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TSH baixo: o que significa e quando é hipertireoidismo

Entre 2.292 brasileiros que tomam levotiroxina, 14,4% estavam com a dose alta demais — a causa mais esquecida de um TSH baixo. E a biotina inventa outra.

Publicado em 5 de setembro de 202612 min de leituraEscrito pela Equipe Blood Analysis · Revisado e verificado por Julien Priour

Seu resultado veio abaixo do limite inferior impresso no laudo, e a primeira palavra que aparece em qualquer busca é hipertireoidismo. Ela às vezes está certa — mas a causa mais frequente de um TSH baixo no Brasil não é uma doença da tireoide: é um comprimido. E há uma segunda, uma vitamina de farmácia, que produz exatamente o retrato laboratorial da doença de Graves sem que exista doença alguma.

O que o exame mede e quais valores as fontes brasileiras usam está no guia do TSH; aqui tratamos do que fazer com um resultado baixo.

Primeiro: isso é mesmo anormal?

Compare com o limite impresso no seu laudo, não com o de um site. Os ensaios comerciais de TSH não são idênticos, e o intervalo depende do kit do laboratório. Ainda assim, no limite inferior as réguas brasileiras quase coincidem — ao contrário do superior, onde elas brigam. A SBEM adota 0,4 mU/L;1 o estudo com 960 brasileiros saudáveis mediu percentil 2,5 de 0,43 mUI/L.2 Diferença de 0,03: aqui não há a controvérsia do outro lado da escala.

Um TSH baixo é bem mais raro que um TSH alto. No ELSA-Brasil, entre 6.974 participantes com 50 anos ou mais sem disfunção tireoidiana manifesta, o hipertireoidismo subclínico apareceu em 0,9% e o hipotireoidismo subclínico em 9,1% — dez vezes mais.3 Num estudo diferente, com 1.110 nipo-brasileiros acima de 30 anos, a frequência foi maior: 6,2%.4 As populações não são as mesmas, e os números não devem ser somados nem misturados.

A hora da coleta empurra o TSH para baixo. O hormônio tem ritmo circadiano: é mais alto de manhã e cai à tarde — num estudo, a mediana passou de 5,83 para 3,79 mU/L entre a manhã e o meio da tarde nas mesmas mulheres.5 Uma coleta de fim de tarde é, portanto, o pior momento para flagrar um valor limítrofe.

E há a distinção que organiza o resto: TSH baixo com T4 livre normal é o hipertireoidismo subclínico, a forma mais comum; se o T4 livre também estiver alto, o quadro é clínico. Nenhum dos dois se define com um exame só.

As causas, da mais frequente à mais rara

1. Levotiroxina em dose alta demais

Primeira da lista, quase nunca a primeira lembrada. Um estudo multicêntrico brasileiro avaliou 2.292 pacientes consecutivos com hipotireoidismo primário em quatro hospitais universitários (UFRJ, Unicamp, UFPR e UFC): 42,7% tinham TSH fora da faixa28,3% subtratados e 14,4% com dose excessiva.6 O estudo irmão, com 2.057 pacientes, detalha esses 14,4%: 13,0% em hipertireoidismo subclínico e 1,4% manifesto.7

Ou seja: cerca de 1 em cada 7 brasileiros que tomam levotiroxina tem o TSH baixo por causa do próprio comprimido. O consenso da SBEM cita esse dado e diz por que importa: o excesso de levotiroxina aumenta o risco de fibrilação atrial, sobretudo acima dos 65 anos, e de perda de massa óssea na pós-menopausa.1 Se você toma levotiroxina, esta linha é provavelmente a sua — e a conduta é ajustar a dose, não parar por conta própria.

2. Doença de Graves

Quando a causa é a própria glândula, é a hipótese que o médico investiga primeiro: uma doença autoimune em que o anticorpo TRAb age como agonista sobre o receptor de TSH e força a tireoide a trabalhar.8 Dos três anticorpos da tireoide, só ele acompanha a atividade da doença — comparação no guia do anti-TPO.

