Gama GT alta: o que significa e o que não significa
Elevação isolada de gama GT não indica doença hepática, diz o TelessaúdeRS. As causas por frequência real e o que muda quando a fosfatase sobe junto.
Seu laudo veio com a gama GT acima do limite do laboratório, e é provável que uma frase já tenha passado pela sua cabeça: "vão achar que eu bebo". Esta página trata disso de frente — e trata também do que a literatura brasileira realmente diz sobre um número alto nessa linha. Resumo antecipado: a gama GT é a enzima mais fácil de subir e a menos capaz de dizer por quê, e uma elevação isolada, num laudo em que o resto está normal, tem uma orientação brasileira explícita — e ela é tranquilizadora. Para saber o que a enzima mede, os valores por sexo e o preparo da coleta, veja a gama glutamil transferase.
Primeiro: isso é mesmo anormal?
Um intervalo de referência é construído para conter 95% das pessoas saudáveis. Por definição, uma pessoa sadia em cada vinte fica fora dele sem ter absolutamente nada. Estar dois ou três pontos acima do teto impresso não é um diagnóstico; é um número para repetir.
Com a gama GT há um motivo extra, e ele é medido. O Estudo Europeu de Variação Biológica acompanhou 91 adultos saudáveis com coletas semanais durante dez semanas e calculou, para a gama GT, uma variação dentro da mesma pessoa de 8,9% e uma variação entre pessoas diferentes de 41,7% — a maior dispersão interindividual das nove enzimas estudadas.1 Traduzindo: cada pessoa tem a sua gama GT, bastante estável ao longo do tempo, e essas gamas GT pessoais são muito diferentes entre si. A razão entre os dois números (cerca de 0,2) é o que os laboratórios chamam de índice de individualidade, e um valor tão baixo significa uma coisa prática: a faixa da população serve mal para você. Um trabalho de 2026 chegou à mesma conclusão para as enzimas hepáticas, incluindo a gama GT, ao construir intervalos personalizados a partir de coletas repetidas.2
A consequência é útil: se você tem um exame antigo, ele vale mais como referência do que a tabela do laudo. Uma gama GT de 55 é banal em quem sempre teve 50 e merece atenção em quem sempre teve 20 — ainda que o segundo esteja "dentro da faixa".
E há uma régua de magnitude. O TelessaúdeRS-UFRGS, serviço de telessaúde do SUS ligado à UFRGS e ao Ministério da Saúde, escreve que em pessoas sem sinais nem fatores de risco para doença hepática crônica, com enzimas até duas vezes o limite superior da normalidade, pode-se apenas repetir a dosagem em 3 meses, sem necessidade de outros exames.3
"Vão achar que eu bebo"
Vale dizer isso em voz alta, porque é o que trouxe boa parte dos leitores até aqui — e porque o desconforto é real e documentado. No estudo BALLETS, uma coorte prospectiva de pacientes com exames hepáticos alterados na atenção primária, os autores registraram que um resultado anormal provoca ansiedade temporária que, ainda por cima, não se converte em mudança de comportamento duradoura.4 O susto acontece; o benefício, não necessariamente.
Os fatos, então. Sim, a gama GT é sensível ao álcool — o BALLETS diz exatamente isso, e é a única virtude que reconhece à enzima. Não, um valor alto não prova consumo: a demonstração numérica está na ficha do marcador, onde menos da metade das pessoas com gama GT alta num rastreamento comunitário preenchia o critério de uso nocivo.
Quanto ao que conta como "beber demais", as referências brasileiras são convergentes e mais generosas do que o senso comum. O posicionamento conjunto da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), da Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH) e da Abeso define consumo excessivo como ≥ 30 g de etanol por dia nos homens e ≥ 20 g nas mulheres.5 O TelessaúdeRS usa o mesmo patamar por outra via: mais de 14 doses por semana (30 g/dia) nos homens e mais de 7 doses (15 g/dia) nas mulheres.3 Abaixo disso, o álcool deixa de ser a explicação óbvia — mas o mesmo posicionamento é honesto ao registrar que, para quem já tem fígado gorduroso, quantidades seguras de álcool não foram estabelecidas.5
Esta página informa, não julga. Se a bebida é uma preocupação sua, isso se conversa com um médico — não se decide por uma linha de laudo.
