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TSH alto: o que significa e o que fazer agora

Um TSH alto isolado raramente é doença: entre 422 mil pessoas seguidas por cinco anos, 62% dos resultados entre 5,5 e 10 voltaram sozinhos ao normal.

Publicado em 5 de setembro de 202611 min de leituraEscrito pela Equipe Blood Analysis · Revisado e verificado por Julien Priour

O seu laudo traz o TSH acima do limite impresso ao lado do resultado. Provavelmente veio com uma seta para cima, ou em negrito. Esta página responde às perguntas dessa hora: isso é mesmo anormal? o que costuma causar? quando é urgente? e o que o médico vai fazer em seguida? O que o exame mede e como ele funciona está no guia do TSH — aqui tratamos apenas do resultado alto.

Duas coisas ajudam a começar. TSH alto significa tireoide lenta, não acelerada — a hipófise cobra mais porque a glândula produz pouco. E um único TSH alto não fecha diagnóstico nenhum: nas fontes brasileiras, ele é o começo da investigação, nunca o fim.

Primeiro: isso é mesmo anormal?

O limite que vale é o do seu laudo — e ele é discutido no Brasil

O Consenso brasileiro do Departamento de Tireoide da SBEM adota 0,4 a 4,5 mU/L para adultos. Mas as duas referências citadas nessa frase são internacionais.1

O Brasil tem uma medida própria, e ela dá outro número. Em 960 voluntários saudáveis de 18 a 60 anos — sem anti-TPO positivo e sem T4 livre alterado —, os percentis 2,5 e 97,5 foram 0,43 e 3,24 mUI/L.2

Repare no sentido, porque é contraintuitivo: o limite medido em brasileiros é mais BAIXO que o da SBEM. A régua nacional é mais rigorosa, não mais tolerante. As duas convivem, e nós não arbitramos entre elas: um TSH de 3,8 é normal pela SBEM e está fora do percentil 97,5 medido em brasileiros saudáveis. O intervalo que vale para você é o impresso no seu laudo, porque ele depende do kit do laboratório.

A idade muda o limite — e muito

O limite superior sobe com os anos, sem doença nenhuma por trás. A SBEM cita um estudo brasileiro com 1.200 pessoas de 20 a 80 anos em que as medianas dos limites superiores foram 4,3 mUI/L entre 20 e 59 anos, 5,8 entre 60 e 79 e 6,7 acima dos 80.3

Um TSH de 5,2 aos 75 anos e um TSH de 5,2 aos 30 não são o mesmo achado. A SBEM é explícita: o diagnóstico no idoso deve usar valores específicos por faixa etária e ser feito após uma dosagem repetida.3

O que pode ter elevado o número sem doença

  • A hora da coleta. O TSH tem ritmo circadiano. Num estudo com mulheres com hipotireoidismo subclínico, a mediana foi 5,83 mU/L entre 8h e 9h e 3,79 mU/L entre 14h e 16h — variação de até 73%, e cerca de metade dos casos não teria sido diagnosticada à tarde.4 Aqui há um detalhe que merece ser dito com precisão: nenhuma fonte brasileira consultada manda o paciente colher o TSH num horário determinado. O que o consenso da SBEM diz é outra coisa — que os valores de referência, idealmente, deveriam vir de amostras colhidas em jejum e pela manhã, e que obter tal população "é difícil".1 Ou seja: a régua foi pensada para a manhã; a sua coleta pode não ter sido.
  • Uma doença recente. Na síndrome da doença não tireoidiana, o TSH costuma estar normal ou baixo, "podendo se elevar na fase de recuperação".5 Por isso a SBEM manda rechecar em 6 a 8 semanas quem esteve doente ou internado há pouco.3
  • A biotina — no sentido oposto. A vitamina dos suplementos de cabelo e unha entra no próprio ensaio. Como o TSH é imunométrico (sanduíche), a interferência derruba o resultado.5 Conclusão prática: a biotina não fabrica TSH alto. Ela pode esconder um. Vale contar ao laboratório mesmo assim — a SBPC/ML diverge de si mesma sobre o prazo, "2 a 3 dias" num capítulo e "cerca de 48 horas" em outro.5
  • Interferências que elevam de verdade. O macro-TSH, um complexo de TSH com um anticorpo, tem imunorreatividade preservada e pouca ação biológica: dá TSH falsamente alto, em geral acima de 10 mUI/L, com T4 livre normal — e atinge 0,6 a 1,6% da população.5 Anticorpos heterofílicos apareceram em 0,4% das dosagens de TSH num estudo com mais de 5 mil pacientes, geralmente elevando o resultado.5