3. Nódulo ou bócio tóxico

Um nódulo que produz hormônio por conta própria, sem obedecer à hipófise. É a doença de Plummer, e o SUS a trata por uma via separada da de Graves: são dois códigos distintos.9 Nem todo nódulo é tóxico.

4. Tireoidite em fase inicial

Uma inflamação rompe folículos e derrama hormônio pronto na circulação. O TSH cai, o quadro é transitório e a fase seguinte costuma ser de hipotireoidismo — por isso tratar cedo demais pode ser um erro.

5. Primeiro trimestre da gestação

Aqui a fonte brasileira é explícita. O posicionamento FEBRASGO/SBEM descreve o mecanismo: o aumento do hCG "estimula o tecido tireoidiano, por reação cruzada com o receptor de TSH, podendo gerar o bócio e o hipertireoidismo transitório da gestação". E conclui: "esse estímulo ao eixo explica por que as gestantes apresentam, especialmente no primeiro trimestre, concentrações de TSH menores do que as não grávidas".10 Um TSH baixo no início da gravidez pode, portanto, ser fisiológico — o que não dispensa avaliação.

6. Medicamentos

A SBPC/ML lista os mecanismos, que são dois e diferentes:8

  • Inibem a secreção de TSH: glicocorticoides, dopamina e agonistas dopaminérgicos, análogos da somatostatina, opioides — "em geral, não causam alterações significativas do T4/T3".
  • Deslocam o hormônio das proteínas transportadoras, dando T4/T3 livre alto e TSH baixo de forma transitória: fenitoína, fenobarbital, carbamazepina, oxcarbazepina, anti-inflamatórios não hormonais, furosemida e salicilatos em dose alta.
  • Amiodarona, à parte: pode tanto alterar os testes sem doença quanto causar tireotoxicose verdadeira.

7. Excesso de iodo

No Brasil o iodo chega por lei: a Lei nº 6.150/1974 obriga a iodação do sal e a RDC 604/2022 é a norma em vigor sobre o teor.11 O monitoramento nacional PNAISAL, com 18.864 escolares, achou iodo urinário mediano de 276,7 µg/L: suficiência, mas com 44,2% em faixa excessiva.12 E o excesso pode desencadear hipertireoidismo — foi o que se temeu entre 1998 e 2004, quando a iodação chegou a 40-100 mg/kg.13 Não é motivo para abandonar o sal iodado; é motivo para não somar suplementos de iodo por conta própria.

8. Doença aguda grave

Pacientes internados em estado grave "frequentemente exibem alterações transitórias dos testes tireoidianos", com TSH normal ou baixo, que "pode se elevar na fase de recuperação".8 Não é hora de fechar diagnóstico.

O que deve levar você ao médico sem esperar

Poucos sinais, concretos:

  • Coração disparado ou batendo irregular em repouso — a fibrilação atrial é o risco mais documentado do TSH baixo.14
  • Emagrecimento rápido sem dieta, junto de apetite aumentado.
  • Tremor das mãos, calor e suor fora do habitual.
  • Gravidez confirmada ou tentativa de engravidar.
  • TSH abaixo de 0,10 mUI/L. Na análise conjunta de 52.674 pessoas de 10 coortes, os riscos de mortalidade coronariana e de fibrilação atrial foram maiores abaixo de 0,10 do que na faixa de 0,10 a 0,44.14 O quanto o TSH está baixo importa, não só o fato de estar.

Fora disso, um valor pouco abaixo do limite, sem sintoma, não é emergência — é uma consulta a marcar.

O que o seu médico vai fazer depois

O caminho está escrito, e é o algoritmo da SBPC/ML: "TSH baixo: dosar o T4 livre para diferenciar entre hipertireoidismo primário subclínico ou clínico. No caso de T4 livre normal, dosar também o T3 total ou livre para detectar T3-toxicose (T4 livre normal e T3 alto)".8 Essa é a única situação em que o T3 realmente decide — e o SUS não tem código de T3 livre, só do T3 sem a palavra livre.