As causas, da mais frequente à mais rara
1. Fígado gorduroso metabólico
É a primeira da fila pelo peso numérico. No BALLETS, a ultrassonografia encontrou fígado gorduroso em quase 40% dos pacientes com exames hepáticos alterados.4 E o posicionamento SBEM/SBH/Abeso dá a escala do problema: a prevalência vai de 47,3% a 63,7% nas pessoas com diabetes tipo 2 e chega a 80% nas pessoas com obesidade, com cerca de 30% na América do Sul.5 O painel recomenda rastreamento a partir de IMC > 25 kg/m² — e sugere IMC > 23 para pessoas de origem asiática, "que representam uma proporção significativa da população brasileira".5
Se é o seu caso, os exames que contam ficam ao lado no mesmo laudo: glicemia, triglicérides e o lipidograma inteiro.
2. Medicamentos, chás e suplementos
Esta é a causa mais subestimada — e a que tem a melhor documentação brasileira. Comece pelo mais claro: a bula profissional da carbamazepina aprovada pela Anvisa classifica o "aumento da gama-glutamil transferase (devido à indução de enzima hepática)" como reação muito comum, ou seja pelo menos 1 em cada 10 pacientes, e acrescenta que ele "geralmente não é clinicamente relevante".6 A mesma bula gradua as três enzimas em ordem decrescente de frequência: gama GT muito comum, fosfatase alcalina comum, transaminases incomum. É a sensibilidade da gama GT resumida numa tabela regulatória.
O TelessaúdeRS mantém a lista brasileira dos medicamentos hepatotóxicos mais usados, e ela é cheia de coisas banais: paracetamol, AAS, vitamina A, amoxicilina/clavulanato, ciprofloxacino, sulfametoxazol-trimetoprim, terbinafina, ácido valproico, fenitoína, anti-inflamatórios (sobretudo diclofenaco), inibidores de bomba de prótons, alopurinol, amiodarona e metotrexato.3
E os produtos "naturais", que quase ninguém menciona na consulta. Uma análise conjunta brasileira reuniu 428 casos publicados de lesão hepática por suplementos e plantas: os agentes mais frequentes foram produtos Herbalife (50 casos), Polygonum multiflorum (25), produtos Hydroxycut e chá verde (19 cada), OxyElite Pro e chá de kava (16 cada). 82,6% precisaram de internação, 8,9% chegaram ao transplante e 3,6% morreram.7 Não é uma raridade de literatura: é o pote de cápsulas do armário. Leve tudo o que você toma para a consulta — chá, cápsula, pré-treino, fitoterápico.
3. Álcool
Real, e já tratado acima. A gama GT é sensível a ele; não é específica dele.
4. Vias biliares — a leitura que a fosfatase alcalina permite
Aqui a gama GT deixa de ser vaga, mas só em dupla. A regra brasileira do TelessaúdeRS é operacional: fosfatase alcalina acima de 1,5× o limite JUNTO com gama GT alterada faz pensar em vias biliares, e indica ultrassonografia de abdome superior para ver a vesícula e os canais biliares.3 O contrário também informa: fosfatase alta com gama GT normal manda investigar osso, não fígado.3
| O que o laudo mostra | Para onde aponta |
|---|---|
| Gama GT alta, fosfatase alcalina normal | Elevação isolada — sem indicação de investigar mais3 |
| Gama GT alta e fosfatase alcalina > 1,5× o limite | Vias biliares — ultrassonografia de abdome superior3 |
| Fosfatase alcalina alta, gama GT normal | Osso, não fígado3 |
Aprofunde em fosfatase alcalina e em fosfatase alcalina alta.
5. Infecção recente e outras causas agudas
O TelessaúdeRS é direto: "mais frequentemente, a alteração de enzimas hepáticas em um indivíduo assintomático deve-se a situações agudas, como uso recente de medicações potencialmente hepatotóxicas ou quadro infeccioso sistêmico recente".3 Uma virose de duas semanas atrás pode ser toda a explicação.
6. O resto, sem drama
Hepatites virais B e C, doenças autoimunes do fígado, sobrecarga de ferro, obstrução biliar por cálculo ou tumor. São causas reais — e é por isso que um valor alto se investiga quando há contexto. Vêm no fim da lista porque são minoria: no BALLETS, menos de 5% das pessoas com exames hepáticos alterados tinham uma doença específica do fígado, e boa parte dessas nem precisava de tratamento.4 O quadro completo se lê no hepatograma, com TGO, TGP e bilirrubina.