Nenhuma fonte brasileira consultada exige jejum do paciente para dosar o TSH. Se o mesmo tubo servir para glicemia ou colesterol total, o jejum é exigência desses exames.

As causas, da mais frequente à mais rara

O protocolo de hipotireoidismo da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo lista as causas em ordem, e a ordem é útil.6

  1. Tireoidite de Hashimoto (autoimune) — a principal causa.6 O documento FEBRASGO/SBEM acrescenta a dimensão: a Hashimoto acomete 12% a 13% da população e apresenta anticorpos circulantes em 85% a 90% dos casos, sendo o anti-TPO o mais comum.7
  2. Levotiroxina insuficiente. Se você já toma o remédio, esta é a hipótese mais provável de todas. Num estudo multicêntrico brasileiro com 2.292 pacientes de centros de referência, 42,7% tinham TSH fora da faixa — 28,3% subdosados e 14,4% superdosados.8 O consenso da SBEM lista, entre as causas de elevação transitória, tanto o "hipotireoidismo subtratado" quanto os "ajustes recentes na dosagem de levotiroxina".1
  3. Tireoide já operada ou irradiada — depois de tireoidectomia ou radioiodoterapia. É a segunda causa mais comum na lista paulistana.6
  4. Tireoidites transitórias (pós-parto, linfocítica, granulomatosa): "o hipotireoidismo causado, habitualmente, é transitório".6 O consenso da SBEM inclui, na mesma lógica, a recuperação da tireoidite subaguda e a fase de recuperação da doença de Graves.1
  5. Medicamentos. Amiodarona, contrastes iodados e carbonato de lítio. O lítio leva a hipotireoidismo subclínico em 20% dos casos e a hipotireoidismo franco em outros 20%.6
  6. Iodo — e no Brasil o problema documentado é o excesso, não a falta. O sal é iodado por obrigação legal, hoje pela RDC nº 604/2022.9 Num estudo de base populacional com 1.085 pessoas da região metropolitana de São Paulo, após cinco anos de ingestão excessiva de iodo, 45,6% tinham excreção urinária acima de 300 µg/L; a prevalência de tireoidite autoimune crônica foi 16,9% e a de hipotireoidismo, 8,0%.10
  7. Raras: doenças infiltrativas (sarcoidose, hemocromatose, amiloidose), radioterapia de cabeça e pescoço, alterações congênitas da glândula.6

O que não entra nessa lista: um TSH alto não indica nódulo nem câncer de tireoide. O marcador usado no seguimento do câncer operado é outro, a tireoglobulina, e o mapa completo dos exames está em exames da tireoide.

E o caminho inverso é um dado brasileiro pouco conhecido: no estudo multicêntrico com 1 234 pessoas citado pelo protocolo do Ministério da Saúde, o hipotireoidismo primário respondeu por 6,3% das prolactinas altas, com média de 74,6 ng/mL — por isso um TSH entra na investigação de uma prolactina elevada.11

