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Lipidograma: valores de referência e metas de LDL

O que o lipidograma mede, por que o jejum deixou de ser obrigatório no Brasil desde 2016 e as metas de LDL por categoria de risco na diretriz de 2025.

Atualizado em 4 de setembro de 202616 min de leituraEscrito pela Equipe Blood Analysis · Revisado e verificado por Julien Priour

O lipidograma é o painel que mede as gorduras que circulam no seu sangue. No pedido médico e no laudo ele também aparece como perfil lipídico — os dois nomes designam exatamente o mesmo exame. Ele reúne quatro medidas clássicas: colesterol total, LDL, HDL e triglicérides. Este guia explica o que cada uma significa, quais são os valores de referência brasileiros em vigor, e por que o Brasil foi um dos países que dispensou o jejum obrigatório para esse exame.

Em resumo

  • O lipidograma mede quatro parâmetros: colesterol total, LDL-c, HDL-c e triglicérides. O laudo costuma acrescentar o colesterol não-HDL, que é um simples cálculo.
  • O jejum deixou de ser obrigatório, mas não foi abolido: desde 2016 um consenso de cinco sociedades brasileiras o flexibilizou, e a diretriz de 2025 diz que é aceitável colher sem jejum — o laboratório continua obrigado a registrar no laudo o tempo de jejum, e só os triglicérides mudam de referência.12
  • um parâmetro muda de valor de referência conforme o jejum: os triglicérides (< 150 mg/dL em jejum de 12 h, < 175 mg/dL sem jejum). Colesterol total, LDL, HDL e não-HDL não sofrem influência do estado alimentar.2
  • Se os triglicérides passarem de 440 mg/dL numa coleta sem jejum, a recomendação é repetir com jejum de 12 horas.13
  • Não existe um único valor normal de LDL. A meta depende da sua categoria de risco cardiovascular — de < 115 mg/dL no risco baixo a < 40 mg/dL no risco extremo.2
  • Desde 2025 a SBC recomenda calcular o LDL pela equação de Martin/Hopkins, e não mais pela fórmula de Friedewald.24
  • No SUS, as quatro dosagens têm códigos próprios na tabela SIGTAP e somam R$ 12,38.5
  • Nenhum número isolado fecha um diagnóstico: o lipidograma se lê junto com a sua idade, o seu histórico e o seu risco global, com o seu médico.

O que é o lipidograma

As gorduras não se dissolvem no sangue. Para circular, elas viajam dentro de partículas chamadas lipoproteínas. O lipidograma não mede a gordura solta: ele mede quanto colesterol está dentro de cada tipo de lipoproteína.

  • O LDL-c é o colesterol transportado pelas lipoproteínas de baixa densidade. É a fração que se deposita na parede das artérias — daí o apelido de "colesterol ruim".
  • O HDL-c é o colesterol das lipoproteínas de alta densidade, ligado ao transporte reverso.
  • Os triglicérides são outro tipo de gordura, transportada sobretudo por quilomícrons e VLDL.
  • O colesterol total é a soma de tudo. Justamente por ser uma soma, é o parâmetro menos informativo dos quatro.

O laudo brasileiro quase sempre traz um quinto número, o colesterol não-HDL, obtido por uma subtração simples: colesterol total menos HDL-c. Ele estima todas as partículas que causam aterosclerose de uma vez só, e tem uma vantagem prática — os triglicérides não interferem no seu cálculo, o que o torna confiável mesmo sem jejum.1

Os quatro exames do painel

Cada fração tem a sua própria página neste site, com valores, causas de alteração e limites de interpretação:

Por que o médico pede o lipidograma

O lipidograma quase nunca é pedido para responder "você tem colesterol alto?". Ele é pedido para alimentar um cálculo de risco cardiovascular — a probabilidade de você ter um infarto ou um AVC nos próximos anos. Os motivos mais comuns:

  • avaliar o risco cardiovascular num check-up, sobretudo a partir dos 40 anos ou antes disso quando há histórico familiar;
  • acompanhar um tratamento com estatina, para verificar se a meta foi atingida;
  • investigar uma hipercolesterolemia familiar, doença genética que eleva o LDL desde a infância;
  • rastrear complicações do diabetes tipo 2, da doença renal crônica ou do hipotireoidismo.

