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Ferritina baixa: causas, o que fazer e quando investigar

Ferritina baixa esvazia as reservas antes de a hemoglobina cair: em São Paulo, 4,0% tinham reservas vazias sem anemia e só 1,1%, anemia ferropriva.

Atualizado em 6 de setembro de 202612 min de leituraEscrito pela Equipe Blood Analysis · Revisado e verificado por Julien Priour

Seu laudo traz a ferritina abaixo do limite inferior — ou um número que a você parece baixo — e o hemograma talvez esteja normal. É a situação mais comum e a mais mal entendida: ferritina baixa não quer dizer anemia, quer dizer que as reservas de ferro se esgotaram. E é quase específica: nada além da falta de ferro derruba esse exame. Aqui você encontra se o valor é mesmo anormal, o que causa isso por ordem de frequência real, quando procurar médico, o que ele vai pedir depois e quanto disso o SUS cobre. Para o exame em si, a ficha completa é ferritina; se o seu resultado estiver acima da faixa, veja ferritina alta.

Primeiro: isso é mesmo anormal?

Uma ferritina de 28 e uma de 4 mcg/L não contam a mesma história, mesmo que as duas venham marcadas. Compare com a faixa do SEU laudo: o intervalo depende do método, do sexo e da idade, e dois laboratórios podem discordar sobre o mesmo número.

Há uma boa notícia técnica: a ferritina é um exame robusto — não exige jejum, não sofre com o garrote e varia pouco ao longo do dia. Só duas coisas mudam a leitura: uma reposição de ferro recente e um quadro inflamatório — este, sempre para cima.

O corte não é um só: 15, 30 ou 100 mcg/L

O Consenso de Patient Blood Management da ABHH publica três degraus:1

CorteO que significa
< 15 mcg/LDeficiência de ferro confirmada
< 30 mcg/LO corte mais utilizado — sensibilidade 92%, especificidade 98%
< 100 mcg/LDeficiência em inflamação crônica, em idosos e no pós-operatório
100–300 mcg/LAinda pode ser deficiência: só fecha com saturação da transferrina < 20%

A revisão Cochrane feita com a OMS mediu o corte de 30 µg/L em adultos: especificidade 98%, sensibilidade 79% — abaixo de 30 quase nunca erra, mas acima de 30 não exclui a carência; os limiares propostos na literatura vão de 12 a 200 µg/L.2 E uma revisão de 2025 assinada por hematologistas da Santa Casa de São Paulo vai além: o corte de 15 ng/mL da OMS estaria baixo demais, e < 50 ng/mL seria o limiar mais correto em adultos.3 É proposta em discussão, não norma — mas explica por que tanta gente com sintomas fica "dentro da faixa".

⚠️ A armadilha inversa: uma ferritina "normal" pode esconder falta de ferro

Este é o ponto que quase ninguém escreve. A ferritina é uma proteína de fase aguda: a inflamação a eleva sem que haja mais ferro disponível.12 O Brasil corrige isso em dois documentos. A ABHH sobe o corte de 30 para 100 mcg/L na doença inflamatória crônica.1 Já o ENANI-2019, inquérito nacional da UFRJ, dosou a PCR em 8.829 crianças de 6 a 59 meses justamente "para viabilizar a utilização dos pontos de corte" da ferritina: a definição publicada é < 12 µg/L se PCR ≤ 5 mg/L, mas < 30 µg/L se PCR > 5 mg/L.4 O mesmo 20 µg/L é normal numa criança sem inflamação e deficiente numa criança com PCR alta.

Um estudo brasileiro mediu o efeito em adultos: em 1.340 pessoas avaliadas na Unifesp, o aumento do IMC, da resistência à insulina e da PCR ultrassensível elevou a ferritina independentemente do padrão alimentar; depois de excluir quem tinha inflamação, a deficiência real (ferritina < 30 ng/mL) não era maior em vegetarianos — exceto nas mulheres que menstruam.5 Duas conclusões de uma vez: a inflamação mascara, e o mito do vegetariano anêmico não se sustenta.