O que deve fazer você procurar atendimento sem esperar
Poucos sinais, todos concretos. Segundo o TelessaúdeRS, diante de icterícia (pele ou olhos amarelados) ou de tempo de protrombina (INR) acima de 1,5, deve-se avaliar a possibilidade de insuficiência hepática grave, com atendimento de emergência ou encaminhamento precoce.3 Também mudam o rumo da avaliação os sinais de doença hepática avançada que o serviço lista: ascite (barriga d'água), aranhas vasculares, eritema palmar, confusão mental ou inversão do sono, e plaquetas baixas no hemograma completo.3 Nada disso vem de uma gama GT isolada em quem se sente bem.
O que seu médico vai fazer em seguida
O roteiro brasileiro está escrito, e dá para antecipá-lo. Quando há sintomas ou fatores de risco, o TelessaúdeRS orienta: revisar todos os medicamentos e substâncias não prescritas (suplementos e ervas incluídos); repetir TGO, TGP, fosfatase alcalina e gama GT para ver se a alteração persiste; pedir bilirrubinas, tempo de protrombina, albumina e hemograma; solicitar testes rápidos ou sorologias para hepatites B e C já na primeira avaliação; pedir ultrassonografia de abdome total; acrescentar ferritina e saturação de transferrina (ferritina, cinética do ferro); e suspender medicações suspeitas e álcool até reavaliar.3
Se o contexto é metabólico, o posicionamento SBEM/SBH/Abeso acrescenta dois passos: a ultrassonografia abdominal como método de rastreamento da esteatose (recomendação de classe I) e o escore FIB-4 para afastar fibrose avançada: abaixo de 1,3 o risco de fibrose avançada é descartado; acima, indica-se outro método.5
O encaminhamento ao especialista tem gatilhos definidos: transaminases acima de 5× o limite, ou fosfatase alcalina acima de 1,5×, com investigação inconclusiva; ou alterações menores que persistam por mais de 6 meses.3
O que esse resultado NÃO quer dizer
Não quer dizer que você bebe. É o ponto mais importante da página.
Não quer dizer doença do fígado, se ela está sozinha. A frase brasileira é literal: "a elevação isolada de gama-GT, com demais exames hepáticos normais, não indica doença hepática, não havendo necessidade de prosseguir investigação".3
Não serve para rastrear fígado gorduroso. O posicionamento SBEM/SBH/Abeso classifica a dosagem de enzimas hepáticas isoladas como não recomendada para esse fim.5 O BALLETS explica por quê: a gama GT "oferece um pequeno ganho de sensibilidade à margem, ao custo de uma grande perda de especificidade", acrescentando "pouca informação em troca de uma alta taxa de falsos positivos".4
Não é um marcador de risco cardiovascular no Brasil — e isso é verificável por contagem. Na Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose de 2025, da Sociedade Brasileira de Cardiologia, a expressão "gama glutamil" aparece uma única vez em todo o documento, e é para dizer que as estatinas não a alteram. Para comparar, "Lp(a)" aparece 85 vezes.8 O risco cardiovascular se calcula com o lipidograma e a glicemia, não com essa enzima.
Não é um exame de rastreamento de câncer. Algumas neoplasias a elevam, mas nenhuma recomendação brasileira consultada a utiliza com essa finalidade.
Precisa repetir? E dá para baixar?
Repetir, sim — mas não na semana que vem. O BALLETS mediu o que acontece com uma repetição precoce: 84% dos exames hepáticos alterados continuam alterados um mês depois, o que torna a repetição de curto prazo pouco informativa.4 Daí o prazo brasileiro ser 3 meses para quem está bem e abaixo de 2× o limite.3
E dá para baixar. Se a causa for metabólica, a gama GT responde. Num programa de três meses de mudança de estilo de vida com 32 pacientes, a gama GT caiu de 26,59 para 19,81 UI/L junto com 7,7 kg de peso e uma queda mensurável de gordura hepática.9 O posicionamento brasileiro fixa o alvo: redução de mais de 7% do peso corporal.5
👉 O AI DiagMe interpreta os seus exames — de sangue, urina ou fezes — considerando todo o seu contexto, em linguagem clara. Serviço informativo que não faz diagnóstico e complementa, sem substituir, a avaliação do seu médico.
Perguntas frequentes
Gama GT alta significa cirrose? Não. Menos de 5% das pessoas com exames hepáticos alterados na atenção primária têm uma doença específica do fígado.4 Cirrose é diagnóstico clínico, laboratorial e de imagem — nunca de uma linha isolada.
