Exame de vitamina B6 (piridoxina): valores no sangue
O exame de vitamina B6 não tem código no SUS nem no rol dos planos. E a Anvisa deixa um suplemento chegar a 98,60 mg por dia: aqui o excesso é que pesa.
A vitamina B6, ou piridoxina, é procurada no Brasil quase sempre por causa do vidro de cápsulas. Esta página trata de outra coisa: do exame de sangue — o que ele mede, quanto ele custa, e por que ele é o oposto das outras vitaminas do perfil vitamínico. Na B12, na D e no ácido fólico, o risco está na falta. Na B6, o risco documentado está no excesso.
Em resumo
- O exame dosa o piridoxal 5'-fosfato (PLP), a forma ativa. O corte mais usado para deficiência é ≈ 20 nmol/L, e não existe intervalo brasileiro publicado.1
- 🔴 A B6 é a vitamina hidrossolúvel cujo excesso tem toxicidade descrita: piridoxina em dose alta e prolongada causa neuropatia sensitiva periférica, revisada em série de casos e em revisão sistemática.23
- A Anvisa fixa um teto: 98,60 mg/dia de vitamina B6 em suplemento para quem tem 19 anos ou mais — e proíbe suplementos de B6 para menores de 12 meses, explicitamente "a fim de evitar toxicidade".45
- Um valor baixo nem sempre é falta de vitamina: inflamação, albumina baixa e fosfatase alcalina alterada mexem no PLP.16
- No SUS o exame não existe: "piridoxina" e "vitamina B6" dão zero nas 5 023 linhas da tabela. Nos planos, há código TUSS (40302814), mas a B6 não está no rol de cobertura obrigatória da ANS.789
- No tratamento da tuberculose, o Ministério da Saúde manda repor 50 mg/dia com isoniazida — sem pedir dosagem nenhuma.10
O que a B6 faz, e por que quase não se dosa
A B6 não é uma molécula, é uma família: piridoxina, piridoxal, piridoxamina e seus fosfatos. A forma que trabalha dentro da célula é o piridoxal 5'-fosfato (PLP), coenzima de mais de uma centena de reações — transaminações (as mesmas enzimas que aparecem no seu hepatograma como TGO e TGP), síntese de neurotransmissores, via da quinurenina, e a transsulfuração da homocisteína.1
Carência isolada e sintomática é rara em quem se alimenta: a B6 está espalhada por carnes, peixes, cereais, banana, batata e feijão. Ela aparece de verdade em situações específicas — alcoolismo, doença renal em diálise, doenças inflamatórias, uso de isoniazida e de alguns anticonvulsivantes. A revisão sistemática de 2023 é direta sobre o ponto que interessa ao paciente: valores baixos de B6 são vistos em quem tem neuropatia periférica de várias causas, mas não há evidência firme de relação causal entre B6 baixa e neuropatia.3 Ou seja: o número baixo, sozinho, explica pouco.
O ponto invertido: aqui o excesso é que faz mal
Esta é a informação de saúde que falta nas páginas brasileiras sobre B6, e ela contraria a intuição de "vitamina hidrossolúvel, o que sobra sai na urina".
A intoxicação por piridoxina produz uma neuropatia sensitiva axonal: formigamento, dormência, queimação e desequilíbrio, tipicamente nos pés e nas mãos, com força preservada. O centro holandês de farmacovigilância Lareb analisou 90 notificações de neuropatia ligadas a produtos com B6; os produtos continham entre 1,4 e 100 mg por comprimido, o nível sérico foi conhecido em 36 casos (88 a 4 338 nmol/L) — e os autores concluíram que a associação é plausível sobretudo com doses altas e uso prolongado, sem poder excluir doses abaixo de 50 mg/dia.2 A revisão sistemática de 2023 chega ao mesmo lugar: a evidência atual sustenta um papel neurotóxico da B6 em níveis altos, e a suspensão da piridoxina melhora os sintomas relatados.3
E o que diz a Anvisa, no texto. A Instrução Normativa nº 28/2018 traz duas listas por grupo populacional. No Anexo IV (limites máximos que um suplemento não pode ultrapassar na recomendação diária), a vitamina B6, em mg:
| Grupo populacional | Limite máximo de B6 |
|---|---|
| 0 a 6 meses e 7 a 11 meses | NA — não autorizado |
| 1 a 3 anos | 29,5 |
| 4 a 8 anos | 39,4 |
| 9 a 18 anos | 58,63 |
| 19 anos ou mais | 98,60 |
| Gestantes / lactantes | 78,59 / 78,68 |
No Anexo III, o limite mínimo para adultos é 0,26 mg.4 A distância entre o piso e o teto é de quase quatrocentas vezes — e o teto adulto fica acima da faixa em que a farmacovigilância holandesa recebeu notificações. O "NA" dos bebês não é detalhe: a própria Anvisa explica, no seu documento de perguntas e respostas, que suplementos com vitamina B6 (entre outros) não são autorizados para menores de 12 meses porque as evidências são insuficientes para estabelecer uma ingestão segura e porque esse grupo tem capacidade limitada de metabolizar quantidades elevadas, "a fim de evitar toxicidade".5 Nada disso proíbe a suplementação de B6 quando ela é indicada — indica que a dose importa, e que ela é do seu médico.