Falta de ferro sem anemia: o caso mais frequente

A carência se constrói por etapas: as reservas se esvaziam primeiro (a ferritina cai), a produção de hemácias se degrada depois, e a anemia só aparece no fim. Ferritina baixa com hemoglobina, VCM e hematócrito normais é um estágio precoce, não um falso positivo.

O tamanho disso no Brasil está medido. No inquérito populacional ISA-Capital, em São Paulo (898 pessoas de 12 a 93 anos), 4,0% tinham as reservas esgotadas sem anemia contra apenas 1,1% com anemia ferropriva — quase quatro vezes mais gente no estágio silencioso. As reservas vazias (ferritina < 15 µg/L) atingiam 5,1% do total, com a maior prevalência entre adolescentes e adultas do sexo feminino.6 E cerca de 38% das mulheres em idade reprodutiva nos países de alta renda têm deficiência de ferro sem anemia.7

Isso dá sintomas? Alguns, com boa evidência: pernas inquietas (32%–40% dos casos) e pica — a vontade de comer gelo ou terra (40%–50%) —, além de cansaço, irritabilidade e dificuldade de concentração.7

As causas, da mais frequente à mais rara

O corpo só perde ferro por sangramento e só ganha pelo intestino. A ABHH resume os quatro mecanismos: perdas crônicas, má absorção, demanda aumentada e baixa ingestão.1 Na prática, por frequência:

  1. Menstruação abundante — de longe a primeira causa na mulher em idade fértil. A ABHH cita a menorragia como perda crônica típica, e o dado brasileiro acompanha: são as adolescentes e as adultas do sexo feminino que concentram as reservas vazias em São Paulo.16
  2. Gestação e crescimento — a demanda dispara. Na coorte amazônica MINA-Brasil, 42,6% das mães tinham deficiência de ferro no parto; aos 12 meses, 38,4% dos bebês estavam deficientes.8
  3. Ingestão insuficiente — desnutrição, dietas restritivas, adolescência. Com a ressalva da Unifesp: dieta vegetariana, sozinha, não explica a deficiência quando se corrige a inflamação.51
  4. Má absorção — o ferro entra pelo duodeno, e doença celíaca, gastrite atrófica, cirurgia bariátrica, doença inflamatória intestinal e inibidores de bomba de prótons bloqueiam essa etapa.1 Uma meta-análise de 18 estudos com 2.998 pacientes com anemia ferropriva encontrou doença celíaca confirmada por biópsia em 1 a cada 31 (3,2%) — o que justifica a sorologia.9
  5. Sangramento digestivo — úlcera, gastrite, hemorroidas, angiodisplasias, pólipos e, mais raramente, câncer colorretal. Pode ser invisível: sem sangue vermelho, sem dor, sem mudança de hábito intestinal. É a causa que comanda a conduta abaixo.
  6. Doação de sangue frequente e, mais raramente, hemólise, sangramento urinário e doenças genéticas da absorção.

O Brasil fortifica a farinha — e a avaliação publicada é crítica

A ANVISA mantém o enriquecimento obrigatório das farinhas de trigo e de milho com ferro e ácido fólico (RDC nº 604/2022), e o Programa Nacional de Suplementação de Ferro dá sulfato ferroso preventivo a crianças de 6 a 24 meses e a gestantes.1011

Funciona? Em parte. Uma meta-análise de 94 ensaios mostra que a farinha fortificada eleva a ferritina média em 8,5 µg/L;12 em São Paulo, o principal alimento contribuinte de ferro da dieta foi justamente a farinha de trigo.6 Mas a avaliação feita com dados brasileiros é dura: em 34.003 pessoas, o impacto sobre a ingestão foi pequeno, a quantidade de farinha consumida no país não justifica as faixas atuais, e a forma usada — ferro eletrolítico — é mal absorvida.13 A política é ampla, e não substitui investigar a sua ferritina baixa.