Depois, para separar Graves do resto, vem o TRAb — e aqui está uma medida deste guia. Percorremos os 5.023 procedimentos da tabela SIGTAP (competência 08/2026) e enumeramos as 97 linhas com a palavra "anticorpo": existem apenas dois anticorpos de tireoide, o antitireoglobulina e o antimicrossomas (o anti-TPO sob o nome antigo). O TRAb não aparece sob nenhuma grafia — "antirreceptor", "TSI", "TBII", "tireotrofina", "tireotropina": zero. Não é falha de busca: "receptor" existe em 9 procedimentos e "imunoglobulina" em 16. O exame que distingue a doença de Graves não é coberto pelo SUS.9

O que o SUS cobre, com valores ambulatoriais:

ProcedimentoCódigoValor
Dosagem de hormônio tireoestimulante (TSH)0202060250R$ 8,96
Dosagem de tiroxina livre (T4 livre)0202060381R$ 11,60
Dosagem de triiodotironina (T3)0202060390R$ 8,71
Pesquisa de anticorpos antimicrossomas (anti-TPO)0202030555R$ 17,16
Ultrassonografia de tireoide0205020127R$ 24,20
Cintilografia de tireoide com ou sem captação0208030026R$ 77,28
Tratamento de hipertireoidismo Graves0303120070R$ 359,70
Tratamento de hipertireoidismo (Plummer, até 30 mCi)0303120061R$ 443,70

Curiosidade da tabela: a captação de iodo radioativo em 24h existe (0208040013) mas está registrada com valor R$ 0,00.9

Sobre o tratamento, o Departamento de Tireoide da SBEM registra a ordem habitual: drogas antitireoidianas primeiro, com atenção à agranulocitose — efeito raro que "exige intervenção imediata" —, e o tratamento definitivo (radioiodo ou cirurgia) depois.15

O que esse resultado NÃO quer dizer

Pode não ser a sua tireoide: pode ser a biotina

A biotina — vitamina B7, B8 ou H — é vendida em cápsulas para cabelo, pele e unhas. A ingestão alimentar recomendada é de cerca de 300 mcg; os suplementos usam megadoses de 3 a 10 mg.8 O problema é que ela faz parte do próprio exame: o sistema biotina-estreptavidina é usado em mais de 50% dos imunoensaios comerciais.8 Em excesso, ela derruba o sinal da reação — e o sentido do erro depende do formato do teste:

ExameFormato do ensaioEfeito da biotina
TSHImunométrico (sanduíche): mais sinal = mais hormônioFalsamente BAIXO
T4 e T3Competitivo: mais sinal = menos hormônioFalsamente ALTOS

Junte as duas linhas: TSH baixo com T4 e T3 altos — o retrato laboratorial exato de uma doença de Graves que não existe. A SBPC/ML registra que a interferência é "particularmente marcante em ensaios de hormônios tireoidianos".8

E não é preciso muito. Um estudo do Grupo Fleury, em São Paulo, mostrou o efeito com uma única dose oral de 10 mg — está no próprio título do trabalho.16 É pesquisa brasileira, não importada.

Quanto tempo suspender? O mesmo manual da SBPC/ML dá duas respostas: o capítulo da tireoide orienta 2 a 3 dias; o capítulo de avaliação hormonal fala em cerca de 48 horas.8 Publicamos as duas porque a divergência é real. Na prática: avise o laboratório e o seu médico que usa biotina, antes da coleta.

Existe ainda um parente analítico do mesmo problema: anticorpos antirrutênio podem interferir em ensaios eletroquimioluminescentes que usam rutênio como traçador, "em geral, gerando valores falsamente elevados de T4/T3 livre e baixos de TSH".8 Mesmo retrato, outra causa.

As outras coisas que ele não quer dizer

  • Não quer dizer câncer. Nenhuma das causas frequentes de TSH baixo é oncológica.
  • Não quer dizer que você precisa "aumentar o TSH". O TSH é o recado, não o alvo: ele sobe sozinho quando a causa é corrigida. Não existe alimento nem suplemento para elevá-lo.
  • Não quer dizer, na gestante de primeiro trimestre, doença — pode ser o hCG.10
  • Não quer dizer engordar nem emagrecer. Um TSH baixo isolado, com T4 livre normal, muitas vezes não dá sintoma nenhum.