O que deve fazer você procurar atendimento sem esperar

  • Gravidez em curso ou planejada. A régua muda: pelo posicionamento FEBRASGO/SBEM de outubro de 2022, o corte é TSH > 4,0 mUI/L; acima de 10, o tratamento começa de imediato; entre 4,0 e 10,0, dosa-se o T4 livre; entre 2,5 e 4,0, dosa-se o anti-TPO.7 Não espere a próxima consulta de rotina.
  • Recém-nascido. ⚠️ O TSH do bebê não se lê com a tabela do adulto — ele é fisiologicamente muito mais alto logo após o parto.1 O rastreio do hipotireoidismo congênito é o "teste do pezinho", obrigatório pela Lei nº 14.154, de 26 de maio de 2021.12 Qualquer alteração nele é assunto do serviço de triagem neonatal, não de comparação com laudo de adulto.
  • TSH muito alto com sintomas marcados — cansaço extremo, sonolência, inchaço, intolerância ao frio, lentidão importante —, sobretudo em pessoa idosa. A apresentação mais grave do hipotireoidismo, o coma mixedematoso, é rara, mas atinge preferencialmente os mais velhos.3

Fora dessas três situações, um TSH pouco acima do limite não é urgência.

O que o seu médico vai fazer depois

O caminho é padronizado nas fontes brasileiras, e é curto.

Passo 1 — repetir. O protocolo paulistano é direto: "diante de um exame apresentando TSH elevado, deve haver sua repetição para confirmar a alteração. Juntamente, nesta reavaliação, deve-se solicitar T4 livre, antiTPO e antiTG".6 A SBEM 2022 dá o prazo: repetir dentro de 3 meses, junto com o T4 livre.3 Se você esteve doente ou internado, 6 a 8 semanas.3

Passo 2 — separar as duas situações. Com o T4 livre em mãos: T4 livre normal = hipotireoidismo subclínico (o caso mais comum desta página); T4 livre baixo = hipotireoidismo clínico, que se trata.6

Passo 3 — decidir sobre o tratamento, e aqui a idade pesa. A SBEM define o subclínico a partir de TSH ≥ 4,5 mU/L e o divide em leve a moderado (4,5 a 9,9) e grave (≥ 10,0).1 Abaixo dos 65 anos, o tratamento é indicado no TSH ≥ 10 e considerado a partir de 7,0 em quem tem doença ou risco cardiovascular; acima dos 65, apenas com TSH persistentemente acima de 10.13 Para os muito idosos (≥ 80, sobretudo acima de 85), a SBEM recomenda uma abordagem conservadora, de observar e monitorar, porque os riscos do tratamento podem superar os benefícios.3

No SUS, os exames desse percurso têm códigos e preços próprios na competência de agosto de 2026: TSH (02.02.06.025-0) R$ 8,96, T4 livre (02.02.06.038-1) R$ 11,60, e há um procedimento combinado de TSH e T4 livre (02.02.11.008-7) por R$ 13,20. O anti-TPO aparece com o nome antigo, pesquisa de anticorpos antimicrossomas (02.02.03.055-5), por R$ 17,16.13

O que este resultado NÃO quer dizer

Não quer dizer que você tem uma doença da tireoide. Enquanto não houver segunda dosagem, não há diagnóstico. Num levantamento com 422.242 pessoas acompanhadas por cinco anos, entre as sem medicação tireoidiana que tinham TSH elevado (acima de 5,5 e até 10 mUI/L) na primeira medida, 62,1% normalizaram sozinhas; entre as de TSH acima de 10, 27,2% normalizaram.14

Não quer dizer que você vai tomar remédio a vida toda. No Brasil, 117 mulheres com TSH entre 5 e 10 e T4 livre normal foram seguidas por três anos: 20,5% normalizaram espontaneamente, 52,1% continuaram no mesmo patamar leve e 27,3% precisaram de levotiroxina.15 Quando a normalização acontece, ela é lenta: numa série de 40 pacientes, a mediana foi de 18 meses.16

Não quer dizer que tratar vai fazer você se sentir melhor. O ensaio TRUST, com 737 adultos de 65 anos ou mais e TSH persistentemente entre 4,60 e 19,99, comparou levotiroxina com placebo: nenhuma diferença nos sintomas de hipotireoidismo nem no cansaço ao fim de um ano.17 E tratar demais tem custo — no estudo brasileiro dos 2.292 pacientes, 14,4% estavam superdosados.8

Não quer dizer câncer. Nada nas fontes brasileiras liga um TSH elevado ao câncer de tireoide.