O que deve levar você ao médico sem demora

Ferritina baixa isolada não é urgência. Estas situações merecem consulta rápida:

  • Sangue nas fezes, fezes pretas (melena) ou vômito com sangue.
  • Emagrecimento sem explicação, mudança duradoura do hábito intestinal, dor abdominal persistente.
  • Falta de ar ao mínimo esforço, dor no peito, palpitações ou desmaio — sinais de anemia instalada.
  • Palidez acentuada com cansaço que piorou rápido.
  • Você é homem, ou mulher após a menopausa. Não é motivo de pânico: é motivo de investigar, porque sem perda menstrual a causa precisa ser encontrada.

O que seu médico vai fazer em seguida

A ABHH é explícita: confirmada a ferropenia, duas medidas correm em paralelo — identificar o possível sangramento e escolher a reposição.1 Na prática:

1. Completar o quadro. Hemograma completo (há anemia? as hemácias estão microcíticas?), PCR (a inflamação atrapalha a leitura?) e, conforme o caso, o restante da cinética do ferro: ferro sérico, transferrina, capacidade de ligação do ferro e a saturação da transferrina, que decide na zona cinzenta.1 Os reticulócitos mostram se a medula respondeu.

2. Procurar a causa. Perguntas sobre menstruação, alimentação, medicamentos (anti-inflamatórios, anticoagulantes) e doações, mais a sorologia de doença celíaca.91

3. Investigar o tubo digestivo — em quem, exatamente. A diretriz da British Society of Gastroenterology registra que cerca de um terço dos homens e das mulheres na pós-menopausa com anemia ferropriva tem uma lesão de base, quase sempre digestiva, e indica endoscopia bidirecional. ⚠️ Repare na palavra anemia: a mesma diretriz diz que, na deficiência de ferro sem anemia, a evidência é insuficiente para investigação invasiva salvo indicação adicional — basta acompanhar o hemograma.14 Numa mulher que menstrua muito também não se endoscopa de saída: trata-se, e investiga-se se recidivar ou não responder.

4. Tratar. A ABHH descreve a tendência atual: doses menores de ferro elementar (60–120 mg) em tomada única diária e em dias alternados, o que melhora a fração absorvida e reduz efeitos colaterais, no lugar dos clássicos 100–200 mg/dia divididos. O sulfato ferroso tem 20% de ferro elementar (drágea de 200 mg = 40 mg), e o intestino absorve no máximo 25–30 mg por dia.1 Dose e duração são decisão do seu médico.

Quanto custa esse caminho no SUS

ProcedimentoCódigo SIGTAPValor
Dosagem de ferritina0202010384R$ 15,59
Dosagem de proteína C reativa0202030202R$ 2,83
Hemograma completo0202020380R$ 4,11
Pesquisa de sangue oculto nas fezes0202040143R$ 1,65
Anticorpos antitransglutaminase IgA (celíaca)0202031187R$ 18,55
Esofagogastroduodenoscopia0209010037R$ 48,16
Colonoscopia0209010029R$ 112,66

Competência 08/2026.15 Um detalhe que surpreende: a pesquisa de sangue oculto custa menos de dois reais, quase dez vezes menos que a ferritina que trouxe você até aqui. No setor privado, veja quanto custa um exame de sangue.

O que esse resultado NÃO quer dizer

  • Não quer dizer que você tem anemia. São coisas distintas, e no Brasil a fase sem anemia é bem mais comum: 4,0% contra 1,1% em São Paulo.6
  • Não é um marcador de câncer. Olhar o tubo digestivo em certas pessoas não é o mesmo que suspeitar de tumor — e, mesmo com anemia, dois terços dos homens e mulheres pós-menopausa investigados não têm lesão.14
  • Não quer dizer que sua alimentação é ruim. Numa mulher que menstrua, a perda pesa mais que o prato; e a dieta vegetariana, sozinha, não explicou a deficiência no estudo brasileiro.5
  • Não significa que todo o seu cansaço vem daí. A falta de ferro é uma causa frequente, não a única.
  • Não é motivo para se automedicar. Ferro por conta própria mascara a causa e altera a próxima dosagem.
  • E o inverso vale: uma ferritina "normal" não é sinal verde se a sua PCR estiver alta.14

Precisa repetir o exame, e quando?