Precisa refazer o exame? Quando?

Sim — e essa é a regra. Nenhuma conduta se decide num único TSH baixo, porque boa parte das causas é transitória: tireoidite inicial, doença aguda, medicamento, gravidez, biotina.

  • Se você usa biotina ou complexo vitamínico: suspenda conforme a orientação do seu médico (2 a 3 dias ou cerca de 48 horas, conforme o capítulo da SBPC/ML) e repita.8
  • Se esteve internado ou muito doente: o TSH pode estar baixo pela doença e subir na recuperação. Refazer só depois de restabelecido.8
  • Se toma levotiroxina: leve a caixa e a dose à consulta. É a hipótese número um, e a correção é do ajuste, não de um novo diagnóstico.
  • Em todos os casos: o recontrole vem acompanhado do T4 livre, nunca sozinho.8

Um limite honesto: o Departamento de Tireoide da SBEM publicou consenso sobre o hipotireoidismo subclínico (2013) e posicionamentos sobre gestação (2022) e iodo (2025), mas não localizamos consenso brasileiro dedicado ao hipertireoidismo subclínico. Os prazos de recontrole ficam por conta do julgamento clínico.

Perguntas frequentes

TSH baixo e T4 normal — o que é? É o hipertireoidismo subclínico, a apresentação mais comum. No ELSA-Brasil ele aparece em 0,9% dos adultos acima de 50 anos.3 Se o T4 livre está normal, o passo seguinte do algoritmo da SBPC/ML é o T3, para descartar T3-toxicose.8

TSH baixo engorda ou emagrece? Nem um nem outro, por si só. Quando há hormônio em excesso de fato, o metabolismo acelera e o peso tende a cair — mas um TSH baixo isolado, com T4 livre normal, muitas vezes não dá sintoma algum.

TSH baixo é perigoso? Depende de quanto e de quem. Na análise de 52.674 pessoas, os riscos de mortalidade coronariana e de fibrilação atrial foram maiores com TSH abaixo de 0,10 mUI/L.14 Em nipo-brasileiros, o hipertireoidismo subclínico associou-se a maior mortalidade — mas com apenas 14 óbitos no grupo, o que exige cautela na leitura.4

Como aumentar o TSH? A pergunta está invertida. O TSH é a resposta da hipófise ao hormônio que circula: ele volta ao normal quando a causa é tratada — ajuste da levotiroxina, fim de uma tireoidite, suspensão da biotina. Não há dieta que o eleve.

Tomo suplemento para cabelo e unha. Pode ter mexido no exame? Pode, e é justamente o caso mais evitável. Se contém biotina, ela derruba o TSH medido e eleva o T4/T3 medidos, imitando um hipertireoidismo.8 Conte ao laboratório antes de coletar. Atenção: B12 não é biotina — o problema é a B7/B8.

Como fica o TSH na gravidez? Ele cai fisiologicamente no primeiro trimestre por ação do hCG.10 A régua brasileira de 2022 trata do limite superior (TSH ≤ 4,0 mUI/L); um valor baixo no início da gestação deve ser avaliado, não presumido como doença. O detalhe está no guia do TSH e no de exames da tireoide.

E se o meu resultado fosse alto? A lógica se inverte: TSH alto aponta tireoide lenta. Veja TSH alto. Vale lembrar que essa inversão é própria da tireoide — no hemograma, na glicemia ou no lipidograma, "alto" quer dizer excesso.


Este guia é informativo e não substitui uma consulta médica. Um TSH baixo isolado não fecha nem exclui diagnóstico: ele se lê com o T4 livre, com os seus sintomas e com o profissional que acompanha você. Um colesterol total baixo é outro achado que pode acompanhar o hipertireoidismo. Veja também quanto custa um exame de sangue e o glossário de exames.

