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Ferritina alta: causas mais comuns e o que fazer

Ferritina alta quase nunca é excesso de ferro: numa coorte populacional, 81% dos casos eram metabólicos. As causas em ordem e o exame que decide.

Publicado em 5 de setembro de 202612 min de leituraEscrito pela Equipe Blood Analysis · Revisado e verificado por Julien Priour

Seu laudo veio com a ferritina acima do limite do laboratório e você quer saber se é grave. Comece por este fato: a ferritina não mede só o seu ferro — é também uma proteína da inflamação. Sobe com uma gripe, com alguns quilos a mais, com um fígado sobrecarregado, com bebida no fim de semana. Uma revisão de 2026 resume: a hiperferritinemia é comum em adultos, e a maioria dos casos não tem sobrecarga real de ferro.1 Aqui você encontra o que causa esse número, em ordem de frequência; qual exame decide (não é a ferritina); o que o resultado não quer dizer; e quando repetir. Para o marcador em si — para que serve, valores normais, ferritina baixa —, a página é a ferritina.

Primeiro: isso é mesmo anormal?

Compare com o intervalo do SEU laudo

O Ministério da Saúde, no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas de Sobrecarga de Ferro (Portaria Conjunta SAES/SCTIE nº 38, de 21/01/2026), considera normal a ferritina abaixo de 300 µg/L em homens e de 200 µg/L em mulheres — e acrescenta, na mesma frase, que o ideal é fazer duas dosagens, "uma vez que a ferritina é uma proteína de fase aguda".2

São os mesmos dois números adotados pela definição internacional de consenso da hiperferritinemia metabólica3 e por uma coorte europeia de 410 pacientes com ferritina alta.4 Ainda assim, o valor impresso no seu laudo pode ser outro: cada laboratório publica o seu, conforme o método — e as Recomendações da SBPC/ML não fixam ponto de corte de ferritina, como mostra a ficha da ferritina. Manda o intervalo do seu laudo, não o de um site, inclusive o nosso.

A zona limítrofe não é uma doença

A definição de consenso gradua o valor em três faixas: grau 1 de 200/300 a 550 ng/mL, grau 2 de 550 a 1.000, grau 3 acima de 1.000. Na validação populacional, os graus 2 e 3 se associaram a mortalidade aumentada (p = 0,029); o conjunto de todos os graus, não (p = 0,122).3

Uma ferritina de 320 num homem cujo limite é 300 está 7% acima: não é diagnóstico, é um número para repetir. O que chama a atenção não é cruzar o limiar, e sim um valor realmente alto, uma tendência de subida, ou um contexto clínico que combine.

O que pode ter alterado o resultado

A ferritina é pouco sensível à coleta — nenhum documento oficial brasileiro consultado exige jejum para ela. O que a eleva sem haver nada de fundo:

  • uma infecção recente, mesmo banal: proteína de fase aguda, ela demora semanas para voltar ao lugar;5
  • um surto inflamatório, um pós-operatório, um trauma;
  • uma reposição de ferro em curso, sobretudo endovenosa;
  • hemólise, da amostra ou do paciente (haptoglobina);2
  • deficiência de vitamina C e renovação celular rápida.2

Daí a regra: ferritina colhida durante ou logo após uma infecção não se interpreta. Repete-se depois.

As causas, da mais frequente à mais rara

1. Síndrome metabólica e fígado gorduroso

É a primeira da lista, e com folga. Um estudo populacional austríaco com 8.408 participantes de 40 a 77 anos encontrou hiperferritinemia em 13% da população — e, dentro desse grupo, 81% preenchiam os critérios de hiperferritinemia metabólica.6 Quatro em cada cinco.

