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VDRL: o exame de sífilis e o que o título quer dizer

O VDRL é o exame que acompanha a sífilis em títulos (1:2, 1:8, 1:64). O que o número significa, por que o teste rápido continua reagente e o efeito prozona.

Publicado em 6 de setembro de 202612 min de leituraEscrito pela Equipe Blood Analysis · Revisado e verificado por Julien Priour

O VDRL — sigla de Venereal Disease Research Laboratory — é o exame de sangue usado no Brasil para diagnosticar e, sobretudo, acompanhar a sífilis. Ele não devolve "positivo" ou "negativo": devolve um título, escrito na forma 1:2, 1:8, 1:64. Esse número sobe com a infecção e cai com o tratamento, e é por isso que ele é repetido meses a fio. Entender o que o título diz — e o que ele não diz — evita duas angústias comuns: achar que nunca se curou e achar que está tudo bem quando não está.

Em resumo

  • O VDRL é um teste não treponêmico: detecta anticorpos anticardiolipina, não específicos da bactéria Treponema pallidum. Serve para o diagnóstico e para o monitoramento do tratamento.1
  • O resultado é um título (1:2, 1:4, 1:8…). Cada diluição dobra; cair "duas diluições" significa que o título caiu quatro vezes.1
  • 🔴 Os testes treponêmicos são outra coisa. Teste rápido, FTA-Abs e TPHA permanecem reagentes por toda a vida em cerca de 85% das pessoas, mesmo depois de tratamento adequado. Um teste rápido reagente anos depois não significa doença ativa.1
  • 🔴 O efeito prozona pode dar um VDRL falsamente não reagente. Excesso de anticorpos impede a reação; a solução é diluir. O Ministério da Saúde exige que toda amostra seja testada pura e na diluição 1:8.2
  • No Brasil, a investigação começa pelo teste treponêmico, de preferência o teste rápido — o contrário do que muita gente imagina.1
  • Na gestação, o exame é feito três vezes: primeira consulta, terceiro trimestre e no parto.13
  • Em 2024 foram notificados 24.443 casos de sífilis congênita no país — o dado que explica todo o esforço de rastreamento.4

Não treponêmico contra treponêmico: a distinção que resolve tudo

Existem duas famílias de exames de sífilis, e confundi-las é a origem de quase todo o sofrimento desnecessário.

Os testes treponêmicos detectam anticorpos contra a própria bactéria. São os primeiros a ficar reagentes e incluem o teste rápido, o FTA-Abs, o TPHA/TPPA e os ensaios automatizados (ELISA, CMIA). O protocolo do Ministério da Saúde é explícito: em 85% dos casos eles permanecem reagentes por toda a vida, mesmo após o tratamento — e, por isso, não servem para acompanhar a resposta terapêutica.1

Os testes não treponêmicos — VDRL, RPR, USR, TRUST — não enxergam a bactéria. Eles detectam anticorpos IgM e IgG anticardiolipina, produzidos contra material liberado por células danificadas.2 Como esses anticorpos sobem e descem junto com a atividade da infecção, o VDRL é quantificável, e é ele que responde à pergunta "o tratamento funcionou?".

Daí a cena mais frequente: alguém tratado há cinco anos refaz um teste rápido, vê "reagente" e se assusta. O teste rápido é treponêmico — guarda a memória da infecção. Quem responde sobre o presente é o VDRL. A mesma lógica vale para as outras sorologias infecciosas do pré-natal.

O título: por que 1:64 não é "64 vezes pior" que 1:1

Para determinar o título, o laboratório dilui a amostra em fator dois — 1:2, 1:4, 1:8, 1:16, 1:32, 1:64, 1:128 e assim por diante — até a última diluição que ainda apresenta reatividade.1 Esse é o título liberado.

A consequência aritmética importa: uma diluição equivale a dois títulos. Quando o resultado cai de 1:64 para 1:16, isso são duas diluições, ou seja, o título caiu quatro vezes.1 É esse "quatro vezes" que os protocolos usam como referência de sucesso.

O protocolo adverte ainda contra um erro comum: analisar isoladamente o título de um único resultado. Textos antigos falavam em um ponto de corte acima do qual haveria doença ativa — ideia que "leva a decisões terapêuticas inadequadas". Títulos altos em queda aparecem em pessoas adequadamente tratadas, e títulos baixos aparecem em três situações: infecção recente, fases tardias e pessoas tratadas que ainda não negativaram.1 Ou seja: um VDRL só se lê ao lado do anterior, da data do tratamento e da avaliação clínica.