Quem define essas regras no Brasil são duas sociedades científicas, cada uma no seu campo: a SBC para a parte clínica e as metas,6 e a SBPC/ML para a parte laboratorial — coleta, laudo e método.7

Como é feito o exame

A coleta é uma punção venosa comum, com o sangue indo para um tubo do qual se obtém o soro. Não há preparo especial além do que o médico tiver pedido quanto ao jejum.

Vale saber o que o seu laudo é obrigado a conter. A RDC nº 786/2023 da ANVISA, que regula os serviços de análises clínicas, exige no artigo 138 que o laudo traga a unidade de medição e os valores de referência do próprio laboratório ao lado de cada resultado.8 É por isso que os intervalos impressos no seu exame podem não coincidir exatamente com os que você encontra na internet: eles pertencem àquele laboratório, àquele método e àquele equipamento.

Um alerta prático: garrote apertado por tempo excessivo e hemólise da amostra distorcem os resultados, sobretudo o LDL-c.3 Se um valor vier muito fora do esperado, vale considerar a hipótese técnica antes da clínica.

O lipidograma exige jejum?

Não. Esta é a informação mais mal reproduzida sobre o exame no Brasil, e vale entender a história.

Em 2016, cinco sociedades científicas brasileiras assinaram em conjunto o Consenso Brasileiro para a Normatização da Determinação Laboratorial do Perfil Lipídico: a SBPC/ML (Patologia Clínica/Medicina Laboratorial), a SBAC (Análises Clínicas), a SBC (Cardiologia, pelo Departamento de Aterosclerose), a SBD (Diabetes) e a SBEM (Endocrinologia e Metabologia). O documento foi publicado na forma de posicionamento nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia em março de 2017.1

O consenso lista seis motivos para dispensar o jejum. Vale destacar três, no texto original:

  • o estado alimentado predomina durante a maior parte do dia, e por isso representa melhor o impacto real dos lípides no risco cardiovascular;
  • a coleta sem jejum é mais segura para pessoas com diabetes em uso de insulina (risco de hipoglicemia), gestantes, crianças e idosos;
  • colesterol total, HDL-c, não-HDL-c e LDL-c não diferem significativamente entre o estado pós-prandial e o de jejum.1

Um esclarecimento honesto sobre a cronologia: o Brasil agiu cedo, mas não sozinho nem primeiro. A referência número 1 do próprio consenso brasileiro é o posicionamento conjunto da European Atherosclerosis Society e da EFLM, publicado no mesmo ano — citado aqui como fonte internacional, em complemento à posição brasileira.9

A Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2025, da SBC, manteve e reforçou a posição. Suas recomendações, na íntegra:

  • "Para a avaliação inicial, é aceitável obter a amostra sem jejum, em particular em populações selecionadas, como crianças e idosos" — força FORTE, certeza MODERADA;
  • "Se os triglicérides estiverem elevados (> 440 mg/dL) em amostra sem jejum, recomenda-se nova coleta em jejum de 12 horas, de acordo com critério do médico solicitante" — força FORTE.2

A SBPC/ML repete a mesma regra nas suas recomendações de boas práticas em laboratório clínico.3

Uma divergência dentro da própria diretriz

Aqui as fontes não fecham, e este guia prefere mostrar as duas posições em vez de escolher uma.

Na seção sobre a coleta, a diretriz de 2025 diz que a amostra sem jejum é aceitável "em particular em populações selecionadas, como crianças e idosos". Mas no capítulo sobre dislipidemia na infância, o mesmo documento afirma: "Em crianças e adolescentes, a análise deve ser feita após jejum de 8 a 9 horas", e descreve o rastreamento universal entre 9 e 11 anos e entre 17 e 21 anos como "preferencialmente em jejum".2

As duas frases estão no mesmo texto e apontam em direções opostas para o mesmo grupo. Na prática, quem decide é o médico que pediu o exame — e é ele quem informa ao laboratório o tempo de jejum desejado.

O que o laboratório é obrigado a escrever

A diretriz de 2025 é explícita: o laboratório deve informar no laudo o tempo de jejum — "sem jejum" ou "com jejum de 12 horas" —, e deve trazer os valores de referência de triglicérides nas duas condições.2 Se o seu laudo não diz em que condição a amostra foi colhida, essa informação está faltando.

