinemia a neoplasias foi feito em pacientes internados com ferritina ≥ 500 ng/mL — população já doente, o que distorce as proporções.

Precisa de jejum para dosar ferritina? Nenhum documento oficial brasileiro consultado exige jejum para a ferritina. Mas o ferro sérico, que entra no cálculo da saturação, deve ser colhido em jejum — se os dois foram pedidos juntos, siga o laboratório.

Qual a diferença entre ferritina e ferro sérico? A ferritina mede o ferro guardado; o ferro sérico, o que circula naquele momento e varia muito ao longo do dia. Não se substituem.

Quanto custa a ferritina no SUS? Tem código próprio (0202010384) e é remunerada em R$ 15,59 na tabela SIGTAP de 08/2026 — a dosagem mais cara da cinética do ferro.

Ferritina alta precisa de sangria? Só na sobrecarga de ferro confirmada, definida em protocolo. Sangrar por uma ferritina alta de causa inflamatória arrisca provocar anemia por falta de ferro.

Para lembrar

A ferritina é o melhor espelho do seu estoque de ferro — e o exame mais fácil de ler errado. Três pontos. Ela é proteína de fase aguda: a inflamação a eleva e pode esconder uma falta de ferro real, o que faz o corte subir de 30 para 100 mcg/L, segundo a ABHH. Não existe um valor nacional único: a PNS não a dosou, e os números vêm da ABHH, do ENANI-2019 e do Ministério da Saúde. E quem detecta sobrecarga é a saturação da transferrina, não a ferritina. Nenhum valor se lê sozinho: conta o conjunto dos seus marcadores e do seu contexto — o que o AI DiagMe oferece, como complemento ao seu médico. Os termos estão no glossário de exames de sangue.

Fontes

Fontes institucionais brasileiras e publicações científicas (PubMed) utilizadas neste guia:

Footnotes

  1. Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH)Consenso da ABHH sobre Patient Blood Management, 1ª edição, publicada em 26 de outubro de 2023. Seções consultadas: Quadro 1 do Apêndice (verbete "Ferritina": < 15 mcg/L confirmatória, < 30 mcg/L com sensibilidade 92% e especificidade 98%, < 100 mcg/L em condições inflamatórias crônicas, faixa 100–300 mcg/L com saturação da transferrina < 20%; verbete "Saturação da transferrina": < 16% habitual, < 20% com inflamação); Figura 1 (algoritmo pré-operatório, nó "Presença de inflamação/PCR↑?"); texto sobre a exigência de hemograma e estudo do ferro em cirurgias com risco de transfusão > 10% e/ou perda > 500 mL. PDF (abhh.com.br) 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11

  2. Ministério da Saúde (SAES/SCTIE) e ConitecProtocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas de Sobrecarga de Ferro, aprovado pela Portaria Conjunta SAES/SCTIE nº 38, de 21 de janeiro de 2026 (Relatório de Recomendação nº 1024 e Registro de Deliberação nº 1022/2025 da Conitec). Seções consultadas: diagnóstico laboratorial (ferritina < 300 µg/L em homens e < 200 µg/L em mulheres considerada normal, com recomendação de duas dosagens por ser proteína de fase aguda; níveis > 2.500 µg/L e mortalidade; dosagem seriada a cada 3 meses em transfundidos; ferritina levemente elevada na doença falciforme por inflamação crônica; saturação da transferrina mais sensível que a ferritina na triagem de hemocromatose hereditária, corte de 45%; ferro sérico colhido em jejum; mutação com perda de função da ferroportina); item 4, Critérios de inclusão (ferritina acima de 1.000 µg/L). PDF de 97 páginas. PDF (gov.br/saude) 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15