Cicatriz sorológica: quando o exame continua reagente e não é recaída

O manual chama de cicatriz sorológica (ou serofast) a persistência de resultados reagentes com títulos baixos depois do tratamento adequado, já descartada a reinfecção — em geral com queda prévia de pelo menos duas diluições.1 Isso não caracteriza falha terapêutica.

O fenômeno é comum. Em uma coorte prospectiva europeia, cerca de 20% das pessoas com sífilis recente não apresentam o padrão clássico de queda depois do tratamento.5 Um estudo que acompanhou 70 pessoas por VDRL durante 12 meses encontrou cura sorológica em 10% aos três meses e 62,8% aos doze — a negativação é lenta.6

O protocolo brasileiro define a resposta adequada como teste não treponêmico não reagente ou queda de duas diluições em até seis meses na sífilis recente, e em até 12 meses na sífilis tardia.1 Há ainda uma ressalva técnica útil: os testes não treponêmicos não são automatizados, então variações de uma única diluição (de 1:2 para 1:4) devem ser lidas com cautela — podem ser do observador, não da doença.1

O efeito prozona: o VDRL que dá negativo justamente quando há mais anticorpo

Este é o principal risco técnico do exame, e é contraintuitivo. Quando há excesso de anticorpos em relação ao antígeno, formam-se imunocomplexos solúveis e a reação simplesmente não aparece: a amostra pura sai não reagente, embora esteja cheia de anticorpos.1 É o fenômeno prozona, especialmente frequente na sífilis secundária, quando a produção de anticorpos é maior.2

O mecanismo é o mesmo efeito gancho que descrevemos na prolactina: saturação do ensaio devolvendo um valor baixo demais.

A conduta brasileira é uma regra, não uma sugestão. O manual técnico determina que, todas as vezes que se realizar qualquer teste não treponêmico, a amostra seja sempre testada pura e na diluição 1:8 — "procedimento padrão que deve ser adotado por todos os laboratórios".2 O protocolo acrescenta o passo simétrico: toda amostra reagente deve ser rediluída até o fim.1

Vale registrar o que não encontramos: as Recomendações da SBPC/ML — Boas Práticas em Laboratório Clínico não usam a palavra "prozona" nenhuma vez, em qualquer grafia. O manual conhece o vocabulário — "efeito gancho" aparece três vezes — e cita o VDRL seis vezes, inclusive no líquor da neurossífilis. Ele simplesmente não aplica o conceito a este exame.7 A orientação sobre prozona no Brasil vem do Ministério da Saúde.

Nos relatos publicados, o padrão se repete: dois casos de sífilis secundária com HIV deram RPR não reagente e viraram reagentes na diluição maior;8 um lactente foi diagnosticado com sífilis congênita aos três meses porque os exames maternos do pré-natal haviam saído negativos.9 Numa revisão sistemática de rastreamento na gestação, a prozona apareceu em 2,9% das amostras testadas sem diluir.10

Falsos reagentes: o que a lista oficial diz, e o que não diz

Como os anticorpos anticardiolipina também surgem em outras condições que destroem células, o VDRL pode dar reagente sem sífilis.2 O manual do Ministério separa duas listas:

Falso-reagentes transitórios (até 6 meses)Falso-reagentes permanentes (mais de 6 meses)
Após imunizaçõesUso de drogas injetáveis
Após infarto do miocárdioDoenças autoimunes
Doenças infecciosas febris (malária, hepatite, varicela, sarampo)Infecção pelo HIV
GravidezHanseníase, hepatite crônica, idade avançada

Duas ressalvas mudam a leitura. Em geral, os falso-reagentes têm títulos abaixo de 1:4, embora títulos altos também ocorram.2 E o manual adverte expressamente: "qualquer título nos resultados de testes não treponêmicos deve ser investigado como suspeita de sífilis sem qualquer ponto de corte".2 A lista existe para o médico interpretar, nunca para descartar sozinho um resultado. O protocolo, aliás, diverge no tom: chama os falso-reagentes de "raros", ainda que possíveis.1 Registramos as duas formulações.