Valores de referência do lipidograma

A tabela abaixo reproduz os valores da Tabela 3.1 da diretriz da SBC de 2025, para adultos acima de 20 anos. Repare na coluna do jejum: só os triglicérides mudam.

ParâmetroEm jejum (12 h)Sem jejum
Colesterol total< 190 mg/dL< 190 mg/dL
Triglicérides< 150 mg/dL< 175 mg/dL
HDL-c> 40 mg/dL> 40 mg/dL
LDL-cconforme o riscoconforme o risco
Não-HDL-cconforme o riscoconforme o risco

Para crianças e adolescentes, o consenso brasileiro traz valores desejáveis próprios: colesterol total < 170 mg/dL, HDL-c > 45 mg/dL, LDL-c < 110 mg/dL, e triglicérides < 75 mg/dL dos 0 aos 9 anos e < 90 mg/dL dos 10 aos 19 anos (em jejum).1

Há ainda um limiar que serve de alerta, e que a SBPC/ML recomenda imprimir no laudo: colesterol total ≥ 310 mg/dL em adultos, ou ≥ 230 mg/dL em crianças e adolescentes, pode indicar hipercolesterolemia familiar, se descartadas as causas secundárias.3

As metas de LDL por categoria de risco

Esta é a parte do lipidograma que mais confunde: não existe um valor normal único de LDL. O alvo depende do seu risco cardiovascular, estimado pelo médico. A diretriz de 2025 trabalha com cinco categorias — a última, "risco extremo", não existia na versão anterior.

Categoria de riscoMeta de LDL-cMeta de não-HDL-cMeta de ApoB
Baixo< 115 mg/dL< 145 mg/dL< 100 mg/dL
Intermediário< 100 mg/dL< 130 mg/dL< 90 mg/dL
Alto< 70 mg/dL< 100 mg/dL< 70 mg/dL
Muito alto< 50 mg/dL< 80 mg/dL< 55 mg/dL
Extremo< 40 mg/dL< 70 mg/dL< 45 mg/dL

Estas são as metas brasileiras, tiradas da Tabela 5.1 da diretriz da SBC — não são traduções de recomendações europeias ou americanas.2

Como as categorias são definidas, resumidamente:

  • Baixo: risco calculado < 5% em 10 anos, sem agravantes e sem diabetes tipo 2.
  • Intermediário: 5% a < 20% em 10 anos sem agravantes; ou LDL-c entre 160 e 189 mg/dL.
  • Alto: ≥ 20% em 10 anos; ou LDL-c ≥ 190 mg/dL; ou aterosclerose subclínica documentada.
  • Muito alto: obstrução aterosclerótica ≥ 50% ou evento cardiovascular prévio.
  • Extremo: múltiplos eventos cardiovasculares maiores, ou um evento maior com duas condições de alto risco.2

Além do valor absoluto, a diretriz define uma redução percentual: pelo menos 30% do LDL-c nos riscos baixo e intermediário, e pelo menos 50% nos riscos alto, muito alto e extremo.2

O que mudou desde o consenso de 2016

Comparando a tabela do consenso brasileiro de 2016 com a tabela da diretriz de 2025, três mudanças saltam aos olhos — e todas apertam a régua:

  • as categorias de risco passaram de quatro para cinco, com a criação do risco extremo e sua meta de LDL-c < 40 mg/dL;
  • a meta de LDL-c do risco baixo caiu de < 130 mg/dL para < 115 mg/dL;
  • a meta de não-HDL-c do risco baixo caiu de < 160 mg/dL para < 145 mg/dL.12

As metas dos riscos alto e muito alto (< 70 e < 50 mg/dL) permaneceram iguais. A diretriz de 2025 também acrescentou a apolipoproteína B como meta secundária e a lipoproteína(a) na estratificação de risco — esta última sem meta terapêutica definida.2

Se você guardou um exame antigo, o LDL considerado "desejável" na época pode já não ser o alvo de hoje. Isso não significa que o seu resultado piorou: a referência é que mudou.

Como o LDL é calculado no Brasil

Na maioria dos laboratórios brasileiros o LDL não é dosado diretamente: ele é calculado a partir dos outros três resultados. E o método mudou.