Vale repetir o exame? Quando?

Sim — repetir é a conduta padrão, não um excesso de zelo. O consenso da SBEM é explícito quanto ao motivo: a alta taxa de normalização espontânea torna "obrigatória a repetição do TSH antes de qualquer possível decisão sobre o tratamento".1

Os prazos das fontes brasileiras:

SituaçãoQuando repetir
TSH alto, sem doença recente3 meses, com T4 livre3
Suspeita de subclínico persistente3 a 6 meses, para excluir erro laboratorial e causas transitórias1
Doença aguda ou internação recente6 a 8 semanas3
Já em uso de levotiroxina, após ajuste de dose6 a 8 semanas6

Uma pista sobre a chance de o segundo exame vir normal: a regressão ao normal "tende a ser mais frequente" com TSH entre 4 e 6 mU/L, e é pouco frequente entre 10 e 15.1

Perguntas frequentes

TSH alto é hipotireoidismo? Não automaticamente. Alto e T4 livre baixo é hipotireoidismo clínico. Alto com T4 livre normal é hipotireoidismo subclínico — e antes disso é preciso confirmar com uma segunda dosagem.6

Meu TSH deu 6. Preciso tomar remédio? Pelas fontes brasileiras, não por esse número isolado. Abaixo dos 65 anos, o tratamento é indicado a partir de 10, ou de 7,0 com doença/risco cardiovascular; acima dos 65, só com TSH persistentemente acima de 10.13

Tomo levotiroxina e meu TSH subiu. O que houve? É a situação mais frequente entre quem já trata. Dose insuficiente e ajustes recentes estão entre as causas listadas.1 Absorção também conta: cálcio, sulfato ferroso e antiácidos junto com o comprimido atrapalham.6

O suplemento de cabelo pode ter causado isso? Não neste sentido. A biotina derruba o TSH medido; ela pode mascarar um TSH alto, não criá-lo.5

Colhi à tarde. Isso conta? Pode contar. A variação circadiana chega a 73%, com valores mais altos de manhã.4 Nenhuma fonte brasileira fixa horário para o paciente, mas a régua de referência foi pensada para amostras matinais.1

Estou grávida e meu TSH deu 4,5. É grave? É acima do corte brasileiro atual (4,0 mUI/L) e pede avaliação — provavelmente com T4 livre. Não espere: leve o laudo ao pré-natal.7

Quanto custa refazer? No SUS, TSH e T4 livre juntos custam R$ 13,20 pela tabela.13 Veja também quanto custa um exame de sangue e o hemograma completo, frequentemente pedido na mesma avaliação.


Este guia é informativo e não substitui uma consulta médica. Um TSH alto isolado não fecha nem exclui diagnóstico: ele se lê com o T4 livre, com o anti-TPO, com a sua idade e com o profissional que acompanha você. Para entender o restante do seu laudo — creatinina, hepatograma, lipidograma —, comece pelo AIDIAGME.

Fontes

Footnotes

  1. Sgarbi JA, Teixeira PF, Maciel LM, Mazeto GM, Vaisman M, Montenegro Junior RM, Ward LS — Departamento de Tireoide da SBEM. Consenso brasileiro para a abordagem clínica e tratamento do hipotireoidismo subclínico em adultos. Arq Bras Endocrinol Metabol. 2013;57(3):166-83. Verificação no texto integral: Recomendação 2 (0,4 a 4,5 mU/L); Recomendação 3 (HSC a partir de TSH ≥ 4,5 mU/L); classificação em leve-moderado (4,5-9,9) e grave (≥ 10,0); Recomendação 5 e o prazo de repetição de 3 meses, e de 3 a 6 meses para excluir erro laboratorial; Tabela 4 (causas de elevação transitória: ajustes recentes de levotiroxina, hipotireoidismo subtratado, recuperação da tireoidite subaguda, pós-radioiodo, fase de recuperação da doença de Graves); taxa de normalização de 62% em cinco anos que torna "obrigatória a repetição do TSH"; regressão mais frequente com TSH de 4 a 6 mU/L; critério metodológico de coleta "em jejum, pela manhã" para o estabelecimento de valores de referência; TSH fisiologicamente mais alto no recém-nascido. PMID 23681263 · DOI 10.1590/s0004-27302013000300003 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13