No Brasil, a investigação começa pelo teste rápido

Aqui está a particularidade brasileira. O protocolo em vigor recomenda, "sempre que possível, iniciar a investigação por um teste treponêmico, preferencialmente o teste rápido" — e explica por quê: considerando a epidemia de sífilis no país e a sensibilidade dos fluxos, o teste treponêmico é o primeiro a ficar reagente.1 O manual técnico apresenta os dois fluxogramas, o convencional (começando pelo não treponêmico) e o reverso.2

Os testes rápidos são distribuídos pelo Ministério da Saúde aos estados, usam sangue de punção digital ou venosa, e o resultado sai em no máximo 30 minutos, o que permite tratar na mesma consulta.1 O diagnóstico se fecha com um teste de cada família.1

Na tabela do SUS (competência de agosto de 2026) a cobertura é ampla — com um achado curioso: a sigla "VDRL" não aparece uma única vez, porque a tabela nomeia o exame pela função:11

Procedimento (SIGTAP)CódigoValor
Teste rápido treponêmico (sífilis), população geral0214010074R$ 1,00
Teste rápido treponêmico (sífilis), gestante0214010252R$ 0,00
Teste não treponêmico, população geral0202031110R$ 2,83
Teste treponêmico laboratorial0202031381R$ 4,10
Teste FTA-Abs total0202031411R$ 20,00

Existem ainda códigos específicos para parceiro ou parceria de gestante e para a administração de penicilina.11 Sobre preços em geral, veja quanto custa um exame de sangue.

Na gestação: três momentos e um VDRL por mês

O rastreamento pré-natal é repetido, e o protocolo escreve devem, não podem. As gestantes devem ser testadas, no mínimo, na primeira consulta de pré-natal, no início do terceiro trimestre (28ª semana) e na internação para o parto — além de em caso de aborto ou natimorto.1

A Caderneta Brasileira da Gestante de 2026, entregue à própria gestante, imprime os três momentos na tabela de exames — "teste rápido para sífilis ou exame VDRL/RPR", ao lado do HIV, da hepatite B, da toxoplasmose e do hemograma — e reserva um campo para "Acompanhamento de sífilis — VDRL mensal".3 O protocolo confirma: em gestantes, o teste não treponêmico é mensal até o termo, contra trimestral no restante da população.1

Uma orientação prática merece destaque: diante de teste rápido reagente na gestação, não se espera o resultado do teste complementar para tratar — o retardo faz perder a oportunidade de evitar a transmissão vertical. Colhe-se o VDRL de linha de base no mesmo momento, idealmente no primeiro dia de tratamento, porque os títulos podem subir em poucos dias.1

Sífilis congênita: o número que explica o rastreamento

A sífilis congênita é de notificação compulsória no Brasil desde 1986.4 Em 2024 foram diagnosticados e notificados 24.443 casos em menores de 1 ano, com taxa de incidência de 9,6 por 1.000 nascidos vivos e 183 óbitos.4 No mesmo ano, 89.724 casos de sífilis em gestantes e 256.830 de sífilis adquirida.4

Aqui cabe corrigir uma impressão comum: a curva não segue subindo. A incidência cresceu até 2021, passou a apresentar estabilidade e, em 2024, teve redução de 5,0%; nos últimos três anos o país registrou 2.677 casos a menos.4 O desafio permanece grande, mas os dados oficiais descrevem estabilização com discreta queda, não escalada.

O acesso ao teste pesa. Um estudo ecológico em 257 municípios brasileiros encontrou incidência média de sífilis congênita 57% maior onde menos da metade dos serviços de atenção primária oferecia o teste rápido.12

Quando procurar um serviço de saúde

Procure atendimento se houver úlcera genital, anal ou oral sem causa aparente, mesmo indolor e mesmo que desapareça sozinha; se surgirem manchas na palma das mãos e na planta dos pés; se você estiver grávida e ainda não tiver feito o teste no trimestre atual; ou se um resultado reagente estiver parado em casa sem avaliação. O teste rápido é feito na unidade básica de saúde, e o tratamento com penicilina benzatina está disponível no SUS.111

Avanços recentes

A pesquisa recente vai em duas direções. A primeira é entender por que uma parte das pessoas não negativa: um estudo prospectivo de 2025 com 97 pacientes associou o estado serofast a polimorfismos do gene do IFN-γ e a níveis basais mais baixos dessa citocina, sugerindo que a sorologia persistente reflete um perfil imunológico, e não infecção em curso.5

A segunda direção é onde agir. Uma análise espaço-temporal de 2026 varreu os 645 municípios de São Paulo entre 2018 e 2022 e identificou 19 aglomerados de alto risco concentrados em 35 municípios — um instrumento para dirigir testagem e tratamento a onde a transmissão se mantém.13

Estas informações são gerais, não autorizam automedicação e não substituem a avaliação do seu médico.