Durante décadas usou-se a fórmula de Friedewald, que estima o colesterol da VLDL dividindo os triglicérides por um número fixo (5, em mg/dL). Ela tem duas fraquezas conhecidas: perde precisão com triglicérides altos e exige jejum.

A diretriz de 2025 abandonou essa recomendação. O texto é direto: "Recomenda-se a favor do uso da equação de Martin/Hopkins para cálculo de LDL-c para todos os indivíduos" — força FORTE, certeza MODERADA.2

A equação de Martin/Hopkins usa a mesma estrutura — LDL-c = colesterol total − HDL-c − triglicérides/x —, mas o divisor x não é fixo: ele varia de 3,1 a 11,9, escolhido conforme os valores de não-HDL-c e de triglicérides da sua própria amostra.24 O que sustenta a escolha é uma comparação de 23 equações diferentes num banco de 5.051.467 pacientes, em que a de Martin/Hopkins teve o melhor desempenho.10

Duas ressalvas que a própria diretriz faz:

  • todas as fórmulas perdem exatidão com triglicérides muito altos, sobretudo acima de 800 mg/dL;
  • nessa faixa, o LDL-c calculado por Martin pode vir subestimado, e a recomendação é avaliar o colesterol não-HDL em seu lugar.2

Vale conferir no seu laudo qual método foi usado. Como a troca é recente, nem todo laboratório brasileiro já migrou, e a mesma amostra pode gerar valores de LDL diferentes conforme a fórmula.

Mas o SUS ainda manda usar Friedewald

Aqui há uma divergência brasileira real, e este guia publica as duas posições lado a lado em vez de escolher uma. O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Dislipidemia do Ministério da Saúde, aprovado pela Portaria Conjunta nº 8, de 30 de julho de 2019 e ainda servido pelo ministério, diz o seguinte:

"A dosagem direta do LDL-C não é necessária, podendo o cálculo ser feito por meio da fórmula de Friedewald [...] quando o valor dos triglicérides for inferior a 400 mg/dL."

Acima desse valor, o protocolo manda usar o colesterol não-HDL, com alvo 30 mg/dL acima do alvo de LDL-c.11 Na prática: o teto de triglicérides a partir do qual o seu LDL calculado deixa de valer é de 400 mg/dL pelo protocolo do SUS e de 800 mg/dL pela diretriz da SBC de 2025.

Um detalhe revelador: o PCDT não trata do jejum. A palavra não aparece uma única vez nas suas 31 páginas.11

O lipidograma no SUS: códigos e valores

O SUS cobre o lipidograma, mas com uma particularidade: não existe um código único para o painel. Na Tabela de Procedimentos do SUS (SIGTAP), mantida pelo Ministério da Saúde via DATASUS, cada dosagem tem o seu código e o seu valor. Na competência de agosto de 2026:

ProcedimentoCódigo SIGTAPValor
Dosagem de colesterol total0202010295R$ 1,85
Dosagem de colesterol HDL0202010279R$ 3,51
Dosagem de colesterol LDL0202010287R$ 3,51
Dosagem de triglicérides0202010678R$ 3,51
Eletroforese de lipoproteínas0202010716R$ 3,68

As quatro dosagens do lipidograma somam R$ 12,38.5

Duas ausências merecem registro, verificadas por varredura nos 5.023 procedimentos da tabela: nenhum procedimento se chama "lipidograma" ou "perfil lipídico", e não há código para apolipoproteína B nem para lipoproteína(a) — os dois biomarcadores que a diretriz de 2025 incorporou às suas metas e à estratificação de risco.52 Na prática, ApoB e Lp(a) ficam hoje fora da tabela do SUS. Se você quiser comparar com o setor privado, veja quanto custa um exame de sangue.

O que os números dizem sobre os brasileiros

Vale ancorar o exame em dados medidos no Brasil, e não em extrapolações.