  2. Rosario PW, Xavier AC, Calsolari MR. TSH reference values for adult Brazilian population. Arq Bras Endocrinol Metabol. 2010;54(7):603-6. 960 voluntários saudáveis de 18 a 60 anos (480 homens e 480 mulheres), excluídos os com anti-TPO positivo ou T4 livre alterado; percentis 2,5 e 97,5 de 0,43 e 3,24 mUI/L; limite superior sugerido de cerca de 3,5 mUI/L. PMID 21085764 · DOI 10.1590/s0004-27302010000700003

  3. da Silva Mazeto GMF, Sgarbi JA, Estrela Ramos H, Villagelin DGP, Nogueira CR, Vaisman M, Graf H, de Carvalho GA — Departamento de Tireoide da SBEM. Approach to adult patients with primary hypothyroidism in some special situations: a position statement from the Thyroid Department of the Brazilian Society of Endocrinology and Metabolism (SBEM). Arch Endocrinol Metab. 2022;66(6):871-882. Estudo brasileiro com 1.200 indivíduos de 20 a 80 anos, com medianas dos limites superiores de TSH de 4,3, 5,8 e 6,7 mIU/L (20-59, 60-79 e > 80 anos); repetição do TSH em até 3 meses com T4 livre; recheque em 6-8 semanas após doença ou internação recente; anti-TPO dosado após confirmação da disfunção; tratamento no idoso apenas com TSH persistentemente acima de 10 mIU/L e abordagem conservadora acima de 80 anos; coma mixedematoso como apresentação mais grave, mais frequente em idosos. PMID 36394484 · DOI 10.20945/2359-3997000000545 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11

  4. Sviridonova MA, Fadeyev VV, Sych YP, Melnichenko GA. Clinical significance of TSH circadian variability in patients with hypothyroidism. Endocr Res. 2013;38(1):24-31. Mediana do TSH de 5,83 mU/L entre 8h e 9h e de 3,79 mU/L entre 14h e 16h em mulheres com hipotireoidismo subclínico; variabilidade circadiana de até 73%; cerca de metade dos casos não seria diagnosticada em amostras vespertinas. (Estudo internacional: verificamos os textos integrais da SBPC/ML, do consenso da SBEM de 2013, do posicionamento da SBEM de 2022, do documento FEBRASGO/SBEM e do protocolo paulistano — nenhum fixa horário de coleta do TSH para o paciente.) PMID 22857384 · DOI 10.3109/07435800.2012.710696 2

  5. Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML)Recomendações da SBPC/ML: boas práticas em laboratório clínico. Capítulo "Avaliação laboratorial da tireoide: atualização": TSH dosado por ensaio imunométrico (sanduíche); macro-TSH com valores falsamente elevados, em geral acima de 10 mUI/L, em 0,6 a 1,6% da população; anticorpos heterofílicos detectados em 0,4% das dosagens de TSH num estudo com mais de 5 mil pacientes, geralmente elevando o resultado; síndrome da doença não tireoidiana com TSH normal ou baixo "podendo se elevar na fase de recuperação"; biotina em mais de 50% dos imunoensaios comerciais e suspensão de "2 a 3 dias". Capítulo de avaliação hormonal: suspensão "cerca de 48 horas". ⚠️ Verificação feita no texto integral do PDF (16.055.655 bytes). PDF 2 3 4 5 6