No Brasil isso tem lastro próprio. Um estudo da Unifesp com 174 adultos não diabéticos com doença hepática gordurosa confirmada por biópsia mostrou que a hiperferritinemia foi um dos três fatores associados de forma independente à resistência à insulina (HOMA-IR > 2,5), ao lado da síndrome metabólica e da esteato-hepatite.7 E a diretriz brasileira de doença hepática esteatótica metabólica (SBEM, SBH e Abeso) manda pedir ferritina e saturação da transferrina diante de esteatose ou transaminases altas.8

Por isso olham-se também a glicemia, a hemoglobina glicada, os triglicerídeos e o lipidograma.

2. Inflamação e infecção

É a causa mais frequente num exame isolado, justamente porque é passageira: infecção recente, doença inflamatória crônica, surto reumático, cirurgia empurram a ferritina para cima, em paralelo à PCR. O ferro não tem nada com isso — o organismo o "guarda", e a ferritina acompanha.52 É a explicação de uma combinação que confunde muita gente: ferritina alta com ferro sérico baixo. Não é contradição; é a assinatura da inflamação.

3. Álcool e doença do fígado

O PCDT lista, entre os fatores que afetam a ferritina, doença hepática, hemólise, abuso de álcool e doenças neoplásicas.2 Não é preciso ser bebedor pesado: um consumo regular costuma bastar, e em geral vem com a gama-GT alta. Diga isso ao médico sem rodeios — evita exames inúteis. Quando há destruição de células hepáticas, quem fala são as transaminases: TGP e TGO, no hepatograma.

4. Transfusões repetidas — o capítulo brasileiro

É o cenário para o qual o protocolo nacional foi escrito. Hemoglobinopatias são frequentes no Brasil: a Pesquisa Nacional de Saúde 2014-2015, por HPLC, encontrou alguma em 3,7% da população adulta2,49% de traço falciforme, 0,30% de talassemia menor —, com predomínio entre pessoas pretas e pardas.9 Entre 2014 e 2020, a média anual de novos casos de doença falciforme na triagem neonatal foi de 1.087 crianças, ou 3,75 por 10.000 nascidos vivos.2 Veja a hemoglobina.

Quem recebe transfusões regulares acumula ferro que o corpo não excreta. O PCDT fixa o gatilho: 10 a 20 transfusões mais ferritina acima de 1.000 µg/L — ou biópsia hepática, ou ressonância T2* — definem quem entra em terapia quelante no SUS, com dosagem a cada 3 meses.2 Detalhe pouco lembrado: na doença falciforme, a inflamação crônica da própria doença já eleva um pouco a ferritina, sem transfusão por trás.2

5. Hemocromatose hereditária: rara — e no Brasil, mais ainda

É o medo número um de quem lê esta página e, estatisticamente, uma das últimas hipóteses. A medida mais eloquente vem de uma coorte de 410 pacientes de ambulatório de fígado selecionados por terem ferritina alta: apenas 41 (10%) eram homozigotos para a variante C282Y do HFE, e entre os 180 sequenciados 93% não tinham causa monogênica alguma.4 Se num serviço especializado, com pacientes já filtrados, ela explica um em dez, num exame de rotina explica bem menos.

O PCDT acrescenta o recorte brasileiro: a frequência do genótipo C282Y em pacientes brasileiros com sobrecarga primária de ferro é baixa, com predomínio em caucasianos (1,4%), e a doença costuma aparecer em homens brancos entre a quarta e a quinta década.2 Numa população tão miscigenada quanto a brasileira, a hemocromatose HFE pesa menos do que no norte da Europa.

6. As raras de verdade

Existem hiperferritinemias hereditárias sem sobrecarga de ferro. O PCDT cita a perda de função da ferroportina, em que a ferritina sobe sem elevação proporcional da saturação.2 E há a síndrome hiperferritinemia-catarata (gene FTL): ferritina alta a vida toda, ferro normal e catarata bilateral precoce, descrita numa família brasileira com a mutação c.-164C>G.10 ⚠️ Ela não está no PCDT: foi encontrada pela busca do protocolo e excluída por "não abordar população de interesse" — reconhecida na literatura brasileira, fora do protocolo do SUS.