Antes de tratar, repetir logo não acrescenta nada — a ferritina não "salta" de uma coleta para a outra. A exceção é ter colhido durante ou logo após uma infecção: aí um controle a distância dá a imagem fiel.

Durante o tratamento, a cinética é em dois tempos, e entender isso evita sustos. A diretriz britânica recomenda acompanhar a hemoglobina nas primeiras 4 semanas e manter o ferro por cerca de 3 meses depois de ela normalizar, para reabastecer os estoques da medula.14 A ferritina, que mede justamente esses estoques, é a última a subir: com absorção limitada a 25–30 mg por dia, encher o tanque leva meses.1

Se ela não sobe apesar do tratamento bem tomado, restam duas hipóteses: o ferro não é absorvido, ou a perda continua.

Faça o AI DiagMe interpretar sua ferritina

Uma ferritina baixa nunca se lê sozinha: seu sentido depende da PCR, da saturação da transferrina, do hemograma, do fígado e do seu contexto.

👉 O AI DiagMe interpreta seus exames — de sangue, urina ou fezes — considerando todo o seu contexto, em linguagem clara. Serviço informativo que não faz diagnóstico e complementa, sem substituir, a avaliação do seu médico.

Perguntas frequentes

A partir de quanto a ferritina é considerada baixa? Não há número único. A ABHH usa < 15 mcg/L como confirmatória e < 30 mcg/L como o corte mais utilizado (sensibilidade 92%, especificidade 98%), subindo a < 100 mcg/L quando há inflamação crônica. Vale primeiro a faixa do seu laudo.1

Ferritina baixa com hemograma normal é grave? Não é urgência, mas não é nada: suas reservas acabaram, num estágio precoce. É o quadro mais comum — em São Paulo, 4,0% tinham reservas vazias sem anemia.6

Ferritina baixa causa queda de cabelo? É a associação mais repetida e a menos demonstrada. Os sintomas com boa evidência na deficiência sem anemia são as pernas inquietas e a pica; para o cabelo, os dados não sustentam a promessa.7

Dá para ter falta de ferro com ferritina normal? Sim, quando há inflamação, infecção, obesidade ou doença hepática. Nesse caso, olha-se a saturação da transferrina (< 20%) junto com a ferritina.15

Quanto tempo demora para a ferritina normalizar? Meses. A hemoglobina responde em cerca de 4 semanas e o tratamento costuma seguir por mais 3 meses depois disso; as reservas são as últimas a encher, porque o intestino absorve no máximo 25–30 mg de ferro elementar por dia.141

Ferritina baixa em homem é sinal de câncer? Quase sempre não — mas exige explicação. Em homens e mulheres na pós-menopausa com anemia ferropriva, cerca de um terço tem lesão digestiva de base, benigna na maioria; sem anemia, a investigação invasiva não é rotina.14

Para lembrar

Ferritina baixa significa reserva vazia, não anemia. Três pontos. O corte não é um só: 15, 30 ou 100 mcg/L conforme haja inflamação, na ABHH, e 12 ou 30 µg/L conforme a PCR, no ENANI-2019. A fase sem anemia é a mais comum: 4,0% contra 1,1% no inquérito de São Paulo. E o número não é o diagnóstico: numa mulher em idade fértil, a primeira pergunta é a menstruação; num homem ou numa mulher após a menopausa, é o tubo digestivo. Nenhum valor se lê sozinho: conta o conjunto dos seus marcadores e do seu contexto — o que o AI DiagMe oferece, como complemento ao seu médico. Os termos estão no glossário de exames de sangue.