Qual valor de gama GT é preocupante? Não existe número universal: compare com o teto do seu laudo. A régua de conduta brasileira é 2× o limite superior: abaixo disso, em quem não tem sintomas nem fatores de risco, repete-se em 3 meses.3
Minha gama GT está alta e eu não bebo. É possível? É o cenário mais comum. Fígado gorduroso, um remédio de uso contínuo, um chá emagrecedor ou uma infecção recente explicam a maior parte dos casos.437
Tomo remédio contínuo. Devo parar? Não por conta própria. Leve a lista completa ao médico: a suspensão de medicações suspeitas faz parte do roteiro, mas quem decide é ele.3
Em quanto tempo ela normaliza? Depende da causa. Retirado o gatilho metabólico, uma queda mensurável apareceu em 3 meses.9 Não há prazo brasileiro publicado para as demais causas.
A gama GT alta atrapalha exame admissional ou seguro? Ela não é, sozinha, um diagnóstico nem uma prova de consumo — e a orientação brasileira para a elevação isolada é explicitamente não investigar mais.3 Leve essa informação à consulta.
O que guardar
A gama GT é a enzima do laudo que mais sobe e menos explica. Uma elevação isolada, com o resto do hepatograma normal, tem no Brasil uma orientação escrita e tranquila: não indica doença hepática e não precisa de investigação adicional. O que muda o quadro é a companhia — a fosfatase alcalina ao lado, um sintoma, um fator de risco metabólico. E o que mais frequentemente explica o número não é a bebida: é o peso, o açúcar, um remédio de uso contínuo ou um produto "natural" que ninguém pensou em mencionar. Reveja seu resultado com o intervalo do seu próprio laudo e com os exames vizinhos — o que a AI DiagMe ajuda a organizar, em complemento ao seu médico. Para os termos técnicos, veja o glossário de exames de sangue.
Fontes
Fontes institucionais brasileiras e publicações científicas (PubMed) utilizadas neste guia:
Footnotes
-
Carobene A, Røraas T, Sølvik UØ, et al. Biological Variation Estimates Obtained from 91 Healthy Study Participants for 9 Enzymes in Serum. Clin Chem. 2017;63(6):1141-1150. Fonte internacional (European Biological Variation Study, 6 laboratórios europeus). 91 participantes saudáveis (38 homens, 53 mulheres, 21-69 anos) com flebotomia semanal por 10 semanas consecutivas, análise em duplicata numa única corrida. Estimativas para a gama GT: variação biológica intraindividual (CVi) 8,9% e interindividual (CVg) 41,7% — o maior CVg das nove enzimas medidas (comparar: fosfatase alcalina 5,3% / 24,9%; ALT 9,3% / 28,2%). Diferenças ligadas ao sexo foram observadas para ALT, GGT e CK. A razão CVi/CVg citada no texto (≈ 0,21) é o índice de individualidade, calculado a partir desses dois valores publicados. DOI: 10.1373/clinchem.2016.269811 · PubMed 28428356 ↩
-
Kazar M, Aksit M, Colak A, Topcu Dİ. Personalized reference intervals for biochemical, hormonal, and coagulation tests: Comparison with population-based reference intervals. Clin Chim Acta. 2027;592:121220. Fonte internacional. 45 adultos saudáveis (28 mulheres, 17 homens) com coleta semanal durante seis semanas; intervalos personalizados comparados aos intervalos populacionais. Verbatim: "High individuality (II <0.6) was demonstrated for liver enzymes (ALT, AST, LDH, GGT, ALP), albumin, creatinine, ferritin, thyroid hormones (TSH, FT4) and lipids suggesting limited applicability of popRIs"; ao contrário do ferro (II > 1,4), para o qual o intervalo populacional se mostrou válido. DOI: 10.1016/j.cca.2026.121220 · PubMed 42419667 ↩
-