Perguntas frequentes

Meu VDRL deu reagente. Eu tenho sífilis? Não necessariamente, e a resposta depende do segundo exame. O diagnóstico exige um teste de cada família — treponêmico e não treponêmico — somado à sua história clínica e ao registro de tratamentos anteriores.1

Fiz o tratamento e o VDRL continua reagente. Falhou? Provavelmente não. Chama-se cicatriz sorológica: reatividade persistente em título baixo após tratamento adequado, com queda prévia de pelo menos duas diluições. Não é falha terapêutica.1

O que significa VDRL 1:8? Que a amostra ainda reagiu na oitava diluição. O número sozinho não diz se a infecção está ativa: ele só ganha sentido comparado ao resultado anterior.1

Meu teste rápido deu reagente anos depois de tratar. Voltou? Testes rápidos são treponêmicos e permanecem reagentes por toda a vida em cerca de 85% das pessoas tratadas. Quem responde sobre atividade é o não treponêmico.1

Preciso estar em jejum para o VDRL? Não. É uma coleta de sangue comum; o teste rápido pode ser feito por punção digital.1

O VDRL pode dar negativo mesmo com sífilis? Pode, pelo efeito prozona — excesso de anticorpos. Por isso o Ministério da Saúde exige testar a amostra pura e diluída a 1:8.2

Grávida faz o exame quantas vezes? No mínimo três: primeira consulta, início do terceiro trimestre e no parto. Se houver tratamento, o VDRL passa a ser mensal.13

Para lembrar

O VDRL não é um exame de "sim ou não": é um número que se lê em série. Ele acompanha a sífilis ao longo do tempo, enquanto os testes treponêmicos guardam a memória de que ela existiu. Saber qual dos dois você fez muda a interpretação do papel na sua mão — e evita tanto o alarme falso quanto a falsa tranquilidade. A sífilis tem tratamento definido, disponível no SUS, e o exame que mostra se ele funcionou é justamente este.

Para entender os outros exames do seu laudo, use o glossário de exames de sangue ou converse com um profissional em aidiagme.com/pt.

Fontes

Fontes institucionais brasileiras e publicações científicas (PubMed) utilizadas neste guia:

Footnotes

  1. Ministério da Saúde (SVS/DCCI)Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), edição impressa de 2022 (ISBN), atualizada pela Portaria SCTIE/MS nº 12, de 19 de abril de 2021, que revogou a Portaria SCTIE/MS nº 42/2018. ⚠️ Versão em vigor verificada por leitura direta: a página oficial de PCDT do Ministério (gov.br/saude/…/pcdt/a/atencao-integral-as-pessoas-com-infeccoes-sexualmente-transmissiveis) serve hoje o PDF da própria portaria (404.331 caracteres extraídos), cujo art. 4º revoga a norma anterior; o texto normativo e a edição de 2022 coincidem nas passagens aqui citadas (ambos contêm "recomenda-se, sempre que possível, iniciar a investigação por um teste treponêmico, preferencialmente o teste rápido"). Trechos verificados no texto integral (464.591 caracteres, 11.976 linhas): classificação dos testes e "Em 85% dos casos, permanecem reagentes por toda vida, mesmo após o tratamento e, por isso, não são indicados para o monitoramento da resposta ao tratamento" ; "Sempre que um teste não treponêmico é realizado, é imprescindível analisar a amostra pura e diluída, em virtude do fenômeno prozona" ; "O resultado final dos testes reagentes, portanto, deve ser expresso em títulos (1:2, 1:4, 1:8 etc.)" ; "Quando os títulos da amostra diminuem em duas diluições (ex.: de 1:64 para 1:16), isso significa que o título da amostra caiu quatro vezes" ; "A análise isolada do título de um único resultado de um teste não treponêmico (ex.: VDRL, RPR) é um equívoco frequente […] Essa ideia leva a decisões terapêuticas inadequadas" ; "Resultados falso-reagentes, ainda que raros, são passíveis de ocorrer" ; cicatriz sorológica (serofast) "não caracteriza falha terapêutica" ; resposta adequada "queda na titulação em duas diluições em até seis meses para sífilis recente e […] em até 12 meses para sífilis tardia" ; "os testes não treponêmicos não são automatizados […] variações do título em uma diluição […] devem ser analisadas com cautela" ; monitoramento "mensalmente nas gestantes e, no restante da população […] a cada três meses até o 12º mês" ; "As gestantes devem ser testadas para sífilis, no mínimo, na primeira consulta de pré-natal, no início do terceiro trimestre e na internação para o parto" ; "O retardo do tratamento no aguardo de resultados do teste complementar faz com que o profissional perca tempo e a oportunidade de evitar a transmissão vertical" ; testes rápidos "distribuídos pelo Ministério da Saúde para os estados […] leitura do resultado em, no máximo, 30 minutos". PDF (gov.br/aids) 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28