Fontes

Fontes institucionais brasileiras e publicações científicas (PubMed) utilizadas neste guia:

Footnotes

  1. Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH)Consenso da ABHH sobre Patient Blood Management, 1ª edição, publicada em 26 de outubro de 2023. Seções consultadas: Quadro 1 do Apêndice, verbete "Ferritina" (< 15 mcg/L confirmatória; < 30 mcg/L com sensibilidade 92% e especificidade 98%, "sendo mais utilizado"; < 100 mcg/L aceito em condições inflamatórias crônicas, idosos e pós-operatório; faixa 100–300 mcg/L exigindo saturação da transferrina < 20%) e verbete "Saturação da transferrina" (< 16% habitual, < 20% na presença de inflamação); "Manejo da anemia no pré-operatório" (mecanismos da deficiência de ferro: demanda fisiológica aumentada, baixa ingesta, má absorção incluindo doença celíaca, e perdas crônicas como menorragia e úlcera gástrica); Figura 1 (algoritmo, nós "Presença de inflamação/PCR↑?" e "Investigar causa da DF se não estiver explícita"); "Tratamento da deficiência de ferro" (as duas medidas em paralelo — identificar o sangramento e escolher a reposição; absorção máxima de 25–30 mg de ferro elementar/dia; tendência a 60–120 mg de ferro elementar em tomada única e em dias alternados no lugar de 100–200 mg/dia divididos) e Tabela 1 (sulfato ferroso com 20% de ferro elementar; drágea de 200 mg = 40 mg de ferro elementar). PDF (abhh.com.br) 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16

  2. Garcia-Casal MN, Pasricha SR, Martinez RX, Lopez-Perez L, Peña-Rosas JP. Serum or plasma ferritin concentration as an index of iron deficiency and overload. Cochrane Database of Systematic Reviews, 2021; 5(5): CD011817. Em adultos que procuraram atendimento médico, o corte fixo de 30 µg/L (nove estudos, 512 participantes) teve sensibilidade 79% (IC 95% 58–91) e especificidade 98% (IC 95% 91–100); os limiares propostos pelos estudos incluídos variaram de 12 a 200 µg/L. A revisão confirma que a ferritina é uma proteína de fase aguda, elevada na inflamação e na infecção. Fonte internacional, citada em complemento. PubMed · DOI 2

  3. Cancado RD, Leite LAC, Muñoz M. Defining Global Thresholds for Serum Ferritin: A Challenging Mission in Establishing the Iron Deficiency Diagnosis in This Era of Striving for Health Equity. Diagnostics (Basel), 2025; 15(3): 289. Revisão assinada por hematologistas da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo: sustenta que o limiar de ferritina sérica de < 15 ng/mL proposto pela OMS é baixo demais e que a correlação entre ferritina, hepcidina e a regulação fisiológica da absorção de ferro aponta < 50 ng/mL como limiar mais preciso para o diagnóstico de deficiência de ferro em adultos. Citada como proposta em discussão, não como norma vigente. PubMed · DOI

  4. Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI-2019), UFRJRelatório 3: Biomarcadores do Estado de Micronutrientes. Inquérito domiciliar nacional; das 12.598 crianças elegíveis de 6 a 59 meses, 8.829 realizaram coleta de sangue. Seções consultadas: 3.3.3 Análises laboratoriais (a PCR foi dosada "para viabilizar a utilização dos pontos de corte referentes às concentrações séricas de ferritina"); definição de anemia ferropriva (hemoglobina < 11 g/dL e ferritina < 12 µg/L se PCR ≤ 5 mg/L, ou < 30 µg/L se PCR > 5 mg/L); 4.1.2 Ferritina e Tabela 4 (mediana 23,5 µg/L, IC 95% 22,5–24,4; primeiro quartil 15,3 µg/L). Ausência verificada no documento integral: o relatório publica prevalências de anemia (10,0%) e de anemia ferropriva (3,5%), mas nenhuma prevalência de deficiência de ferro isolada — a expressão "deficiência de ferro" não ocorre uma única vez no relatório, contra 77 ocorrências de "deficiência de vitamina" e 34 de "deficiência de zinco", usadas como controle positivo da busca (busca com dobra de acentos, validada sobre "proteína C reativa"). PDF (enani.nutricao.ufrj.br) 2