  3. Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI-2019), UFRJRelatório 3: Biomarcadores do Estado de Micronutrientes. Inquérito domiciliar nacional: dos 12.598 elegíveis, 8.829 crianças de 6 a 59 meses realizaram coleta de sangue. Seções consultadas: 3.3.3 Análises laboratoriais (a PCR foi dosada "para viabilizar a utilização dos pontos de corte referentes às concentrações séricas de ferritina"); Quadro 1 (anemia ferropriva: hemoglobina < 11 g/dL e ferritina < 12 µg/L se PCR ≤ 5 mg/L, ou < 30 µg/L se PCR > 5 mg/L); 4.1.2 Ferritina e Tabela 4 (mediana de 23,5 µg/L, percentil 25 em 15,3 µg/L); resumo (anemia 10,0% e anemia ferropriva 3,5% no Brasil; 17,0% e 6,5% na região Norte; 19,0% e 7,9% entre 6 e 23 meses). PDF (enani.nutricao.ufrj.br) 2 3 4 5 6

  4. Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH) e Abeso — Moreira RO, Valerio CM, Villela-Nogueira CA, Cercato C, Gerchman F, Lottenberg AMP, Godoy-Matos AF, et al. Brazilian evidence-based guideline for screening, diagnosis, treatment, and follow-up of metabolic dysfunction-associated steatotic liver disease (MASLD) in adult individuals with overweight or obesity. Archives of Endocrinology and Metabolism, 2023; 67(6): e230123. Seção consultada: Recomendação 6 e Tabela 3, que lista a hemocromatose entre as doenças a investigar diante de esteatose ou transaminases elevadas, com os exames "ferritina e saturação da transferrina". PDF (aem-sbem.com) · DOI 2

  5. Ministério da Saúde / DATASUSSIGTAP: Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS, competência 08/2026 (tabela tb_procedimento, 5.023 procedimentos). Valores lidos no campo VL_SA: dosagem de ferritina 0202010384 (R$ 15,59), ferro sérico 0202010392 (R$ 3,51), transferrina 0202010660 (R$ 4,12), capacidade de fixação do ferro 0202010023 (R$ 2,01), proteína C reativa 0202030202 (R$ 2,83), hemograma completo 0202020380 (R$ 4,11). Ausência verificada por varredura completa da tabela: nenhum procedimento de "saturação da transferrina" — o parâmetro é calculado, não dosado. Página oficial (DATASUS) 2 3

  6. Szwarcwald CL, Malta DC, Souza Júnior PRB, Almeida WS, Damacena GN, Pereira CA, Rosenfeld LG. Exames laboratoriais da Pesquisa Nacional de Saúde: metodologia de amostragem, coleta e análise dos dados. Revista Brasileira de Epidemiologia, 2019; 22 (Supl. 2): e190004.supl.2. Citado aqui para uma ausência: a lista de exames da PNS (hemoglobina glicada, colesterol total, LDL, HDL, sorologia para dengue, eritrograma e leucograma, HPLC para hemoglobinopatias e creatinina; potássio, sal, sódio e creatinina na urina) não inclui ferritina nem ferro — não há, portanto, referência nacional de ferritina em adultos vinda da PNS. DOI

  7. Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML)Recomendações da SBPC/ML: boas práticas em laboratório clínico. Citado aqui para uma ausência verificada: no documento integral, "ferritina" aparece duas vezes, ambas em listas de ensaios de plataformas analíticas, e nenhum ponto de corte de ferritina é recomendado — contra 121 ocorrências de "hemoglobina" no mesmo arquivo, usado como controle positivo da busca. PDF

  8. Auerbach M, DeLoughery TG, Tirnauer JS. Iron Deficiency in Adults: A Review. JAMA, 2025; 333(20): 1813-1823. Revisão de referência: a deficiência absoluta de ferro atinge cerca de 2 bilhões de pessoas; sintomas incluem síndrome das pernas inquietas (32%-40%) e pica (40%-50%); nos países de alta renda, cerca de 38% das mulheres em idade reprodutiva têm deficiência de ferro sem anemia. Fonte internacional, citada em complemento aos documentos brasileiros. PubMed · DOI

  9. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA)Monitoramento da Fortificação das Farinhas de Trigo e Milho com Ferro e Ácido Fólico; Resolução RDC nº 604/2022, que dispõe sobre o enriquecimento obrigatório das farinhas de trigo e de milho com ferro e ácido fólico. Página verificada em vigor (modificada em 11/02/2026). gov.br/anvisa