O que separa sobrecarga real de sobrecarga falsa: a saturação da transferrina

Se você levar um parágrafo desta página, leve este. Quem detecta sobrecarga de ferro não é a ferritina. O PCDT é explícito: a saturação da transferrina "é mais sensível que a ferritina sérica na triagem para hemocromatose hereditária", com corte de 45%; acima de 45% em mulheres ou 50% em homens, cabe pesquisar a mutação do HFE.2 As revisões atuais organizam a investigação em torno desse valor.1

⚠️ Cuidado com a leitura inversa. O mesmo protocolo avisa que, mesmo com ferritina aumentada, a ausência de saturação elevada na mesma proporção não descarta sobrecarga — é o que ocorre na doença da ferroportina.2 Saturação normal torna a sobrecarga improvável; não a elimina.

A saturação da transferrina não é um exame: é uma conta entre o ferro sérico e a capacidade de ligação do ferro — por isso não tem código próprio no SUS, ausência verificada nos 5.023 procedimentos da tabela SIGTAP.11 Esse ferro sérico deve ser colhido em jejum.2 O conjunto está na cinética do ferro, com a transferrina.

Quando procurar atendimento sem esperar

São situações concretas, não uma lista de vinte sintomas:

  • febre alta com prostração e ferritina muito elevada: é o único cenário verdadeiramente urgente desta página, porque valores extremos podem sinalizar uma síndrome de ativação inflamatória — a literatura usa 10.000 µg/L como alerta, ressalvando que os números clássicos vêm de casuísticas pediátricas;1
  • pele amarelada, urina escura, barriga inchada ou pernas edemaciadas — sofrimento do fígado;
  • você recebe transfusões regulares e a ferritina passou de 1.000 µg/L: é o critério de tratamento do protocolo nacional;2
  • dor nas articulações dos dedos, escurecimento da pele, diabetes recente ou queda de libido em homem de 40 a 50 anos — a combinação que faz pensar em hemocromatose;2
  • perda de peso não explicada.

Fora disso: uma ferritina moderadamente alta em quem se sente bem é assunto para a próxima consulta, não para o pronto-socorro.

O que seu médico vai fazer depois

O caminho real, em três tempos.

Primeiro, repetir e contextualizar — o protocolo pede duas dosagens2 — com a PCR junto, para saber se havia inflamação no dia da coleta.

Segundo, calcular a saturação da transferrina e olhar fígado e metabolismo: TGP, TGO, gama-GT, glicemia, lipídios, peso, álcool — e o hemograma completo, com atenção ao VCM.

Terceiro, só se as contas não fecharem, vêm o teste genético, a ressonância ou a biópsia. No SUS, essa sequência tem preço público:

ProcedimentoCódigo SIGTAPValor
Proteína C reativa0202030202R$ 2,83
Ferro sérico0202010392R$ 3,51
Capacidade de fixação do ferro0202010023R$ 2,01
Gama-glutamil-transferase (gama GT)0202010465R$ 3,51
Transaminase glutâmico-pirúvica (TGP)0202010651R$ 2,01
Sangria terapêutica0306020041R$ 4,69
Ressonância magnética de abdômen superior0207030014R$ 268,75

Competência 08/2026.11 Repare no contraste: as dosagens que resolvem a maioria dos casos custam menos de quatro reais cada uma; a ressonância custa 95 vezes a PCR. ⚠️ Uma ausência a registrar: nenhum procedimento do SUS contém a palavra "hemocromatose", nem HFE nem C282Y (varredura completa, controle positivo na raiz "MUTAÇ": 6 resultados). O teste genético existe no setor suplementar, como TUSS 40503453, "Hemocromatose, análise por PCR".11 Sobre o setor privado, veja quanto custa um exame de sangue.