Fontes

Footnotes

  1. Sgarbi JA, Teixeira PFS, Maciel LMZ, Mazeto GMFS, Vaisman M, Montenegro Junior RM, Ward LS — Departamento de Tireoide da SBEM. Consenso brasileiro para a abordagem clínica e tratamento do hipotireoidismo subclínico em adultos. Arq Bras Endocrinol Metab. 2013;57(3):166-83. Valor de referência do TSH em adultos de 0,4 a 4,5 mU/L; passagem verbatim sobre o excesso de levotiroxina ("aproximadamente 14,4% dos pacientes com hipotireoidismo em tratamento com levotiroxina estavam hipertratados") e Recomendação 22 (riscos de fibrilação atrial em idosos e de osteoporose em mulheres pós-menopausadas). PMID 23681263 · DOI 10.1590/s0004-27302013000300003 2

  2. Rosario PW, Xavier AC, Calsolari MR. TSH reference values for adult Brazilian population. Arq Bras Endocrinol Metabol. 2010;54(7):603-6. 960 voluntários saudáveis (480 homens, 480 mulheres, 18-60 anos); percentis 2,5 e 97,5 de 0,43 e 3,24 mUI/L. PMID 21085764 · DOI 10.1590/s0004-27302010000700003

  3. Szlejf C, Suemoto CK, Janovsky CCPS, Barreto SM, Diniz MFHS, Lotufo PA, Bensenor IM. Thyroid Function and Sarcopenia: Results from the ELSA-Brasil Study. J Am Geriatr Soc. 2020;68(7):1545-1553. 6.974 participantes com 50 anos ou mais, sem disfunção tireoidiana manifesta, da segunda onda do ELSA-Brasil; frequências de hipertireoidismo subclínico 0,9% e hipotireoidismo subclínico 9,1%. PMID 32167571 · DOI 10.1111/jgs.16416 2

  4. Sgarbi JA, Matsumura LK, Kasamatsu TS, Ferreira SR, Maciel RM. Subclinical thyroid dysfunctions are independent risk factors for mortality in a 7.5-year follow-up: the Japanese-Brazilian thyroid study. Eur J Endocrinol. 2010;162(3):569-77. 1.110 nipo-brasileiros acima de 30 anos; 6,2% (n=69) com hipertireoidismo subclínico; HR de mortalidade geral 3,0 (IC 95% 1,5-5,9; n=14 óbitos) e cardiovascular 3,3 (1,4-7,5; n=8). PMID 19966035 · DOI 10.1530/EJE-09-0845 2

  5. Sviridonova MA, Fadeyev VV, Sych YP, Melnichenko GA. Clinical significance of TSH circadian variability in patients with hypothyroidism. Endocr Res. 2013;38(1):24-31. Mediana do TSH de 5,83 mU/L entre 8h e 9h contra 3,79 mU/L entre 14h e 16h nas mesmas participantes. (Estudo internacional; a SBPC/ML descreve a variação cronobiológica como conceito, mas não fixa horário de coleta para o TSH.) PMID 22857384 · DOI 10.3109/07435800.2012.710696

  6. Vaisman F, Coeli CM, Ward LS, Graf H, Carvalho G, Montenegro R, Vaisman M. How good is the levothyroxine replacement in primary hypothyroidism patients in Brazil? Data of a multicentre study. J Endocrinol Invest. 2013;36(7):485-8. Estudo multicêntrico em quatro centros universitários brasileiros (UFRJ, Unicamp, UFPR, UFC); 2.292 pacientes consecutivos; 42,7% com TSH fora da faixa de 0,4-4,0 mUI/L, dos quais 28,3% subtratados e 14,4% com dose excessiva. PMID 23324400 · DOI 10.3275/8810

  7. Vigário PS, Vaisman F, Coeli CM, Ward L, Graf H, Carvalho G, Júnior RM, Vaisman M. Inadequate levothyroxine replacement for primary hypothyroidism is associated with poor health-related quality of life — a Brazilian multicentre study. Endocrine. 2013;44(2):434-40. 2.057 pacientes; 14,4% supertratados (TSH < 0,4 mU/L), sendo 13,0% em hipertireoidismo subclínico e 1,4% em hipertireoidismo manifesto. PMID 23371817 · DOI 10.1007/s12020-013-9886-1