  6. Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo, Departamento de Atenção EspecializadaProtocolo SUS — Hipotireoidismo, 2024. Ordem das causas de hipotireoidismo primário (Hashimoto como principal; hipertireoidismo tratado por tireoidectomia ou radioiodo como segunda mais comum; tireoidites habitualmente transitórias; fármacos, com lítio levando a hipotireoidismo subclínico em 20% e franco em 20%; radioterapia; doenças infiltrativas; deficiência grave de iodo). Fluxograma de investigação e a instrução de repetir o TSH elevado solicitando T4 livre, antiTPO e antiTG; controle a cada 6 a 8 semanas após início ou ajuste da levotiroxina; interferências de absorção (cálcio, ferro, antiácidos). PDF 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11

  7. FEBRASGO — Comissão Nacional Especializada em Gestação de Alto Risco, com referendo do Departamento de Tireoide da SBEM. Rastreio, diagnóstico e manejo do hipotireoidismo na gestação. FEBRASGO Position Statement nº 10, outubro de 2022. Femina. 2022;50(10):607-17. Solha ST, Mattar R, Teixeira PF, Chiamolera MI, Maganha CA, Zaconeta AC, et al. Verificação no PDF: diagnóstico a partir de TSH > 4,0 mUI/L; TSH > 10 mUI/L tratado de imediato; faixa de 4,0 a 10,0 com solicitação de T4L; faixa de 2,5 a 4,0 com dosagem de ATPO; rastreio universal onde houver condições plenas; tireoidite de Hashimoto como principal etiologia do hipotireoidismo primário, acometendo 12% a 13% da população, com anticorpos em 85% a 90% dos casos e o ATPO como o mais comum. PDF 2 3

  8. Vaisman F, Coeli CM, Ward LS, Graf H, Carvalho G, Montenegro R Jr, Vaisman M. How good is the levothyroxine replacement in primary hypothyroidism patients in Brazil? Data of a multicentre study. J Endocrinol Invest. 2013;36(7):485-8. 2.292 pacientes consecutivos de centros de referência (UFRJ, Unicamp, UFPR e UFC); 42,7% com TSH fora da faixa de 0,4 a 4,0 mUI/L, sendo 28,3% subdosados e 14,4% superdosados. PMID 23324400 · DOI 10.3275/8810 2

  9. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)Programa de Monitoramento da Iodação do Sal para Consumo Humano. Norma em vigor sobre o teor de iodo no sal: Resolução RDC nº 604/2022; obrigatoriedade da iodação pela Lei nº 6.150/1974. gov.br/anvisa

  10. Camargo RY, Tomimori EK, Neves SC, Rubio IGS, Galrão AL, Knobel M, Medeiros-Neto G. Thyroid and the environment: exposure to excessive nutritional iodine increases the prevalence of thyroid disorders in Sao Paulo, Brazil. Eur J Endocrinol. 2008;159(3):293-9. Estudo transversal de base populacional com 1.085 participantes da região metropolitana de São Paulo, após cinco anos de ingestão excessiva de iodo: excreção urinária acima de 300 µg/L em 45,6% e acima de 400 µg/L em 14,1%; tireoidite autoimune crônica em 16,9%; hipotireoidismo em 8,0%; hipertireoidismo em 3,3%; bócio em 3,1%. PMID 18586897 · DOI 10.1530/EJE-08-0192

  11. Ministério da Saúde — Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Hiperprolactinemia, aprovado pela Portaria Conjunta nº 19, de 23 de novembro de 2020 (SAES/SCTIE). Fonte dos cortes de recuperação pós-PEG (< 30%, > 65%, zona intermediária 30–65%), do critério do efeito gancho (macroadenoma ≥ 3 cm com prolactina ≤ 200 ng/mL), do limite superior de ~25 ng/mL, da lista de medicamentos, da exigência de TSH/creatinina/TGO/TGP antes da imagem e dos dados do estudo multicêntrico brasileiro com 1 234 indivíduos. gov.br/conitec

  12. Brasil — Lei nº 14.154, de 26 de maio de 2021, que altera a Lei nº 8.069/1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente) e estabelece o rol mínimo de doenças rastreadas pelo teste do pezinho no Programa Nacional de Triagem Neonatal. Verificação no texto integral: o hipotireoidismo congênito consta na etapa 1. planalto.gov.br