  2. Ministério da Saúde (SVS/DCCI)Manual Técnico para o Diagnóstico da Sífilis, 2ª edição, Brasília, 2021 (o manual é aprovado pela Portaria nº 2.012, de 19 de outubro de 2016, que prevê sua revisão; a 2ª edição unifica os fluxogramas anteriores e apresenta a abordagem convencional e a reversa). ⚠️ Os metadados do PDF trazem data de criação de março de 2022; a edição declarada no corpo do documento é de 2021 — registramos as duas. Trechos verificados por leitura direta (134.485 caracteres): "Os testes não treponêmicos detectam anticorpos IgM e IgG anticardiolipina não específicos para T. pallidum" ; "Resultados falso-não reagentes podem ocorrer em virtude do fenômeno prozona, especialmente na sífilis secundária, quando há grande produção de anticorpos" ; "é fundamental que, todas as vezes que se realizar qualquer teste não treponêmico, a amostra seja sempre testada pura e na diluição 1:8. Esse é um procedimento padrão que deve ser adotado por todos os laboratórios" ; "Geralmente, os resultados falso-reagentes apresentam títulos com diluições inferiores a 1:4" ; "qualquer título nos resultados de testes não treponêmicos deve ser investigado como suspeita de sífilis sem qualquer ponto de corte" ; Quadro 2 (situações transitórias e permanentes) reproduzido acima. ⚠️ O Quadro 2 é uma tabela de duas colunas: a extração simples do PDF entrelaça as duas listas e as torna ilegíveis ; os itens aqui publicados foram lidos na extração com preservação de layout, em que as colunas ficam separadas. PDF (gov.br/saude) 2 3 4 5 6 7 8 9

  3. Ministério da Saúde — Secretaria de Atenção Primária à SaúdeCaderneta Brasileira da Gestante, Brasília, 2026. PDF de 9.439.119 bytes verificado por leitura direta (180.650 caracteres). Tabela de exames do pré-natal: "1º trimestre de gestação ou 1ª consulta de pré-natal — Teste rápido para sífilis ou exame VDRL (Venereal Disease Research Laboratory) / RPR (Rapid Plasma Reagin)" ; "3º trimestre de gestação — Teste rápido para sífilis e/ou exame VDRL/RPR" ; "No parto ou pós-parto imediato — Teste rápido para HIV ; Teste rápido para sífilis ou exame VDRL/RPR". A ficha de acompanhamento traz os campos "VDRL inicial", "Controle VDRL" e o quadro "Acompanhamento de sífilis - VDRL mensal". ⚠️ Piso de URL medido: das três URL de gov.br apontadas por buscadores para este documento, duas devolvem 404 application/json de 26 bytes ; só …/saude-de-a-a-z/s/saude-da-mulher/publicacoes/caderneta-brasileira-da-gestante.pdf/@@download/file devolve 200 application/pdf (controle negativo com nome inventado: 404 de 26 bytes). PDF (gov.br/saude) 2 3