  8. Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML)Recomendações da SBPC/ML: boas práticas em laboratório clínico. Capítulo 47, "Avaliação laboratorial da tireoide: atualização": algoritmo verbatim "TSH baixo: dosar o T4 livre para diferenciar entre hipertireoidismo primário subclínico (T4 livre normal alto) ou clínico (T4 livre alto). No caso de T4 livre normal, dosar também o T3 total ou livre para detectar T3-toxicose"; biotina em "mais de 50% dos imunoensaios comerciais", sentido do erro por formato de ensaio (imunométrico → falsamente baixo; competitivo → falsamente elevado) e suspensão de 2 a 3 dias; anticorpos antirrutênio "gerando valores falsamente elevados de T4/T3 livre e baixos de TSH"; drogas que inibem a secreção de TSH (glicocorticoides, dopamina, análogos da somatostatina, opioides) e que deslocam o hormônio das proteínas (fenitoína, fenobarbital, carbamazepina, oxcarbazepina, AINEs, furosemida, salicilatos); paciente grave com "TSH normal ou baixo (podendo se elevar na fase de recuperação)". Capítulo 48, "Avaliação hormonal da mulher em idade reprodutiva": ingestão recomendada de cerca de 300 mcg, megadoses de 3 a 10 mg, interferência "particularmente marcante em ensaios de hormônios tireoidianos" e suspensão de "cerca de 48 horas" — divergência interna ao próprio manual. Tabela 3, autoanticorpos: TRAb (antirreceptor de TSH), doença de Graves > 95%, "correlação com atividade da doença". ⚠️ Verificação feita no texto integral do PDF (16.055.655 bytes). PDF 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14

  9. Ministério da Saúde / DATASUSSIGTAP: Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS, competência 202608. Leitura do arquivo tb_procedimento.txt (1.697.774 bytes, 5.023 linhas, codificação latin-1, layout de largura fixa), com dobra de acentos comprovadamente ativa (a busca por "TIREOIDE" retorna também "CINTILOGRAFIA DE TIREÓIDE COM OU SEM CAPTAÇÃO", acentuado). Ausência do TRAb verificada por enumeração completa das 97 linhas contendo "ANTICORPO" — só existem "PESQUISA DE ANTICORPOS ANTITIREOGLOBULINA" (0202030628) e "PESQUISA DE ANTICORPOS ANTIMICROSSOMAS" (0202030555) — e por busca das grafias "ANTIRRECEPTOR", "ANTI-RECEPTOR", "ANTI RECEPTOR", "TSI", "TBII", "TIREOTROFINA", "TIREOTROPINA", todas com zero resultados. Controles positivos na mesma consulta: "TRAB" retorna 31 linhas (TRABALHADOR, TRABECULECTOMIA), "RECEPTOR" retorna 9 e "IMUNOGLOBULINA" 16. Valores ambulatoriais (VL_SA) lidos por posição de campo. sigtap.datasus.gov.br 2 3

  10. FEBRASGO — Comissão Nacional Especializada em Gestação de Alto Risco, com referendo do Departamento de Tireoide da SBEM. Rastreio, diagnóstico e manejo do hipotireoidismo na gestação. FEBRASGO Position Statement nº 10, outubro de 2022. Femina. 2022;50(10):607-17. Verbatim: aumento do hCG "estimula o tecido tireoidiano, por reação cruzada com o receptor de TSH, podendo gerar o bócio e o hipertireoidismo transitório da gestação"; "esse estímulo ao eixo explica por que as gestantes apresentam, especialmente no primeiro trimestre, concentrações de TSH menores do que as não grávidas"; limite superior de TSH em torno de 4,0 mUI/L pela subtração de 0,5 mUI/L do valor de não gestantes. PDF 2 3