Os valores — e por que nenhum deles é brasileiro
| Referência | Valor |
|---|---|
| Corte usual de deficiência (PLP plasmático) | ≈ 20 nmol/L1 |
| Corte aplicado a crianças brasileiras pelo ENANI | < 20 nmol/L11 |
| Mediana brasileira, sangue total, 6 a 59 meses | 116,1 nmol/L12 |
Unidades. Laudos brasileiros imprimem o PLP em nmol/L ou em ng/mL (µg/L). Para converter de ng/mL para nmol/L, multiplique por 4,05 (massa molar do PLP, 247,1 g/mol): 10 ng/mL ≈ 40,5 nmol/L. O conversor de unidades ajuda, mas o intervalo que vale é sempre o impresso no seu laudo.
O que existe além do PLP. Como o PLP sozinho é sensível a fatores de confusão, a literatura propõe marcadores funcionais: a atividade das transaminases eritrocitárias e, mais recentemente, metabólitos das reações que dependem do PLP — a via da quinurenina, a cistationina da transsulfuração, a glicina e a serina. Razões entre substrato e produto atenuam a interferência: é o caso do índice PAr.1 Nenhum deles tem código nas duas tabelas nacionais.78
O que o Brasil mediu. O ENANI-2019, inquérito domiciliar nacional financiado pelo Ministério da Saúde, dosou vitamina B6 em 8 329 crianças de 6 a 59 meses, em sangue total, por cromatografia líquida de alta performance. A mediana nacional foi 116,1 nmol/L (1º quartil 81,7; 3º quartil 166,3). O Nordeste teve mediana maior que o Sul — 127,0 contra 111,7 — com diferença estatisticamente significativa.12
⚠️ Mas o ENANI não publicou prevalência de deficiência de B6. O Quadro 1 do relatório lista pontos de corte para anemia, ferro, vitamina A, vitamina D, B12, folato e zinco — e nenhum para B6, B1 ou vitamina E, de que o relatório só apresenta a distribuição.12 Uma análise derivada, publicada no American Journal of Clinical Nutrition, aplicou o corte de < 20 nmol/L às mesmas 6 520 crianças e encontrou a concentração de B6 diretamente associada ao quociente de desenvolvimento entre 24 e 59 meses (β = 0,0004; p = 0,031).11 Duas ressalvas honestas: são crianças, e sangue total não é plasma — não transporte essa mediana para o número do seu laudo.
Um resultado baixo nem sempre significa falta
O PLP plasmático é sensível a coisas que nada têm a ver com o que você come. Ele se liga à albumina e acompanha-a; é inversamente associado à fosfatase alcalina tecido-inespecífica, que o consome; e cai na inflamação.1 Num estudo com 2 229 adultos, a mediana geométrica de PLP foi 61 nmol/L no tercil mais inflamado contra 80 nmol/L no menos inflamado, e a relação persistiu depois de ajustar pela ingestão de B6.6 Se você fez o exame junto com uma proteína C reativa alta, o valor baixo pode ser o retrato da inflamação.
Vale lembrar que a B6 não entra em nenhum exame de rotina: não faz parte do hemograma completo — nem do VCM, que é onde a falta de B12 e de folato costuma aparecer. Quando é pedida, é por uma pergunta específica — neurológica ou ligada a um medicamento, nunca "de check-up".