O que este resultado NÃO significa

Não significa câncer. Vale enfrentar a pergunta de frente, com o número que assusta. Num estudo hospitalar coreano com 2.044 pacientes internados com ferritina ≥ 500 ng/mL, as neoplasias sólidas foram a categoria mais frequente: 37,1%, à frente das infecções (23,4%) e das doenças hematológicas (14,9%).12 O número é real — e não se transporta para o seu caso, por um motivo estatístico, não médico: ali a ferritina foi dosada porque o paciente já estava doente. É um viés de taxa de base. Compare com a população geral, onde ninguém foi selecionado por estar doente: 13% de hiperferritinemia, 81% de causa metabólica.6 Numa elevação moderada, em quem se sente bem, a ferritina não é exame de rastreamento de câncer.

Não significa excesso de ferro — o erro mais comum: ferritina alta com saturação normal é, quase sempre, inflamação ou metabolismo.1

Não significa hemocromatose — nem num ambulatório de fígado, onde ela explicou 10% dos casos.4

Não é motivo para doar sangue "para baixar". A sangria terapêutica é tratamento protocolado, com indicação, meta e vigilância da hemoglobina.2 Tirar sangue por uma ferritina alta de origem inflamatória arrisca provocar justamente anemia por falta de ferro. Pelo mesmo motivo, cortar carne vermelha por conta própria não trata a causa.

Precisa repetir o exame? Quando?

Sim — é a conduta mais importante: o protocolo nacional pede duas dosagens antes de concluir.2

  • Após infecção, cirurgia ou surto inflamatório: espere a recuperação e repita algumas semanas depois — a ferritina desce junto com a inflamação, não antes dela.5
  • Elevação moderada, sem sintomas: repetir com PCR e saturação da transferrina. Importa a tendência, não um ponto isolado.
  • Sob transfusão regular: a cada 3 meses.2
  • Talassemia dependente de transfusão: dosagem após a 10ª transfusão e, se der 1.000 µg/L ou mais, repetição em 30 dias.2

Perguntas frequentes

Ferritina alta é câncer? Quase sempre não. O estudo que associa hiperferritinemia a neoplasias foi feito em pacientes internados com ferritina ≥ 500 ng/mL — população já doente, o que distorce as proporções.12 Na população geral, a explicação mais provável é metabólica.6

Qual valor de ferritina é considerado alto? Para o Ministério da Saúde, acima de 300 µg/L em homens e 200 µg/L em mulheres, com duas dosagens.2 Mas vale o intervalo do seu laudo. Em µg/L ou ng/mL, o número é o mesmo.

Ferritina 500 é grave? Depende do contexto, não do número. Na graduação da hiperferritinemia metabólica, 500 ainda é grau 1 (200/300 a 550 ng/mL); o excesso de mortalidade apareceu nos graus 2 e 3.3

O que fazer para baixar a ferritina? Tratar a causa, não o número. Se for metabólica — o mais provável —, perda de peso, atividade física e controle da glicemia e dos triglicerídeos.8 Se for álcool, reduzir. Sangria só na sobrecarga confirmada.2

Ferritina alta e ferro sérico baixo, como pode? É a marca da inflamação: o corpo retém o ferro, a ferritina sobe e o ferro sérico cai.5 Não é erro do laboratório.

Preciso fazer teste genético para hemocromatose? Só se a saturação da transferrina estiver acima de 45% em mulheres ou 50% em homens.2 O teste não tem procedimento próprio no SUS; existe no setor suplementar como TUSS 40503453.11

Para lembrar

Uma ferritina alta é, quase sempre, um recado sobre inflamação, fígado, peso ou bebida — não sobre ferro. Na população geral, 81% dos casos são metabólicos;6 mesmo num ambulatório de fígado, a hemocromatose responde por 10%.4 Três atitudes: repetir, pedir a PCR e calcular a saturação da transferrina — o exame que decide, com corte de 45%.2 Nenhum valor se lê sozinho: conta o conjunto do seu contexto — o que o AI DiagMe oferece, como complemento ao seu médico. Os termos estão no glossário de exames de sangue.