Na Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2014-2015, amostras de sangue de 8.534 adultos deram um colesterol total médio de 185 mg/dL e um LDL-c médio de 105 mg/dL. Estimou-se que uma em cada três pessoas tinha colesterol total acima de 200 mg/dL, e uma em cada cinco tinha LDL-c acima de 130 mg/dL — com prevalências maiores no sexo feminino e entre pessoas de menor escolaridade.212

O ELSA-Brasil, coorte de 15.105 servidores públicos de seis capitais, foi usado para estimar a frequência da hipercolesterolemia familiar no país: 3,8 por 1.000 pessoas, ou 1 em cada 263. A taxa foi maior em mulheres (1:244) do que em homens (1:333), e mais alta entre pessoas pardas (1:204) e pretas (1:156) do que entre brancas (1:417).13

Perguntas frequentes

Lipidograma e perfil lipídico são a mesma coisa? Sim. São dois nomes para o mesmo painel de exames. "Lipidograma" é o termo mais usado nos laboratórios brasileiros; "perfil lipídico" é o mais frequente nos documentos científicos.

Posso comer antes do lipidograma? Sim, na avaliação inicial. A recomendação brasileira é FORTE nesse sentido desde 2016.12 O bom senso continua valendo: uma refeição habitual, sem sobrecarga de gordura. E se o médico pediu um tempo específico de jejum, siga o pedido dele.

Meu LDL está "normal" no laudo, mas o médico quer baixar. Por quê? Porque a faixa impressa no laudo costuma corresponder ao risco baixo. Se você já teve um infarto, ou tem diabetes com complicações, a sua meta pode ser < 50 mg/dL ou até < 40 mg/dL.2 O número não mudou — a régua é que é outra.

Preciso repetir o exame se veio alterado? Frequentemente, sim. A SBPC/ML recomenda confirmar qualquer alteração com uma nova amostra, colhida idealmente com intervalo mínimo de uma semana da primeira.3

Por que os triglicérides mudam com o jejum e o colesterol não? Porque a refeição faz o intestino despejar gordura na circulação em forma de triglicérides, num pico que dura horas. O colesterol carregado pelas outras lipoproteínas praticamente não se move nesse intervalo — foi exatamente essa constatação que sustentou a flexibilização do jejum.1

O lipidograma sozinho diz se vou ter um infarto? Não. Ele é um dos componentes do cálculo de risco, ao lado de idade, sexo, pressão arterial, tabagismo e diabetes. É por isso que a diretriz define metas por categoria de risco, e não um valor único para todo mundo.2

O que levar deste guia

O lipidograma é um exame barato, rápido e — desde 2016 no Brasil — sem exigência de jejum na avaliação inicial. Guarde três coisas: só os triglicérides mudam de referência conforme o jejum; não existe um LDL normal universal, e sim uma meta que depende da sua categoria de risco; e o cálculo do LDL passou a ser recomendado pela equação de Martin/Hopkins desde a diretriz de 2025. Se quiser conferir o vocabulário do seu laudo, o glossário de exames de sangue e a página sobre a composição do sangue ajudam. Para converter unidades entre mg/dL e mmol/L, use o conversor de unidades. E para uma leitura do conjunto do seu laudo, o AI DiagMe é um complemento à avaliação do seu médico — nunca um substituto.

Fontes

Fontes institucionais brasileiras e publicações científicas (PubMed) utilizadas neste guia:

Footnotes

  1. SBPC/ML, SBAC, SBC (Departamento de Aterosclerose), SBD e SBEMConsenso Brasileiro para a Normatização da Determinação Laboratorial do Perfil Lipídico (2016), publicado como Scartezini M, Ferreira CEDS, Izar MCO, Bertoluci M, Vencio S, Campana GA, et al. Posicionamento sobre a Flexibilização do Jejum para o Perfil Lipídico. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, 2017; 108(3): 195-197. Documento primário da flexibilização do jejum no Brasil, com as Tabelas I e II de valores referenciais. PDF do consenso (SBAC) · PubMed · DOI 2 3 4 5 6 7 8 9

  2. Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) — Rached FH, Miname MH, Rocha VZ, Zimerman A, Cesena FHY, Sposito AC, et al. Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2025. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, 2025; 122(9): e20250640. Documento em vigor, que atualiza e expande a Atualização de 2017. Seções consultadas no texto integral: 2 (Epidemiologia), 3.1.1.2.2 (coleta e jejum), 3.1.1.2.2.3 (cálculo do LDL-c), 3.1.1.2.2.7 e Tabela 3.1 (valores referenciais), Tabelas 4.1 e 5.1 (categorias de risco e metas), 9.10 (infância). PubMed · SciELO · DOI 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20