⚠️ E cuidado com o sentido da relação com a fosfatase alcalina. Circula a ideia de que a B6 "abaixa" a enzima. É o contrário: o PLP é substrato natural da fosfatase alcalina, e quando a enzima está baixa o PLP se acumula — é justamente esse PLP elevado que confirma a hipofosfatasia no laboratório. Numa série de 150 crianças e adolescentes com a doença, o piridoxal plasmático foi quase o dobro dos controles pediátricos (66,7 contra 37,1 nmol/L).13 Um PLP alto pode, portanto, ser um achado de osso — não de suplemento.
Isoniazida e tuberculose: o Brasil repõe, não dosa
A isoniazida é a causa clássica de deficiência funcional de B6, e o Brasil trata disso num documento próprio. O Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil (Ministério da Saúde, 2ª edição atualizada, 2019) recomenda piridoxina 50 mg/dia: na gestante em Esquema Básico, "dado risco de toxicidade neurológica ao feto atribuído à isoniazida"; na pessoa com diabetes, "devido ao risco aumentado de neuropatia periférica"; e na coinfecção TB-HIV, "durante todo o tratamento". Crianças com TB infectadas pelo HIV ou desnutridas recebem 5 a 10 mg/dia, e diante de neuropatia periférica instalada o manual autoriza até 200 mg/dia.10
Repare no que o protocolo não manda fazer: dosar a B6. Ele previne — e essa escolha tem base. Num estudo com 159 adultos com HIV, mais da metade estava com piridoxina deficiente (PLP < 25 nmol/L) apesar de suplementação com 2 a 4 mg/dia, e a deficiência foi mais frequente em quem tinha história de tuberculose.14 Doses simbólicas não protegem; medir cada paciente não é o que a política escolheu.
Homocisteína: o uso que sobra
A B6 recicla a homocisteína pela via da transsulfuração, ao lado da B12 e do folato pela via da remetilação. Uma homocisteína alta é, antes de tudo, sinal de carência de uma dessas três vitaminas — e é assim que faz sentido pedi-la. A própria Anvisa autoriza, para suplementos, a alegação "a vitamina B6 auxilia no metabolismo de homocisteína".4 Vale lembrar o limite disso: baixar a homocisteína com B6, B9 ou B12 não reduziu infarto nem mortalidade nos ensaios randomizados, como detalha a nossa página do marcador. Na prática, a homocisteína funciona melhor como marcador funcional do que a dosagem direta de B6 — e, ao contrário desta, tem cobertura obrigatória nos planos.9
Quanto custa no Brasil
No SUS, não custa nada: não existe. Lendo linha a linha a tabela SIGTAP (competência 08/2026, 1 697 774 bytes, 5 023 linhas, com acentos dobrados), "PIRIDOXINA" e "VITAMINA B6" dão zero ocorrências. O controle positivo é forte: no mesmo arquivo aparecem hemograma completo (0202020380, R$ 4,11), ferritina (0202010384, R$ 15,59) e as únicas três linhas com "vitamina" — administração de vitamina A, dosagem de vitamina B12 (R$ 15,24) e 25-hidroxivitamina D (R$ 15,24).7
No setor privado, o código existe. A tabela TUSS traz "Vitamina B6, pesquisa e/ou dosagem" sob o código 40302814, ao lado de B1, B2, B3, B5, B12, A, C, D, E, K e biotina.8 Ter código TUSS significa que o exame pode ser faturado — não que o plano seja obrigado a pagá-lo. E aí vem o segundo guichê: no Anexo I do Rol de Procedimentos da ANS (RN 465/2021, na versão em vigor alterada pela RN 678/2026), "piridoxina" e "B6" dão zero, enquanto o mesmo arquivo lista vitamina C, A, B12, D3, 1,25-diidroxivitamina D3, vitamina E (com diretriz de utilização) e homocisteína.9 Sete vitaminas presentes, a B6 ausente: a cobertura obrigatória não a alcança.
Quando procurar um médico
Procure orientação se tem formigamento, dormência, queimação ou desequilíbrio — sobretudo se toma um complexo B, um multivitamínico ou um "shot" de vitaminas há meses. Leve as embalagens: a dose por comprimido é a informação que o neurologista precisa, e ela nem sempre está no seu prontuário. Também vale conversar se usa isoniazida, faz diálise, tem doença inflamatória crônica ou alcoolismo. E não comece nem aumente a suplementação por conta própria: nesta vitamina, mais não é melhor.