  5. Slywitch E, Savalli C, Duarte ACG, Escrivão MAMS. Iron Deficiency in Vegetarian and Omnivorous Individuals: Analysis of 1340 Individuals. Nutrients, 2021; 13(9): 2964. Estudo da Escola Paulista de Medicina (Unifesp) com 1.340 pessoas (422 homens, 225 mulheres não menstruantes e 693 mulheres que menstruam): o aumento do IMC, do HOMA-IR e da PCR ultrassensível elevou a ferritina independentemente do padrão alimentar; após exclusão dos indivíduos com inflamação, a deficiência real de ferro (ferritina < 30 ng/mL) não foi maior entre vegetarianos, exceto nas mulheres com ciclos menstruais regulares. PubMed · DOI 2 3 4

  6. Sales CH, Rogero MM, Sarti FM, Fisberg RM. Prevalence and Factors Associated with Iron Deficiency and Anemia among Residents of Urban Areas of São Paulo, Brazil. Nutrients, 2021; 13(6): 1888. Inquérito populacional ISA-Capital/ISA-Nutrição, 898 residentes de 12 a 93 anos: anemia 6,7%; reservas de ferro esgotadas 5,1% (definidas como ferritina sérica < 15 µg/L); anemia ferropriva 1,1%; 4,0% com reservas esgotadas sem anemia; maior prevalência de reservas esgotadas em adolescentes e adultas do sexo feminino; a farinha de trigo foi o principal alimento contribuinte da ingestão de ferro, à frente da carne vermelha e do feijão. PubMed · DOI 2 3 4 5

  7. Auerbach M, DeLoughery TG, Tirnauer JS. Iron Deficiency in Adults: A Review. JAMA, 2025; 333(20): 1813-1823. Revisão de referência: a deficiência absoluta de ferro progride das reservas baixas até a anemia ferropriva; sintomas incluem síndrome das pernas inquietas (32%–40%) e pica (40%–50%), além de cansaço, irritabilidade e dificuldade de concentração; nos países de alta renda, cerca de 38% das mulheres em idade reprodutiva não gestantes têm deficiência de ferro sem anemia; o diagnóstico se faz por ferritina baixa (tipicamente < 30 ng/mL) na ausência de inflamação, ou por saturação da transferrina < 20%. Fonte internacional, citada em complemento. PubMed · DOI 2 3

  8. Cardoso MA, Lourenço BH, Matijasevich A, Castro MC, Ferreira MU. Prevalence and correlates of childhood anemia in the MINA-Brazil birth cohort study. Revista de Saúde Pública, 2024; 57(Supl. 2): 6s. Coorte de nascimentos de base populacional na Amazônia brasileira, com dosagem de ferritina, receptor solúvel de transferrina e PCR: no parto (n = 462), anemia materna 17,3%, deficiência de ferro 42,6% (IC 95% 38,0–47,2) e anemia ferropriva 8,7%; aos 12 meses (n = 646), 42,2% de anemia e 38,4% de deficiência de ferro. PubMed · DOI

  9. Mahadev S, Laszkowska M, Sundström J, Björkholm M, Lebwohl B, Green PHR, Ludvigsson JF. Prevalence of Celiac Disease in Patients With Iron Deficiency Anemia — A Systematic Review With Meta-analysis. Gastroenterology, 2018; 155(2): 374-382.e1. Dezoito estudos com 2.998 pacientes com anemia ferropriva: prevalência agrupada de doença celíaca confirmada por biópsia de 3,2% (IC 95% 2,6–3,9), ou cerca de 1 em cada 31, subindo a 5,5% nos oito estudos que cumpriam todos os critérios de qualidade — o que, segundo os autores, justifica a prática de testar doença celíaca nesses pacientes. Fonte internacional, citada em complemento. PubMed · DOI 2

  10. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA)Monitoramento da Fortificação das Farinhas de Trigo e Milho com Ferro e Ácido Fólico; Resolução RDC nº 604/2022, que dispõe sobre o enriquecimento obrigatório do sal com iodo e das farinhas de trigo e de milho com ferro e ácido fólico destinados ao consumo humano. Página verificada em vigor (modificada em 11/02/2026). gov.br/anvisa