  4. Ministério da Saúde — Secretaria de Vigilância em Saúde e AmbienteBoletim Epidemiológico de Sífilis, Número Especial, outubro de 2025 (dados do Sinan, Sinasc e SIM). Números verificados por leitura direta do PDF (202.037 caracteres): "No Brasil, em 2024, foram registrados 256.830 casos de sífilis adquirida, resultando em uma taxa de detecção de 120,8 casos por 100.000 habitantes. No mesmo ano, registraram-se 89.724 casos de sífilis em gestantes, com uma taxa de 35,4 casos por 1.000 nascidos vivos" ; "Em 2024, foram diagnosticados e notificados 24.443 casos, com taxa de incidência de 9,6 por 1.000 nascidos vivos, e 183 óbitos" ; "Em 2024, foram registrados 24.443 casos, o que representa uma redução de 2,3% em comparação ao ano anterior" ; "A taxa de incidência de sífilis congênita, que vinha apresentando aumento, passou a exibir sinais de estabilidade a partir de 2021 (10,1 casos por 1.000 NV) e, em 2024, mostrou uma discreta redução de 5,0%" ; "Nos últimos três anos, o país registrou 2.677 casos a menos" ; notificação compulsória da sífilis congênita pela Portaria nº 542, de 22 de dezembro de 1986. PDF (gov.br/saude) 2 3 4 5

  5. Kaminiów K, Kiołbasa M, Pastuszczak M. IFN-γ gene polymorphisms +874 T/A and +2109 A/G are associated with the serofast state after early syphilis treatment: a prospective observational study. Front Immunol, 2025;16:1602527 (97 pessoas com sífilis recente ; "in approximately 20% of patients with early syphilis, the classical serological response pattern is absent following treatment" ; genótipos de baixa produção de IFN-γ significativamente mais frequentes no grupo serofast). Fonte internacional, citada por não termos localizado coorte brasileira equivalente. PubMed · DOI 2

  6. Sethi S, Kanaujia R, Sankaranantham M, Sharma N, Kaur K, Chaudhry H. Predictors of serological cure and serofast stage after treatment in patients with syphilis: A retrospective study from India. Indian J Sex Transm Dis AIDS, 2025;46(2):155-158 (70 pacientes acompanhados por VDRL durante 12 meses ; cura sorológica de 10% aos 3 meses, 41,4% aos 6, 50% aos 9 e 62,8% aos 12 ; melhor resposta abaixo dos 25 anos e com título inicial > 1:16). Fonte internacional, citada por não termos localizado série brasileira equivalente com seguimento de 12 meses. PubMed · DOI

  7. Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML)Recomendações da SBPC/ML: boas práticas em laboratório clínico. Ausência verificada por varredura do texto integral (1.558.807 caracteres, 23.815 linhas, extraídos do PDF de 16.055.655 bytes): zero ocorrência de "prozona", e igualmente zero para "pró-zona", "pro-zona", "zona de excesso" e "excesso de anticorpo". Controles positivos na mesma varredura: "efeito gancho" → 3 ocorrências (marcadores tumorais e crítica geral aos imunoensaios em endocrinologia) ; "VDRL" → 6 (avaliação laboratorial de pessoas trans e diagnóstico liquórico da neurossífilis) ; "sífilis" → 7 ; "cardiolipina" → 3. O vocabulário do fenômeno e o exame estão ambos no manual ; o conceito simplesmente não é aplicado ao VDRL. PDF

  8. Awake P, Angadi K, Sen S, Bhadange P. Prozone phenomenon in secondary syphilis with HIV co-infection: Two cases. Indian J Sex Transm Dis AIDS, 2022;43(2):183-185 (dois casos de sífilis secundária com coinfecção por HIV, inicialmente não reagentes no RPR e positivos após diluições maiores). PubMed · DOI

  9. Catueno S, Tsou PY, Wang YH, Becker E, Fergie J. Congenital Syphilis and the Prozone Phenomenon: Case Report. Pediatr Infect Dis J, 2022;41(6):e268-e270 (lactente de 3 meses diagnosticado com sífilis congênita cuja mãe fizera pré-natal com testes negativos ; os autores atribuem o atraso diagnóstico a resultado falso-negativo materno por efeito prozona). PubMed · DOI

  10. Lin JS, Eder ML, Bean SI. Screening for Syphilis Infection in Pregnant Women: Updated Evidence Report and Systematic Review for the US Preventive Services Task Force. JAMA, 2018;320(9):918-925 (revisão sistemática ; um estudo com 139 amostras demonstrou o fenômeno prozona em 2,9% das triagens por RPR sem diluição ; falso-positivos com imunoensaios treponêmicos frequentes, 46,5%–88,2%, justificando teste confirmatório reflexo). Fonte internacional, citada por complementar as fontes brasileiras com dados quantitativos de rastreamento. PubMed · DOI