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Perguntas frequentes
O SUS cobre o exame de vitamina B6? Não. Não há código na tabela SIGTAP — verificamos as 5 023 linhas, com controle positivo (as dosagens de B12 e de vitamina D estão lá).7 No setor privado existe o código TUSS 40302814, mas a B6 não consta do rol de cobertura obrigatória da ANS.89
Qual é o valor normal da vitamina B6? O exame mede o PLP; o corte mais usado para deficiência é em torno de 20 nmol/L, e nenhuma instituição brasileira publica intervalo próprio. Vale a faixa do seu laboratório, e a unidade do seu laudo.1
Tomar vitamina B6 demais faz mal? Pode fazer. O quadro descrito é uma neuropatia sensitiva com dose alta e uso prolongado, e a farmacovigilância holandesa não conseguiu excluir doses abaixo de 50 mg/dia.23 A Anvisa limita o suplemento a 98,60 mg/dia no adulto e não autoriza B6 abaixo de 12 meses.45
Vitamina B6 alta no exame quer dizer intoxicação? Nem sempre. A causa mais banal é a suplementação recente. Mas um PLP alto também aparece quando a fosfatase alcalina está baixa, porque a enzima deixa de consumir o substrato — nesse caso o achado é da enzima, não da vitamina.13
Meu resultado veio baixo. Preciso suplementar? Não decida pelo número. Inflamação e albumina baixa derrubam o PLP sem que falte vitamina,16 e um valor baixo isolado não explica sintomas.3 Leve o resultado do exame de sangue completo ao seu médico.
Para lembrar
A vitamina B6 inverte a lógica das outras vitaminas do painel: o exame é pouco disponível — zero no SUS, fora do rol da ANS — e o risco documentado está no excesso, não na falta. Guarde três coisas: o número mede o PLP, que cai com inflamação e sobe quando a fosfatase alcalina está baixa; a Anvisa admite até 98,60 mg/dia em suplemento no adulto e nenhuma dose abaixo de um ano; e o Brasil, no tratamento da tuberculose, escolheu repor sem dosar. Nenhum valor se lê sozinho: conta o conjunto dos seus marcadores e do seu contexto — o que o AI DiagMe ajuda a organizar em linguagem clara, como complemento à avaliação do seu médico, e nunca como diagnóstico. Para preparar a coleta, veja como é feita a coleta de sangue; para o painel inteiro, o perfil vitamínico.
Fontes
Fontes oficiais brasileiras e publicações científicas (PubMed) usadas neste guia:
Footnotes
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Ueland PM, Ulvik A, Rios-Avila L, Midttun Ø, Gregory JF. Direct and Functional Biomarkers of Vitamin B6 Status. Annu Rev Nutr, 2015;35:33-70 (PLP plasmático como marcador direto mais usado; "approximately 20 nmol/L PLP" como corte usual de deficiência; PLP ligado à albumina e positivamente associado a ela, inversamente associado à fosfatase alcalina tecido-inespecífica, reduzido na inflamação, essencialmente não afetado pela função renal; índice PAr e razões substrato-produto como estratégias para atenuar esses fatores de confusão). PubMed · DOI ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8
-
van Hunsel F, van de Koppel S, van Puijenbroek E, Kant A. Vitamin B6 in Health Supplements and Neuropathy: Case Series Assessment of Spontaneously Reported Cases. Drug Saf, 2018;41(9):859-869 (Centro Holandês de Farmacovigilância Lareb; 90 notificações de neuropatia periférica com produtos contendo B6; 1,4 a 100 mg por comprimido; nível sérico conhecido em 36 casos, 88 a 4 338 nmol/L, média 907 nmol/L; sem correlação estatística entre dose e nível sérico; causalidade plausível, sobretudo com doses altas e uso prolongado, sem excluir doses < 50 mg/dia). PubMed · DOI ↩ ↩2 ↩3
-
Muhamad R, Akrivaki A, Papagiannopoulou G, Zavridis P, Zis P. The Role of Vitamin B6 in Peripheral Neuropathy: A Systematic Review. Nutrients, 2023;15(13):2823 (20 artigos incluídos; níveis altos de B6, em geral por suplementos, levam a neuropatia predominantemente sensitiva do tipo axonal, com melhora subjetiva após suspensão; níveis baixos são vistos em neuropatias de várias etiologias, mas não há evidência firme de relação causal direta; a evidência atual sustenta um papel neurotóxico da B6 em níveis altos). PubMed · DOI ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5