Fontes

Fontes institucionais brasileiras e publicações científicas (PubMed) utilizadas nesta página:

Footnotes

  1. Kim Y, Landry TC, Seifer L, LaVasseur C, Martens K, Shatzel J. Hyperferritinemia: Pathophysiology, Etiologies, and Diagnostic Approach. European Journal of Haematology, 2026 — publicação online antecipada em 6 de agosto de 2026, ainda sem volume nem fascículo. Revisão narrativa com buscas estruturadas em PubMed, Embase e Cochrane até abril de 2026: a hiperferritinemia é comum em adultos e a maioria dos casos não corresponde a sobrecarga real de ferro; propõe um percurso diagnóstico guiado pela saturação da transferrina; ferritina acima de 10.000 µg/L levanta a hipótese de linfo-histiocitose hemofagocítica, com a ressalva, feita pelos próprios autores, de que os valores de desempenho mais citados vêm de casuísticas pediátricas. Fonte internacional, citada em complemento. PubMed · DOI 2 3 4

  2. Ministério da Saúde (SAES/SCTIE) e ConitecProtocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas de Sobrecarga de Ferro, aprovado pela Portaria Conjunta SAES/SCTIE nº 38, de 21 de janeiro de 2026 (Relatório de Recomendação nº 1024 e Registro de Deliberação nº 1022/2025 da Conitec). PDF de 97 páginas, 1.456.286 bytes, verificado em vigor. Seções consultadas: Diagnóstico laboratorial (ferritina < 300 µg/L em homens e < 200 µg/L em mulheres considerada normal, com duas dosagens para confirmação; dosagem seriada a cada 3 meses em transfundidos; talassemia dependente de transfusão — dosagem após a 10ª transfusão e repetição em 30 dias se ≥ 1.000; ferritina levemente elevada na doença falciforme por inflamação crônica; níveis > 2.500 µg/L e mortalidade; saturação da transferrina mais sensível que a ferritina na triagem de hemocromatose hereditária, corte de 45%, e 45% em mulheres / 50% em homens para pesquisa da mutação HFE; ferro sérico colhido em jejum; a ausência de saturação elevada na mesma proporção não descarta sobrecarga — mutação com perda de função da ferroportina; doença hepática, hemólise, abuso de álcool, deficiência de vitamina C e neoplasias entre os fatores que afetam a ferritina); Introdução (média de 1.087 novos casos anuais de doença falciforme no PNTN entre 2014 e 2020, incidência de 3,75/10.000 nascidos vivos, maior na Bahia, em São Paulo e no Piauí; frequência do genótipo C282Y baixa em pacientes brasileiros com sobrecarga primária, 1,4%, com predomínio em caucasianos; manifestações da HH); item 4, Critérios de inclusão (transfusões regulares de 10 a 20 procedimentos mais ferritina acima de 1.000 µg/L, ou biópsia hepática acima de 3,2 mg/g de fígado seco, ou ressonância T2*); Tratamento não medicamentoso (flebotomia/sangria terapêutica). PDF (gov.br/saude) 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24

  3. Liu WY, Lian LY, Zhang H, Chen SD, Jin XZ, Zhang N, et al. A Population-Based and Clinical Cohort Validation of the Novel Consensus Definition of Metabolic Hyperferritinemia. The Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism, 2024; 109(6): 1540-1549. Validação da definição de consenso nas bases NHANES e na coorte PERSONS, com a graduação por ferritina (grau 1: 200 [mulheres]/300 [homens]–550 ng/mL; grau 2: 550–1.000; grau 3: > 1.000). A associação com mortalidade foi significativa para os graus 2 e 3 (p = 0,029) e não significativa para o conjunto de todos os graus (p = 0,122). Fonte internacional, citada em complemento. PubMed · DOI 2 3