  3. Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML)Recomendações da SBPC/ML: Boas práticas em laboratório clínico. Barueri: Manole, 2020. Capítulos sobre variação pré-analítica, jejum, e diagnóstico laboratorial da hipercolesterolemia familiar (coleta sem jejum, repetição com jejum de 12 h acima de 440 mg/dL de triglicérides, limiares de colesterol total para rastreamento de HF e confirmação de alterações em nova amostra). PDF 2 3 4 5

  4. Martin SS, Blaha MJ, Elshazly MB, Toth PP, Kwiterovich PO, Blumenthal RS, et al. Comparison of a novel method vs the Friedewald equation for estimating low-density lipoprotein cholesterol levels from the standard lipid profile. JAMA, 2013; 310(19): 2061-2068. Publicação original da equação de Martin/Hopkins, adotada pela SBC em 2025. PubMed · DOI 2

  5. Ministério da Saúde / DATASUSSIGTAP: Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS, competência 08/2026 (arquivo TabelaUnificada_202608, tabela tb_procedimento). Códigos e valores das dosagens de colesterol total, HDL, LDL e triglicérides; ausência de procedimento para "lipidograma", apolipoproteína B e lipoproteína(a) verificada por varredura dos 5.023 procedimentos da tabela. Download oficial (FTP DATASUS) 2 3

  6. Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) — sociedade científica responsável pelas diretrizes brasileiras de dislipidemias e prevenção da aterosclerose. portal.cardiol.br

  7. Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) — sociedade científica brasileira de referência em medicina laboratorial, cossignatária do consenso de 2016 sobre o perfil lipídico. sbpc.org.br

  8. ANVISA — Resolução da Diretoria Colegiada RDC nº 786, de 5 de maio de 2023, sobre os requisitos técnico-sanitários para o funcionamento dos serviços que realizam exames de análises clínicas. Artigos 137 e 138: conteúdo obrigatório do laudo, incluindo unidade de medição e valores de referência. PDF

  9. Fonte internacional, citada em complemento à posição brasileira. Nordestgaard BG, Langsted A, Mora S, Kolovou G, Baum H, Bruckert E, et al. Fasting is not routinely required for determination of a lipid profile: clinical and laboratory implications including flagging at desirable concentration cut-points — a joint consensus statement from the European Atherosclerosis Society and European Federation of Clinical Chemistry and Laboratory Medicine. European Heart Journal, 2016; 37(25): 1944-1958. Referência número 1 do consenso brasileiro de 2016. PubMed · DOI

  10. Samuel C, Park J, Sajja A, Michos ED, Blumenthal RS, Jones SR, et al. Accuracy of 23 equations for estimating LDL cholesterol in a clinical laboratory database of 5,051,467 patients. Global Heart, 2023; 18(1): 36. PubMed · DOI

  11. Ministério da Saúde (SAES/SCTIE) e ConitecProtocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Dislipidemia: prevenção de eventos cardiovasculares e pancreatite, aprovado pela Portaria Conjunta nº 8, de 30 de julho de 2019, em reedição posterior à Portaria SCTIE/MS nº 83, de 29/12/2021. Fórmula de Friedewald com triglicérides abaixo de 400 mg/dL; colesterol não-HDL com alvo 30 mg/dL acima do alvo de LDL-c. Ausência de qualquer menção ao jejum verificada por contagem de ocorrências nas 31 páginas do documento. PDF (gov.br/saude) 2

  12. Malta DC, Szwarcwald CL, Machado ÍE, Pereira CA, Figueiredo AW, Sá ACMGN, et al. Prevalence of altered total cholesterol and fractions in the Brazilian adult population: National Health Survey. Revista Brasileira de Epidemiologia, 2019; 22(Supl. 2): E190005.SUPL.2. Dados laboratoriais da Pesquisa Nacional de Saúde (IBGE/Ministério da Saúde), 2014-2015. PubMed · DOI

  13. Harada PH, Miname MH, Benseñor IM, Santos RD, Lotufo PA. Familial hypercholesterolemia prevalence in an admixed racial society: Sex and race matter. The ELSA-Brasil. Atherosclerosis, 2018; 277: 273-277. PubMed · DOI

Aviso médico. Este guia tem finalidade informativa e educativa; não constitui aconselhamento médico e não substitui uma consulta. Os valores de referência variam conforme o laboratório e a técnica: só o seu médico pode interpretar os seus resultados no seu contexto.