-
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) — Instrução Normativa nº 28, de 26 de julho de 2018, que estabelece as listas de constituintes, de limites de uso, de alegações e de rotulagem complementar dos suplementos alimentares. Anexo IV (limites máximos, em mg, por grupo populacional), linha "Vitamina B6": NA · NA · 29,5 · 39,4 · 58,63 · 98,60 · 78,59 · 78,68 (0-6 meses; 7-11 meses; 1-3 anos; 4-8 anos; 9-18 anos; ≥ 19 anos; gestantes; lactantes). Anexo III (limites mínimos), mesma linha: NA · NA · 0,075 · 0,09 · 0,195 · 0,26 · 0,285 · 0,3. Anexo V, alegações autorizadas: "A vitamina B6 auxilia no metabolismo de homocisteína"; "o termo piridoxina pode ser usado em substituição ao termo vitamina B6". ⚠️ Transparência de acesso: o PDF consolidado no domínio da Anvisa (
antigo.anvisa.gov.br) responde 403,in.gov.breanvisalegis.datalegis.netficaram inacessíveis daqui; os valores acima foram lidos numa reprodução integral e consolidada do texto, que incorpora as alterações até a IN nº 431, de 1º de abril de 2026, e cujo teor confere com o documento oficial da Anvisa citado a seguir. Texto consolidado ↩ ↩2 ↩3 ↩4 -
Anvisa, Gerência-Geral de Alimentos — Perguntas e respostas: suplementos alimentares, 9ª edição, Brasília, 16 de janeiro de 2025 (138 páginas, PDF servido pelo portal gov.br/anvisa). Pergunta 72: "Os suplementos alimentares com vitamina C, niacina, ácido fólico, colina, vitamina B6, vitamina E, cobre, iodo, magnésio, manganês, molibdênio e fósforo não estão autorizados para crianças menores de 12 meses porque as evidências científicas disponíveis são insuficientes para estabelecer um valor de ingestão seguro e porque este grupo populacional possui limitada capacidade de metabolizar quantidades elevadas desses nutrientes… a fim de evitar toxicidade". Pergunta 71: "NA" significa "não autorizado" — não é permitida a indicação do suplemento para aquele grupo populacional. gov.br/anvisa ↩ ↩2 ↩3
-
Sakakeeny L, Roubenoff R, Obin M, Fontes JD, Benjamin EJ, Bujanover Y, Jacques PF, Selhub J. Plasma pyridoxal-5-phosphate is inversely associated with systemic markers of inflammation in a population of U.S. adults. J Nutr, 2012;142(7):1280-5 (2 229 participantes; média geométrica de PLP de 61 nmol/L no tercil superior de inflamação contra 80 nmol/L no inferior, p de tendência < 0,0001; relação mantida após ajuste pela ingestão de B6). PubMed · DOI ↩ ↩2 ↩3
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Ministério da Saúde / DATASUS — SIGTAP, Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS, tabela
tb_procedimento, competência 08/2026 (1 697 774 bytes, 5 023 linhas, ISO-8859-1, colunas de largura fixa; valor do laboratório lido na coluna VL_SA). Ausência verificada, 0 ocorrências: "PIRIDOXINA", "VITAMINA B6", "FOSFATO DE PIRIDOXAL". Controles positivos: hemograma completo 0202020380 = R$ 4,11; dosagem de ferritina 0202010384 = R$ 15,59; "ACIDO" = 29 linhas. As únicas três linhas com "vitamina" em toda a tabela: administração de vitamina A (0101040059), dosagem de vitamina B12 (0202010708, R$ 15,24) e dosagem de 25-hidroxivitamina D (0202010767, R$ 15,24). sigtap.datasus.gov.br ↩ ↩2 ↩3 ↩4 -
Ministério da Saúde / DATASUS — tabela
tb_tuss(Terminologia Unificada da Saúde Suplementar), 5 766 linhas, mesma distribuição, leitura direta. Presente: "Vitamina B6, pesquisa e/ou dosagem", código 40302814, ao lado de vitamina B1 (40302784), B2 (40302792), B3 (40302806), B5 (40322262), B12 (40316572), A (40302601), C (40301060), E (40302610), K (40302849), biotina (40322122) e homocisteína (40302113). Um código TUSS permite faturar o exame; não cria obrigação de cobertura. ↩ ↩2 ↩3 ↩4 -
Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) — Anexo I do Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde, RN nº 465/2021 na versão em vigor alterada pela RN nº 678/2026 (planilha XLSX oficial, 3 662 rótulos de texto). Ausência verificada, 0 ocorrências: "PIRIDOX" e "B6". Controle positivo no mesmo arquivo: ácido ascórbico (vitamina C), vitamina A, vitamina B12, vitamina D3 colecalciferol (25-OH-D3), 1,25-diidroxivitamina D3, teste de Schilling, "vitamina E, pesquisa e/ou dosagem (com diretriz de utilização)" e "homocisteína — pesquisa e/ou dosagem". Planilha, gov.br/ans ↩ ↩2 ↩3 ↩4
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Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde — Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil, 2ª edição atualizada, 2019 (PDF oficial, 18 628 linhas de texto extraído). Gestação: "dado risco de toxicidade neurológica ao feto atribuído à isoniazida, recomenda-se o uso de piridoxina (50mg/dia)". Diabetes: "recomenda-se também que os pacientes devam receber piridoxina (vitamina B6) 50mg/dia durante o tratamento com isoniazida, devido ao risco aumentado de neuropatia periférica". Coinfecção TB-HIV: "vitamina B6 (piridoxina) na dose de 50mg/dia durante todo o tratamento". Crianças com TB infectadas pelo HIV ou desnutridas: "piridoxina — vitamina B6 (5 a 10 mg/dia)". Neuropatia periférica instalada: "utilizar piridoxina até 200 mg/dia". Nenhuma recomendação de dosagem sérica de B6. gov.br/saude ↩ ↩2
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Freitas-Costa NC, Andrade PG, Normando P, Nunes KSS, Raymundo CE, Castro IRR, Lacerda EMA, Farias DR, Kac G. Association of development quotient with nutritional status of vitamins B6, B12, and folate in 6-59-month-old children: Results from the Brazilian National Survey on Child Nutrition (ENANI-2019). Am J Clin Nutr, 2023;118(1):162-173 (6 520 crianças; B6 classificada por tercis e pelo corte < 20 nmol/L; concentração de B6 diretamente associada ao quociente de desenvolvimento entre 24 e 59 meses, β = 0,0004, p = 0,031; sem associação para o folato). PubMed · DOI ↩ ↩2
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ENANI-2019 — Universidade Federal do Rio de Janeiro (coord. Gilberto Kac), com UERJ, UFF e Fiocruz, financiamento do Ministério da Saúde via CNPq. Relatório 3: Biomarcadores do estado de micronutrientes, Rio de Janeiro, 156 p. Vitamina B6 dosada em 8 329 crianças de 6 a 59 meses, em sangue total, por cromatografia líquida de alta performance com detecção por fluorescência (Chromsystems). Brasil: média 131,6 nmol/L, mediana 116,1 (IC 95% 111,7-122,2), 1º quartil 81,7, 3º quartil 166,3. Nordeste mediana 127,0 contra Sul 111,7, diferença estatisticamente significativa. Quadro 1 (pontos de corte) não traz corte para vitamina B6, B1 ou E — apenas anemia, anemia ferropriva, vitamina A, vitamina D, B12, folato e zinco; o relatório observa que "não existem informações nem mesmo de estudos populacionais locais sobre o perfil epidemiológico de vitamina E, vitamina B1, vitamina B6". PDF ↩ ↩2 ↩3
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Whyte MP, Zhang F, Wenkert D, Mack KE, Bijanki VN, Ericson KL, Coburn SP. Hypophosphatasia: Vitamin B6 status of affected children and adults. Bone, 2022;154:116204 (o PLP é substrato natural da fosfatase alcalina tecido-inespecífica e se acumula quando a enzima funciona mal — o PLP plasmático elevado é marca bioquímica da hipofosfatasia; em 150 crianças e adolescentes afetados, piridoxal plasmático médio de 66,7 nmol/L contra 37,1 nmol/L nos controles pediátricos, p < 0,0001; adultos afetados podem, ao contrário, apresentar insuficiência dietética de B6). PubMed · DOI ↩ ↩2
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van der Watt JJ, Benatar MG, Harrison TB, Carrara H, Heckmann JM. Isoniazid exposure and pyridoxine levels in human immunodeficiency virus associated distal sensory neuropathy. Int J Tuberc Lung Dis, 2015;19(11):1312-9 (159 adultos avaliados antes e depois do início da terapia antirretroviral; mais de 50% com deficiência de piridoxina, PLP < 25 nmol/L, apesar de suplementação com 2 a 4 mg/dia; deficiência mais frequente em quem tinha história de tuberculose; recomendação de priorizar suplementação adequada antes do início do tratamento). PubMed · DOI ↩