  10. Ministério da SaúdePrograma Nacional de Suplementação de Ferro (PNSF), instrutivo do Sistema de Micronutrientes: sulfato ferroso para crianças de 6 a 24 meses e ferro com ácido fólico para gestantes; descentralização pela Portaria nº 1.555, de 30 de julho de 2013. PDF (sisaps.saude.gov.br)

  11. Carlos AM, Souza BMB, Souza RAV, Resende GAD, Pereira GA, Moraes-Souza H. Causes of microcytic anaemia and evaluation of conventional laboratory parameters in the differentiation of erythrocytic microcytosis in blood donors candidates. Hematology, 2018; 23(9): 705-711. Estudo da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (Uberaba, MG): entre 204 amostras de candidatos a doador de sangue com microcitose, 82 (40,2%) apresentavam deficiência de ferro, determinada pela dosagem de ferritina sérica, e parte dos demais tinha alfatalassemia. PubMed · DOI

  12. Lee LE, Lee SW, Song JJ, Park YB, Jung SM. Unraveling the differential diagnosis of hyperferritinemia: insights from a retrospective study at a tertiary care hospital. Postgraduate Medical Journal, 2025; 101(1197): 612-619. Estudo retrospectivo em 2.044 pacientes internados no Severance Hospital (Seul) com ferritina ≥ 500 ng/mL: neoplasias sólidas 37,1%, infecções 23,4%, doenças hematológicas 14,9%. Citado com o seu resultado real e com a ressalva metodológica: por ser uma coorte hospitalar em que a ferritina foi dosada porque o paciente já estava doente, as proporções não se transportam para uma elevação moderada na população geral. Fonte internacional, citada em complemento. PubMed · DOI

  13. Piperno A, Pelucchi S, Mariani R. Hereditary Hyperferritinemia. International Journal of Molecular Sciences, 2023; 24(3): 2560. Descreve as formas hereditárias de hiperferritinemia sem sobrecarga de ferro — síndrome hiperferritinemia-catarata (mutações da região IRE do gene FTL), hiperferritinemia benigna e doença da ferroportina. Fonte internacional, citada em complemento por não existir documento oficial brasileiro sobre o tema. PubMed · DOI

  14. Garcia-Casal MN, Pasricha SR, Martinez RX, Lopez-Perez L, Peña-Rosas JP. Serum or plasma ferritin concentration as an index of iron deficiency and overload. Cochrane Database of Systematic Reviews, 2021; 5(5): CD011817. Fonte internacional, citada em complemento. PubMed · DOI 2

  15. Addo OY, Mei Z, Jefferds MED, Jenkins M, Flores-Ayala R, Williams AM, et al. Physiologically based serum ferritin thresholds for iron deficiency among women and children from Africa, Asia, Europe, and central America: a multinational comparative study. The Lancet Global Health, 2025; 13(5): e831-e842. 18.251 participantes (13.864 mulheres e 4.387 crianças) de 12 países; limiares de 24,8 µg/L (IC 95% 24,4-25,2) em mulheres e 22,1 µg/L (20,8-23,4) em crianças. Fonte internacional, citada em complemento. PubMed · DOI

  16. Leite LAC, Barros GDS, do Carmo TA, Cançado RD. Real-world use of intravenous ferric derisomaltose in Brazilian patients with iron deficiency anemia. Hematology, Transfusion and Cell Therapy, 2026; 48(3): 106501. Ensaio prospectivo aberto em centro único de São Paulo, 30 adultos com anemia ferropriva intolerantes ou não respondedores ao ferro oral; na semana 8, 81% tiveram aumento de hemoglobina ≥ 2 g/dL e 54% ≥ 3 g/dL; quatro eventos adversos leves (8%) e três casos (10%) de hipofosfatemia transitória assintomática. PubMed · DOI

Aviso médico. Este guia tem finalidade informativa e educativa; não constitui aconselhamento médico e não substitui uma consulta. Os valores de referência variam conforme o laboratório e a técnica: só o seu médico pode interpretar os seus resultados no seu contexto.