  11. Ministério da Saúde / DATASUSSIGTAP: Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS, competência 08/2026 (arquivo tb_procedimento.txt, 1.697.774 bytes, 5.023 linhas, campo DT_COMPETENCIA uniforme em 202608). Valores lidos por decodificação de colunas fixas no campo VL_SA: 0214010074 "TESTE RÁPIDO TREPONÊMICO (SÍFILIS) PARA POPULAÇÃO GERAL" R$ 1,00 ; 0214010252 "…EM GESTANTE" R$ 0,00 ; 0214010260 "…EM PARCEIRO OU PARCERIA DE GESTANTE" R$ 0,00 ; 0202031110 "TESTE NÃO TREPONEMICO P/ DETECÇÃO DE SIFILIS PARA POPULAÇÃO GERAL" R$ 2,83 ; 0202031179 "…EM GESTANTES" R$ 2,83 ; 0202031624 "…EM PARCEIRO OU PARCERIA DE GESTANTE" R$ 2,83 ; 0202031381 "TESTE TREPONÊMICO LABORATORIAL…" VL_SA R$ 4,10 (VL_SH R$ 5,00) ; 0202031411 "TESTE FTA-ABS TOTAL…" R$ 20,00 ; 0202080234 "EXAMES DIRETOS PARA PESQUISA DE TREPONEMA PALLIDUM" R$ 5,04 ; 0301100241 "ADMINISTRAÇÃO DE PENICILINA PARA TRATAMENTO DE SÍFILIS" R$ 0,00. 🔴 Ausência demonstrada por varredura completa: a sigla VDRL devolve 0 linha nas 5.023 da tabela, assim como V.D.R.L, WASSERMAN, TPHA e RPR (as duas ocorrências de RPR são substrings de "CLORPROMAZINA" e "INTERPROXIMAL"). Controle positivo contendo a expressão buscada em outro contexto: a tabela usa siglas entre parênteses para exames laboratoriais — "DETERMINAÇÃO DE VELOCIDADE DE HEMOSSEDIMENTAÇÃO (VHS)" — e usa a sigla FTA-ABS em três procedimentos ; a ausência de "VDRL" não é, portanto, um artefato de formatação, mas escolha de nomenclatura funcional. Raízes SIFILIS → 13 linhas, TREPONEM → 10. Normalização de acentos ativa e medida: 2.510 das 5.023 linhas contêm caracteres acentuados. Decodificação validada contra valores já publicados de forma independente noutras fichas: hemograma 0202020380 = R$ 4,11 ; ferritina 0202010384 = R$ 15,59 ; VHS 0202020150 = R$ 2,73. ⚠️ Uma presença na SIGTAP estabelece a cobertura, nunca a recomendação clínica: a recomendação citada nesta página vem do PCDT, não da tabela. Página oficial (DATASUS) 2 3

  12. Costa IB, Pimenta IDSF, Aiquoc KM, Oliveira ÂGRDC. Congenital syphilis, syphilis in pregnancy and prenatal care in Brazil: An ecological study. PLoS One, 2024;19(6):e0306120 (estudo ecológico brasileiro com 257 municípios de ≥ 100.000 habitantes ; incidência média de sífilis congênita 57% maior onde menos de 50% dos serviços de atenção primária ofereciam teste rápido para sífilis, razão de médias 1,57, p < 0,001). PubMed · DOI

  13. Donida GCC, Carasek VP, da Silva JC, Palasio RGS, de Melo Sérgio MG, Chiaravalloti Neto F, Wernet M, Yamamura M. Multivariate spatiotemporal risk of syphilis cases in São Paulo, Brazil (2018-2022). BMC Prim Care, 2026;27(1):258 (645 municípios paulistas ; 199.270 casos de sífilis adquirida, 72.132 gestacionais e 20.059 congênitos ; 19 aglomerados espaciais de alto risco distribuídos por 35 municípios). PubMed · DOI

Aviso médico. Este guia tem finalidade informativa e educativa; não constitui aconselhamento médico e não substitui uma consulta. Os valores de referência variam conforme o laboratório e a técnica: só o seu médico pode interpretar os seus resultados no seu contexto.