TelessaúdeRS-UFRGS (Ministério da Saúde / Universidade Federal do Rio Grande do Sul) — Como investigar enzimas hepáticas elevadas em paciente assintomático na APS?, publicado em 10/11/2021. Página lida integralmente (HTTP 200, 139 880 bytes; controle negativo com slug inexistente: HTTP 404 de 2 596 bytes). Verbatim verificados: "Em pacientes sem sinais ou fatores de risco para hepatopatia crônica com elevação de enzimas hepáticas em até duas vezes o limite superior da normalidade (LSN), pode-se apenas repetir a dosagem de aspartato aminotransferase (AST/TGO) e alanina aminotransferase (ALT/TGP) em 3 meses, sem necessidade de outros exames"; "Mais frequentemente, a alteração de enzimas hepáticas em um indivíduo assintomático deve-se a situações agudas, como uso recente de medicações potencialmente hepatotóxicas ou quadro infeccioso sistêmico recente"; "A elevação isolada de gama-GT, com demais exames hepáticos normais, não indica doença hepática, não havendo necessidade de prosseguir investigação"; "Caso haja alteração de fosfatase alcalina >1,5 o LSN, juntamente com alteração de gama-GT, devemos considerar alterações de vias biliares"; "Se houver alteração de FA sem alteração de gama-GT, deve-se investigar doenças ósseas"; "em caso de icterícia ou alteração do tempo de protrombina (INR) acima de 1,5, deve-se avaliar atentamente a possibilidade de insuficiência hepática grave e considerar avaliação em emergência ou encaminhamento precoce"; fator de risco por álcool: "mais de 7 doses por semana (uso diário acima de 15g/dia) para mulheres ou 14 doses por semana (30g/dia) para homens"; conduta inicial completa (anamnese com suplementos e ervas, sorologias de hepatites B e C na primeira avaliação, repetição de TGO/TGP/FA/gama-GT, bilirrubinas, TP, albumina, hemograma com plaquetas, ultrassonografia de abdome total, ferritina e saturação de transferrina, suspensão de medicações suspeitas e de álcool); critérios de encaminhamento (aminotransferases > 5× LSN, FA > 1,5× LSN, ou alterações menores persistindo por mais de 6 meses); Quadro 1 (aranhas vasculares, eritema palmar, ascite, icterícia, encefalopatia, plaquetopenia) e Quadro 2 (medicamentos hepatotóxicos, incluindo fitoterápicos). ufrgs.br/telessauders ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8 ↩9 ↩10 ↩11 ↩12 ↩13 ↩14 ↩15 ↩16 ↩17 ↩18 ↩19
-
Lilford RJ, Bentham L, Girling A, et al. Birmingham and Lambeth Liver Evaluation Testing Strategies (BALLETS): a prospective cohort study. Health Technol Assess. 2013;17(28):i-xiv, 1-307. Fonte internacional, declarada como tal e citada porque é a referência 10 do próprio documento do TelessaúdeRS. Coorte prospectiva em 11 unidades de atenção primária (Birmingham e Lambeth), adultos com exames hepáticos alterados e sem doença hepática conhecida, seguidos por 2 anos. Verbatim: "Fewer than 5% of people with abnormal LFT results had a specific disease of the liver, and many of these were unlikely to need treatment"; "Gamma-glutamyltransferase (GGT) offers a small increase in sensitivity at the margin at the cost of a large loss of specificity"; "GGT adds little information in return for a high false-positive rate but it is sensitive to alcohol intake"; "Eighty-four per cent of abnormal LFT results remain abnormal on retesting 1 month later"; "An ultrasound diagnosis of 'fatty liver' was present in nearly 40% of patients with abnormal LFTs"; "An abnormal LFT result causes temporary anxiety, which does not appear to promote sustained behaviour change". DOI: 10.3310/hta17280 · PubMed 23834998 ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7
-
Moreira RO, Valerio CM, Villela-Nogueira CA, et al. — Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH) e Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso). Brazilian evidence-based guideline for screening, diagnosis, treatment, and follow-up of metabolic dysfunction-associated steatotic liver disease (MASLD) in adult individuals with overweight or obesity: A joint position statement. Arq Endocrinol Metab (Arch Endocrinol Metab). 