  4. Viveiros A, Schaefer B, Panzer M, Henninger B, Plaikner M, Kremser C, et al. MRI-Based Iron Phenotyping and Patient Selection for Next-Generation Sequencing of Non-Homeostatic Iron Regulator Hemochromatosis Genes. Hepatology, 2021; 74(5): 2424-2435. Coorte de 410 pacientes não selecionados de ambulatório de fígado com ferritina alta (definida como ≥ 200 µg/L em mulheres e ≥ 300 µg/L em homens): 41 (10%) eram homozigotos para a variante p.Cys282Tyr do HFE; dos 369 restantes, 256 (69%) tinham saturação da transferrina ≥ 45% e 199 (53%) sobrecarga hepática de ferro confirmada; entre os 180 sequenciados, em 167 (93%) nenhuma causa monogênica foi identificada. Fonte internacional, citada em complemento. PubMed · DOI 2 3 4

  5. Garcia-Casal MN, Pasricha SR, Martinez RX, Lopez-Perez L, Peña-Rosas JP. Serum or plasma ferritin concentration as an index of iron deficiency and overload. Cochrane Database of Systematic Reviews, 2021; 5(5): CD011817. Revisão sistemática que confirma a limitação central do exame: sendo uma proteína de fase aguda, a ferritina se eleva na inflamação e na infecção, o que compromete a sua leitura isolada. Fonte internacional, citada em complemento. PubMed · DOI 2 3 4

  6. Gensluckner S, Wernly B, Koutny F, Strebinger G, Zandanell S, Stechemesser L, et al. Prevalence and Characteristics of Metabolic Hyperferritinemia in a Population-Based Central-European Cohort. Biomedicines, 2024; 12(1): 207. Análise retrospectiva do estudo populacional Paracelsus 10.000 (Salzburgo, Áustria): 8.408 participantes de 40 a 77 anos; hiperferritinemia presente em 13% (n = 1.111), com predomínio masculino (69%); 81% (n = 901) preenchiam os critérios de hiperferritinemia metabólica. Fonte internacional, citada em complemento aos documentos brasileiros. PubMed · DOI 2 3 4

  7. Barreto BFM, Punaro GR, Elias MC, Parise ER. Is homeostasis model assessment for insulin resistance > 2.5 a distinguished criteria for metabolic dysfunction-associated fatty liver disease identification? Arquivos de Gastroenterologia, 2022; 59(3): 402-407. Estudo transversal retrospectivo brasileiro (Unifesp) com 174 adultos não diabéticos com doença hepática gordurosa diagnosticada por biópsia: na análise multivariada, o diagnóstico clínico de síndrome metabólica, a hiperferritinemia e a presença de esteato-hepatite foram os fatores independentemente associados ao HOMA-IR alterado. PubMed · DOI

  8. Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH) e Abeso — Moreira RO, Valerio CM, Villela-Nogueira CA, Cercato C, Gerchman F, Lottenberg AMP, et al. Brazilian evidence-based guideline for screening, diagnosis, treatment, and follow-up of metabolic dysfunction-associated steatotic liver disease (MASLD) in adult individuals with overweight or obesity. Archives of Endocrinology and Metabolism, 2023; 67(6): e230123. Posicionamento conjunto de três sociedades brasileiras, com 48 recomendações. Seção consultada: Tabela 3, que lista a hemocromatose entre as condições a investigar diante de esteatose ou transaminases elevadas, com os exames "ferritina e saturação da transferrina". PubMed · DOI 2