  11. Ministério da SaúdePrograma Nacional de Suplementação de Ferro (PNSF), instrutivo do Sistema de Micronutrientes: sulfato ferroso preventivo para crianças de 6 a 24 meses e ferro com ácido fólico para gestantes; descentralização pela Portaria nº 1.555, de 30 de julho de 2013, com aquisição e distribuição a cargo de estados e municípios. PDF (sisaps.saude.gov.br)

  12. Sadighi J, Nedjat S, Rostami R. Systematic review and meta-analysis of the effect of iron-fortified flour on iron status of populations worldwide. Public Health Nutrition, 2019; 22(18): 3465-3484. Cinquenta e dois artigos (94 ensaios) em 30 países, incluindo o Brasil: nos ensaios controlados, a farinha fortificada com ferro elevou a ferritina média em 8,544 µg/L (IC 95% 6,767–10,320) e reduziu a anemia em 8,1%, a deficiência de ferro em 12,0% e a anemia ferropriva em 20,9%. Fonte internacional, citada como contraponto à avaliação brasileira. PubMed · DOI

  13. dos Santos Q, Nilson EAF, Verly Junior E, Sichieri R. An evaluation of the effectiveness of the flour iron fortification programme in Brazil. Public Health Nutrition, 2015; 18(9): 1670-4. Estudo transversal com dados nacionais de 2008–2009 (34.003 indivíduos de 10 a 60+ anos, em 16.764 domicílios): a ingestão e a absorção médias de ferro proveniente da fortificação (ferro eletrolítico) foram baixas em homens e mulheres; os autores concluem que o impacto do consumo de produtos fortificados sobre a ingestão de ferro no Brasil é pequeno e que a quantidade de farinha consumida no país não justifica as faixas atuais de fortificação obrigatória nem a forma de ferro utilizada. Citado como avaliação crítica da política brasileira. PubMed · DOI

  14. Snook J, Bhala N, Beales ILP, Cannings D, Kightley C, Logan RP, Pritchard DM, et al. British Society of Gastroenterology guidelines for the management of iron deficiency anaemia in adults. Gut, 2021; 70(11): 2030-2051. Seções consultadas: resumo ("aproximadamente um terço dos homens e das mulheres na pós-menopausa que se apresentam com anemia ferropriva tem uma anormalidade patológica subjacente, mais comumente no trato gastrointestinal"; endoscopia bidirecional como abordagem diagnóstica padrão); recomendação de que a resposta da hemoglobina ao ferro oral seja monitorada nas primeiras 4 semanas e o tratamento mantido por cerca de 3 meses após a normalização da hemoglobina; e a recomendação de que, na deficiência de ferro sem anemia, a evidência é insuficiente para investigação invasiva salvo indicações adicionais, sugerindo apenas monitoramento periódico do hemograma. Fonte internacional, citada em complemento aos documentos brasileiros. PubMed · DOI 2 3 4 5

  15. Ministério da Saúde / DATASUSSIGTAP: Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS, competência 08/2026 (arquivo tb_procedimento.txt, 1.697.774 bytes, 5.023 procedimentos, todos com DT_COMPETENCIA 202608). Valores lidos no campo VL_SA: ferritina 0202010384 (R$ 15,59), proteína C reativa 0202030202 (R$ 2,83), hemograma completo 0202020380 (R$ 4,11), pesquisa de sangue oculto nas fezes 0202040143 (R$ 1,65), "pesquisa de anticorpos antitransglutaminase recombinante humano IgA" 0202031187 (R$ 18,55), esofagogastroduodenoscopia 0209010037 (R$ 48,16), colonoscopia (coloscopia) 0209010029 (R$ 112,66), dispensação de suplemento de ferro 0101040113. Busca com dobra de acentos sobre a tabela integral (2.479 das 5.023 linhas contêm caracteres acentuados). Página oficial (DATASUS)

Aviso médico. Este guia tem finalidade informativa e educativa; não constitui aconselhamento médico e não substitui uma consulta. Os valores de referência variam conforme o laboratório e a técnica: só o seu médico pode interpretar os seus resultados no seu contexto.