2023;67(6):e230123. Documento lido integralmente (48 recomendações). Verbatim: definição de consumo excessivo de álcool "≥30 g daily for men and ≥ 20 g daily for women"; prevalência "from 13.5% in Africa to 31.8% in the Middle East… South America (30%)" e "from 47.3 to 63.7% in individuals with T2DM and is up to 80% in those with obesity"; Recomendação 1 (IIa, C) rastreamento com IMC > 25 kg/m², com corte de 23 sugerido porque "individuals of Asian origin represent a significant proportion of the Brazilian population"; Recomendação 2 (I, C) ultrassonografia abdominal para rastreamento da esteatose; Recomendação 5 (III, B) "measurement of liver enzymes alone is not recommended for screening of hepatic steatosis"; Recomendação 7 (I, A) FIB-4 ou elastografia, com corte de 1,3; Recomendação 22 (IIa, A) redução de peso "greater than 7%"; Recomendação 34 (IIb, B) "safe amounts of alcohol consumption have not been established". ⚠️ Demonstração por enumeração: em todo o documento a sigla GGT aparece três vezes, todas sobre resposta a tratamento (dieta mediterrânea, iSGLT2, análogos de GLP-1) — nenhuma sobre diagnóstico. DOI: 10.20945/2359-4292-2023-0123 · PubMed 38048417 ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7
-
Bula profissional aprovada pela Anvisa — TEGRETARD® (carbamazepina), comprimidos 200 mg, Cristália Produtos Químicos Farmacêuticos Ltda. PDF de 591 139 bytes obtido em HTTP 200
application/pdf(controle negativo com código de produto inventado: HTTP 500 emtext/html, 2 744 bytes); texto extraído para stdout (141 885 caracteres). Verbatim da Tabela 1 de reações adversas, seção "Investigações": "Muito comum: Aumento da gama-glutamil transferase (devido à indução de enzima hepática), geralmente não é clinicamente relevante. Comum: Aumento da fosfatase alcalina do sangue. Incomum: Aumento das transaminases." A própria bula define a convenção CIOMS III adotada: "muito comum (≥ 1/10), comum (≥ 1/100 a <1/10); incomum (≥ 1/1000 a <1/100)". ⚠️ Documento lido no sítio do fabricante porqueconsultas.anvisa.gov.brresponde 403 a partir deste ambiente, inclusive em HTTP/1.1. PDF ↩ -
Assis MH, Alves BC, Luft VC, Dall'alba V. Liver injury induced by herbal and dietary supplements: a pooled analysis of case reports. Arq Gastroenterol. 2022;59(4):522-530. Estudo brasileiro (Faculdade de Medicina da UFRGS e Hospital de Clínicas de Porto Alegre), publicado em revista brasileira. 189 artigos incluídos, 428 casos clínicos de lesão hepática. Agentes mais frequentes: produtos Herbalife® (50 casos), Polygonum multiflorum (25), produtos Hydroxycut® e chá verde (19 cada), OxyElite Pro® e chá de kava (16 cada). Desfechos: 82,6% necessitaram de internação, 8,9% transplante hepático, 3,6% óbito, 1,9% doença hepática crônica. DOI: 10.1590/S0004-2803.202204000-84 · PubMed 36515339 ↩ ↩2
-
Rached FH, Hirata MH, et al. — Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2025. Arq Bras Cardiol. Demonstração por enumeração feita no texto integral (545 229 caracteres): a expressão "gama glutamil" ocorre 1 vez, e "gama" apenas 2 vezes no documento inteiro (a outra em "ampla gama de eventos clínicos"); a sigla "GGT" ocorre 0 vez. A única ocorrência está na seção de segurança hepática das estatinas: "Pequena porcentagem de pacientes apresenta aumento de enzimas hepáticas, particularmente ALT e AST, com pouco ou nenhum efeito sobre a gama glutamil transferase, a fosfatase alcalina ou as bilirrubinas". Para calibrar a contagem: "Lp(a)" ocorre 85 vezes e "homocisteína" 0 vez no mesmo documento. Conclusão: a diretriz brasileira de risco cardiovascular não atribui papel algum à gama GT. DOI: 10.36660/abc.20250640 ↩
-
Liu TT, Qiu H, Liu SY, et al. Modifications decrease hepatic steatosis in Taiwanese with metabolic-associated fatty liver disease. Kaohsiung J Med Sci. 2022;38(10):1012-1019. Fonte internacional, citada apenas pela ordem de grandeza da resposta ao tratamento, por falta de série brasileira equivalente. 32 pacientes com doença hepática gordurosa metabólica num programa de 3 meses de mudança de estilo de vida: peso 88,09 → 80,35 kg, IMC 32,24 → 29,4 kg/m², cintura 103,19 → 95,75 cm, gama-glutamil transferase 26,59 → 19,81 UI/L, TGP 33 → 23,72 U/L e parâmetro de atenuação controlada (gordura hepática) 297,5 → 255,0 dB/m; a rigidez hepática não mudou de forma significativa. DOI: 10.1002/kjm2.12580 · PubMed 35993503 ↩ ↩2