  13. Ministério da Saúde / DATASUSSIGTAP: Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS, competência 202608. Leitura direta do arquivo tb_procedimento.txt (1.697.774 bytes, 5.023 linhas), decodificado em latin-1 e com dobra de acentos comprovada em 2.483 linhas. Valores ambulatoriais (VL_SA): dosagem de hormônio tireoestimulante (TSH), 0202060250, R$ 8,96; dosagem de tiroxina livre (T4 livre), 0202060381, R$ 11,60; dosagem de TSH e T4 livre (controle/diagnóstico tardio), 0202110087, R$ 13,20; pesquisa de anticorpos antimicrossomas, 0202030555, R$ 17,16; acompanhamento de paciente com hipotireoidismo congênito, 0301120048, R$ 27,50. Controles: a busca por "PEROXIDASE" retorna zero — a nomenclatura do SUS para o anti-TPO é a antiga, "antimicrossomas"; a busca por "PERFIL TIREOIDIANO" retorna zero; um termo inventado retorna zero; e a busca por "TSH" traz, além dos exames, um item ortopédico ("RETANGULO TIPO HARTSHILL"), o que prova que a busca por substring está ativa. sigtap.datasus.gov.br 2

  14. Meyerovitch J, Rotman-Pikielny P, Sherf M, Battat E, Levy Y, Surks MI. Serum thyrotropin measurements in the community: five-year follow-up in a large network of primary care physicians. Arch Intern Med. 2007;167(14):1533-8. 422.242 pacientes; entre os 346.549 sem medicação tireoidiana, o TSH normalizou em 62,1% dos que tinham TSH elevado (> 5,5 a ≤ 10 mIU/L) e em 27,2% dos que tinham TSH muito elevado (> 10 mIU/L). (Estudo internacional; é a fonte da taxa de normalização de 62% citada pelo consenso da SBEM.) PMID 17646608 · DOI 10.1001/archinte.167.14.1533

  15. Rosário PW, Bessa B, Valadão MM, Purisch S. Natural history of mild subclinical hypothyroidism: prognostic value of ultrasound. Thyroid. 2009;19(1):9-12. 117 mulheres brasileiras com TSH de 5 a 10 mUI/L e T4 livre normal, seguidas por três anos: 20,5% normalizaram espontaneamente, 27,3% precisaram de levotiroxina e 52,1% permaneceram na forma leve; anti-TPO positivo e/ou hipoecogenicidade ao ultrassom associaram-se a maior progressão. PMID 19021461 · DOI 10.1089/thy.2008.0221

  16. Díez JJ, Iglesias P, Burman KD. Spontaneous normalization of thyrotropin concentrations in patients with subclinical hypothyroidism. J Clin Endocrinol Metab. 2005;90(7):4124-7. 40 pacientes com hipotireoidismo subclínico espontâneo, todos normalizando o TSH sem levotiroxina; tempo mediano de normalização de 18 meses (6 a 60). (Estudo internacional, referência 38 do consenso da SBEM.) PMID 15811925 · DOI 10.1210/jc.2005-0375

  17. Stott DJ, Rodondi N, Kearney PM, Ford I, Westendorp RGJ, Mooijaart SP, et al. Thyroid Hormone Therapy for Older Adults with Subclinical Hypothyroidism. N Engl J Med. 2017;376(26):2534-2544. Ensaio randomizado, duplo-cego, controlado por placebo, com 737 adultos de 65 anos ou mais e hipotireoidismo subclínico persistente (TSH de 4,60 a 19,99 mIU/L); nenhuma diferença nos escores de sintomas de hipotireoidismo e de cansaço em um ano. (Estudo internacional; é o TRUST, analisado em detalhe pelo posicionamento da SBEM de 2022.) PMID 28402245 · DOI 10.1056/NEJMoa1603825

Aviso médico. Este guia tem finalidade informativa e educativa; não constitui aconselhamento médico e não substitui uma consulta. Os valores de referência variam conforme o laboratório e a técnica: só o seu médico pode interpretar os seus resultados no seu contexto.