  11. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)Iodação do sal para consumo humano (página institucional). Verificação feita na página, com controle negativo (uma URL inventada no mesmo diretório devolve HTTP 404 com conteúdo diferente): "Resolução RDC 604/2022 – Dispõe sobre o enriquecimento obrigatório do sal com iodo e das farinhas de trigo e de milho com ferro e ácido fólico destinados ao consumo humano"; "Lei n. 6.150/1974 – Dispõe sobre a obrigatoriedade da iodação do sal"; "Portaria n. 2.362/2005 – Reestrutura o Programa Nacional de Prevenção e Controle dos Distúrbios por Deficiência de Iodo – DDI, designado por Pró-Iodo". gov.br/anvisa

  12. Cesar JA, Santos IS, Black RE, Chrestani MAD, Duarte FA, Nilson EAF. Iodine Status of Brazilian School-Age Children: A National Cross-Sectional Survey. Nutrients. 2020;12(4):1077. PNAISAL, biênios 2008-2009 e 2013-2014, 18.864 escolares de 6 a 14 anos em todas as unidades federativas; iodo urinário mediano de 276,7 µg/L; 24,9% acima do adequado e 44,2% em concentração excessiva. PMID 32295049 · DOI 10.3390/nu12041077

  13. Medeiros-Neto G. Iodine nutrition in Brazil: where do we stand?. Arq Bras Endocrinol Metabol. 2009;53(4):470-4. Verbatim: entre 1998 e 2004, a iodação excessiva do sal (40 a 100 mg/kg) "could lead to an increased prevalence of chronic autoimmune thyroiditis and iodine-induced hyperthyroidism"; teor reduzido para 20-60 mg/kg em 2003. PMID 19649387 · DOI 10.1590/s0004-27302009000400014

  14. Collet TH, Gussekloo J, Bauer DC, den Elzen WPJ, Cappola AR, Balmer P, et al. — Thyroid Studies Collaboration (com Sgarbi JA e Maciel RM, Brasil). Subclinical hyperthyroidism and the risk of coronary heart disease and mortality. Arch Intern Med. 2012;172(10):799-809. Dados individuais de 52.674 participantes de 10 coortes; 4,2% com hipertireoidismo subclínico endógeno; HR de mortalidade total 1,24 (1,06-1,46), mortalidade coronariana 1,29 (1,02-1,62) e fibrilação atrial 1,68 (1,16-2,43); riscos de mortalidade coronariana e de FA maiores com TSH < 0,10 mIU/L do que entre 0,10 e 0,44 (p de tendência 0,03). É a referência 133 do consenso da SBEM de 2013. PMID 22529182 · DOI 10.1001/archinternmed.2012.402 2 3

  15. Martins JRM, Villagelin DGP, Carvalho GA, Vaisman F, Teixeira PFS, Scheffel RS, Sgarbi JA — Departamento de Tireoide da SBEM. Management of thyroid disorders during the COVID-19 outbreak: a position statement from the Thyroid Department of the Brazilian Society of Endocrinology and Metabolism (SBEM). Arch Endocrinol Metab. 2021;65(3):368-375. Hipertireoidismo de diagnóstico recente tratado preferencialmente com drogas antitireoidianas, com atenção à agranulocitose, "which requires immediate intervention"; tratamento definitivo (radioiodo ou cirurgia) considerado depois. PMID 33844898 · DOI 10.20945/2359-3997000000352

  16. Biscolla RPM, Chiamolera MI, Kanashiro I, Maciel RMB, Vieira JGH — Grupo Fleury, São Paulo, Brasil (afiliação declarada no NCBI para os cinco autores). A Single 10 mg Oral Dose of Biotin Interferes with Thyroid Function Tests. Thyroid. 2017;27(8):1099-1100. Carta ao editor. PMID 28614993 · DOI 10.1089/thy.2016.0623

Aviso médico. Este guia tem finalidade informativa e educativa; não constitui aconselhamento médico e não substitui uma consulta. Os valores de referência variam conforme o laboratório e a técnica: só o seu médico pode interpretar os seus resultados no seu contexto.