  9. Rosenfeld LG, Bacal NS, Cuder MAM, Silva AGD, Machado ÍE, Pereira CA, et al. Prevalence of hemoglobinopathies in the Brazilian adult population: National Health Survey 2014-2015. Revista Brasileira de Epidemiologia, 2019; 22 (Supl. 2): e190007.supl.2. Dados laboratoriais da Pesquisa Nacional de Saúde, com HPLC: hemoglobinopatias presentes em 3,7% da população adulta brasileira — traço falciforme 2,49%, talassemia menor 0,30% e suspeita de talassemia maior 0,80%; traço falciforme em 4,1% das pessoas pretas de pele escura, 3,6% das de pele clara e 1,2% das brancas. Referência citada pelo próprio PCDT de Sobrecarga de Ferro. PubMed · DOI

  10. Alvarenga AM, Silva NKD, Cançado RD, Carvalho LEMR, Santos PCJL. Brazilian family with hyperferritinemia-cataract syndrome: case report. Einstein (São Paulo), 2022; 20: eRC0076. Família brasileira com diagnóstico clínico da síndrome hiperferritinemia-catarata submetida ao sequenciamento do gene da cadeia leve da ferritina (FTL): mutação c.-164C>G na região 5' não traduzida; os autores destacam o risco de a síndrome ser confundida com hemocromatose. ⚠️ Este artigo foi identificado pela busca sistemática do PCDT de Sobrecarga de Ferro e excluído após leitura do texto completo, com a justificativa "não aborda população de interesse" — razão pela qual a síndrome não figura no protocolo do SUS. PubMed · DOI

  11. Ministério da Saúde / DATASUSSIGTAP: Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS, competência 08/2026 (arquivo tb_procedimento.txt, 1.697.774 bytes, 5.023 procedimentos, codificação latin-1; competência única 202608 em toda a tabela). Valores lidos no campo VL_SA: proteína C reativa 0202030202 (R$ 2,83), ferro sérico 0202010392 (R$ 3,51), capacidade de fixação do ferro 0202010023 (R$ 2,01), gama-glutamil-transferase 0202010465 (R$ 3,51), TGP 0202010651 (R$ 2,01), TGO 0202010643 (R$ 2,01), glicose 0202010473 (R$ 1,85), ferritina 0202010384 (R$ 15,59), sangria terapêutica 0306020041 (R$ 4,69), biópsia de fígado por punção 0201010216 (R$ 71,15), ressonância magnética de abdômen superior 0207030014 (R$ 268,75). Duas ausências verificadas por varredura completa da tabela, com dobra de acentos (2.483 das 5.023 linhas contêm acentos): nenhum procedimento contendo as raízes "HEMOCROM", "HFE" ou "C282" (controle positivo: raiz "MUTAÇ" → 6 procedimentos, entre eles 0202110028, detecção molecular de mutação em hemoglobinopatias) e nenhum procedimento de "saturação da transferrina" — o parâmetro é calculado. O código TUSS 40503453, "Hemocromatose, análise por PCR", consta do arquivo tb_tuss.txt da mesma distribuição (controle positivo: 22 linhas com a raiz "MUTAÇ"), sem mapeamento para procedimento SUS. Página oficial (DATASUS) 2 3 4

  12. Lee LE, Lee SW, Song JJ, Park YB, Jung SM. Unraveling the differential diagnosis of hyperferritinemia: insights from a retrospective study at a tertiary care hospital. Postgraduate Medical Journal, 2025; 101(1197): 612-619. Estudo retrospectivo em 2.044 pacientes internados no Severance Hospital (Seul) com ferritina ≥ 500 ng/mL: neoplasias sólidas 37,1%, infecções 23,4%, doenças hematológicas 14,9%. Citado com o seu resultado real e com a ressalva metodológica: por ser uma coorte hospitalar em que a ferritina foi dosada porque o paciente já estava doente, as proporções não se transportam para uma elevação moderada na população geral. Fonte internacional, citada em complemento. PubMed · DOI 2

Aviso médico. Este guia tem finalidade informativa e educativa; não constitui aconselhamento médico e não substitui uma consulta. Os valores de referência variam conforme o laboratório e a técnica: só o seu médico pode interpretar os seus resultados no seu contexto.